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Startup Loft se torna 11º unicórnio do País após nova rodada de investimento

Empresa anuncia aporte de US$ 175 milhões em rodada liderada pelos fundos americanos Vulcan Capital e Andreesen Horowitz

3 jan 2020
17h05
atualizado às 17h35
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O ano mal começou e o Brasil já tem o primeiro unicórnio da safra 2020. Após uma rodada liderada pelos fundos americanos Vulcan Capital e Andreesen Horowitz, a startup de compra, reforma e venda de imóveis Loft está avaliada em mais de US$ 1 bilhão, segundo apurou o Estado. Embora a Loft não confirme o valor, isso faz da empresa o 11º unicórnio unicórnio brasileiro.

A companhia anunciou nesta sexta, 3, que levantou US$ 175 milhões com a nova rodada de investimentos, a terceira de sua história - participaram também QED Investors, Fifth Wall Ventures, Thrive Capital, Valor Capital e Monashees. No total, a startup já levantou US$ 275 milhões em rodadas de investimento, além de já ter captado R$ 326 milhões em dois fundos imobiliários - o fundo mais recente, administrado pela corretora Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), foi anunciado em dezembro.

Fundada em agosto de 2018, a Loft levanta os dados de transações imobiliárias e usa inteligência artificial para oferecer propostas de compra para apartamentos usados em vizinhanças específicas. Depois de compradas, as residências são reformadas por empreiteiros parceiros, utilizando padronização de marcas para conseguir ganhar escala. Em 2019, a empresa transacionou mais de mil apartamentos na cidade de São Paulo e já tem outros 300 à disposição.

"Vamos usar o dinheiro para expansão geográfica e de produtos", diz ao Estado Mate Pencz, cofundador da empresa. No primeiro semestre, o foco geográfico deve acontecer em duas cidades: Rio de Janeiro e Cidade do México. No final de 2019, ela já passou a comprar seus primeiros imóveis no bairro do Leblon e a intenção agora é acelerar a atuação na cidade. Durante o ano, a empresa planeja também chegar a Ipanema e a outros bairros da zona sul carioca.

"Queremos repetir o plano de expansão feito em São Paulo", diz Pencz. "Entramos em bairros consolidados de classe média alta e depois crescemos para outras localidades". Na capital paulista, a Loft começou por Itaim, Jardim Paulistano e Jardins e já oferece serviços em 18 bairros.

Já a expansão mexicana se encontra em estágio embrionário. Para chefiar a operação por lá, a Loft contratou Juan Pablo Ramos, ex-diretor de expansão regional do Uber Eats na América Latina. Enquanto ele monta a equipe, a startup tenta entender os dados do mercado imobiliário local - a ideia é ter a operação funcionando durante o segundo trimestre deste ano. "São Paulo foi um laboratório e conseguimos provar que a nossa fórmula pode funcionar em diferentes cidades. Esse aporte reflete um pouco isso", explica Pencz.

Além das duas cidades, a empresa mira a entrada em outras capitais do Sul e do Sudeste, como Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. Brasília também está no radar.

"A Loft tem apresentado forte crescimento e a oportunidade de mercado que se apresenta é enorme, considerando o tamanho do setor imobiliário no Brasil e suas ineficiências. Acredito que essa combinação de fatores foi determinante para o investimento", diz Felipe Matos, empreendedor e autor do livro 10 Mil Startups.

Serviços

Com o novo aporte, a Loft não mira apenas a expansão geográfica, mas também de produtos. A startup mira produtos financeiros, como financiamento imobiliário e home equity. A Loft tem uma espécie de marketplace, no qual bancos e outras empresas financeiras podem ofertar seus produtos - a Loft fica cobra uma taxa das empresas. Atualmente, a Itaú e Cyrela estão entre os parceiros da Loft, mas Pencz diz que mantém conversas com outras instituições financeiras.

No marketplace, há também a possibilidade de ofertar outros produtos como seguros residenciais e serviços de arquitetura - a empresa tem uma parceria com o escritório de João Armentano.

Aposta na região

Com o aporte na Loft, tanto Vulcan Capital quanto Andreesen Horowitz fazem seus primeiros investimentos em startups brasileiras. "É uma aposta não só no modelo de crescimento da Loft, tanto nacionalmente quanto internacionalmente, mas também uma aposta no ecossistema da região", diz Pencz.

A opinião é parecida com a de Felipe Matos: "O fato do investimento ter sido feito por investidores estrangeiros que ainda não atuavam no país também demonstra que o ecossistema nacional está atraindo cada vez mais capital externo, tendência que deve se manter em 2020", diz.

"A Loft está criando uma fonte consolidada de verdade sobre os preços de estoque e transação, que têm sido, até agora, fundamentalmente ausentes no mercado imobiliário na América Latina", afirma também em nota Rafael Costa, sócio geral da Vulcan Capital. A Vulcan Capital foi fundado por Paul Allen, cofundador da Microsoft que morreu em 2018. Já a Andreessen Horowitz fez investimentos no Facebook e no Twitter antes de abrirem capital.

É uma parceria que anima a startup. "A Vulcan vai poder continuar acompanhando a empresa por muito tempo. Estamos longe de abrir o capital, mas a Vulcan poderá nos acompanhar até chegarmos à Bolsa em diante. Isso fez essa rodada fazer sentido para a gente", diz Pencz. /COLABOROU GIOVANNA WOLF

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Estadão
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