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Pesquisa brasileira celebra o Dia da Mulher e das Meninas na Ciência com Prêmio Carolina Bori, da SBPC

Criado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em 2019, premiação lembra a história de uma das maiores cientistas do Brasil abrindo caminhos para o reconhecimento do trabalho feminino na sociedade

11 fev 2026 - 10h20
(atualizado às 11h05)
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Criado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em 2019, premiação lembra a história de uma das maiores cientistas do Brasil abrindo caminhos para o reconhecimento do trabalho feminino na sociedade.
Criado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em 2019, premiação lembra a história de uma das maiores cientistas do Brasil abrindo caminhos para o reconhecimento do trabalho feminino na sociedade.
Foto: Grupo de Pesquisa em Cognição Visual da UnB , CC BY / The Conversation

A cerimônia do prêmio será transmitida ao vivo hoje, pelo YouTube. para acompanhar.

Como evidencia a ilustração acima, Carolina Bori é um símbolo. Viveu entre 1924 e 2004 e foi uma pioneira da Ciência no Brasil. Como cientista trabalhou na área de análise experimental do comportamento. Mas foi na política científica que Carolina se destacou como primeira e abriu caminhos para as mulheres ao ser a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Sua gestão marcou uma época à frente da entidade representativa da ciência brasileira, em momentos importantes da redemocratização de nosso país e durante as discussões da constituinte que marcou a reconstrução democrática.

Carolina sempre foi discreta na condução das atividades que liderou, mas sua ligação com a SBPC começou muito antes de sua presidência. Atuou em defesa da ciência e da democracia por que entendia que estas caminhavam deveriam ser indissociáveis. Teve uma postura firme e serena, mesmo durante o período da ditadura militar. Trabalhou por uma ciência e educação justas, lutou pelo financiamento público à pesquisa. Incentivou inúmeras meninas e mulheres a fazerem ciência.

Como Presidente da SBPC, foi decisiva ao articular a mobilização da comunidade científica nas discussões que levaram propostas para a Constituição Federal de 1988. Como mulher cientista, mostrou a importância do trabalho das mulheres e tornou-se um exemplo histórico de ativista capaz de formular ciência e dialogar com a sociedade.

Dos idos de 1989 aos dias de hoje muitas coisas aconteceram. Vivemos momentos de instabilidade entre governos e muitas mudanças ocorreram. Ameaças à democracia, altos e baixos no financiamento à pesquisa, pandemia, mas também uma onda pró-ciência que enfrentou a desinformação intencional e durante a qual a SBPC foi central.

Reuniões anuais

Como a maior entidade representativa da ciência no Brasil, a SBPC atuou nos momentos de desafios e nos de desenvolvimento. Sempre buscando o debate de ideias e apresentando propostas, documentos, palestras, além das sempre memoráveis Reuniões Anuais (RA).

As RAs, que trazem o fôlego e a força, sempre marcadas por um ambiente de diversidade com a presença de jovens, indígenas, negros e, certamente, das mulheres. E foi neste contexto de crescimento da ciência no Brasil que a SBPC buscou e continua atuando para aumentar as representações das mulheres, não apenas nas diretorias, nos conselhos, nas secretarias regionais, inclusive por termos um número crescente de mulheres presentes no mundo da pesquisa e da ciência brasileiras.

Em 2015 a ONU, através da UNESCO e da ONU Mulheres, aprovou uma resolução que criou desta data importante para a mulheres cientistas, o que também tornou-se um incentivo para as meninas e as futuras pesquisadoras.

Apesar de toda evolução que tivemos a partir dos últimos 10 anos, a data segue muito importante porque as mulheres e meninas ainda enfrentam barreiras estruturais para entrar, permanecer e progredir na ciência. Mesmo com todo o debate sobre o tema, há uma sub-representação de mulheres em destaque ou como representantes da comunidade em posições de comando.

Neste dia 11 de fevereiro de 2026 completamos 11 anos do início desta celebração mundial. Para a SBPC é mais do que uma data. É um dia estratégico para o reconhecimento das mulheres na ciência, além de um estimulo às meninas para as carreiras científicas.

Foi por este motivo que a SBPC teve a iniciativa de criar o Prêmio Carolina Bori, que uniu um símbolo a uma ideia e trouxe mais um lugar de fala, lembrando a história e abrindo caminhos para a novas as mudanças da nossa sociedade.

A premiação foi instituída como anual, promovida pela SBPC com o objetivo de reconhecer trajetórias de destaque de mulheres cientistas e meninas na ciência no Brasil. O prêmio alterna duas categorias: "Mulheres Cientistas" e "Meninas na Ciência". A edição de 2026 foi dedicada às "Mulheres Cientistas" e homenageia pesquisadoras com trajetórias de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.

Desde a sua criação, em 2019, verificamos um crescimento no Prêmio Carolina Bori. Este ano, em sua sétima edição, a premiação recebeu 94 indicações de candidatas válidas, enviadas por 79 Sociedades Científicas Afiliadas à SBPC. Um crescimento de 68% em relação à edição anterior desta categoria, realizada em 2023, que recebeu 56 indicações de 52 sociedades

Conheça as cientistas premiadas

Entre as cientistas agraciadas com o Prêmio estão Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), premiada na categoria Humanidades; Iris Concepcion Linares de Torriani, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na área de Exatas e Ciências da Terra; e Luisa Lina Villa, professora da Universidade de São Paulo, vencedora na categoria Ciências Biológicas e da Saúde.

A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na área de Humanidades, foi reconhecida Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo. Em Exatas e Ciências da Terra, a homenagem foi concedida a Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Já na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi atribuída a Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

São pessoas com trajetórias bastantes longas na ciência e de uma vida toda. Mulheres que se dedicaram, mas também mostraram a sua capacidade de produzir um conhecimento que proporcionou a transformação de uma área, ou um conhecimento que trouxe benefícios para a saúde, o desenvolvimento humano, e que também gerou outros conhecimentos.

O Prêmio é uma forma de valorizar as diferentes trajetórias, além da grande alegria de homenagearmos mulheres que fizeram e fazem a diferença para a ciência. Sabemos que ainda temos muito a caminhar para que as mulheres ocupem de maneira equânime os diferentes lugares e atividades da ciência e da tomada de decisões. A SBPC estará e continuará nesta caminhada, lembrando Carolina Bori e valorizando todas as mulheres que o Prêmio sintetiza.

Saiba mais sobre as vencedoras

Anna Mae Tavares Bastos Barbosa: Vencedora da categoria Humanidades, possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (1960), mestrado em Art Education - Southern Connecticut State College (1974) e doutorado em Humanistic Education - Boston University (1978). Além de ser professora emérita da USP, é também professora da Universidade Anhembi Morumbi.Sua trajetória acadêmica é marcada pela atuação nas áreas de Ensino da Arte e contextos metodológicos, História do Ensino da Arte e do Desenho, Interculturalidade, Estudos de Museus de Arte, entre outros temas. É referência de arte-educação no Brasil, principalmente por conta da sua luta pelo reconhecimento da área e sistematização da Abordagem Triangular no ensino da Arte.

Iris Concepcion Linares de Torriani: ganhadora da categoria Exatas e Ciências da Terra, ela é física formada pela Universidad de Buenos Aires/Universidad Nacional de La Plata, em 1965, e doutora em Física pela Universidad Nacional de La Plata (1975). Em 1976 chegou ao Instituto de Física "Gleb Wataghin" (IFGW) da Unicamp, onde consolidou uma trajetória acadêmica marcada pela liderança científica, formação de pessoas e pela implantação de uma infraestrutura estratégica para a comunidade de cristalografia e de materiais no Brasil. Entre 1989 e 2004, dirigiu o Laboratório de Cristalografia Aplicada e Raios X do IFGW, onde teve uma atuação intimamente associada ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/CNPEM). Sua produção acadêmica abrange contribuições em matéria condensada, nanoestruturas, polímeros, biomateriais e biologia estrutural, além de interfaces com técnicas complementares (como NMR e instrumentação de feixe síncrotron).

Luisa Lina Villa: Vencedora da categoria Ciências Biológicas e da Saúde, possui graduação em Ciências Biológicas pela USP (1972) e doutorado em Ciências (Bioquímica) pelo Instituto de Química da USP (1978). É referência internacional em HPV, e trabalhou com o desenvolvimento da vacina profilática contra HPV - o HPV está relacionado a 100% dos casos de câncer de colo do útero. Foi diretora do Instituto Ludwig e coordenou o INCT-HPV. Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), lidera o Laboratório de Inovação em Câncer do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Também é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Comendadora do Mérito Científico.

Menções honrosas:

Maria Arminda do Nascimento Arruda: professora da Universidade de São Paulo, reconhecida na área de Humanidades.

Marilia Oliveira Fonseca Goulart: docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), representando a área de Exatas e Ciências da Terra.

Nísia Verônica Trindade Lima: professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da área da Saúde.

A cerimônia de entrega do Prêmio será na quarta-feira, dia 11 fevereiro, no Salão Nobre do Centro MariAntonia da USP, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube a partir das 14h. O evento é aberto a todos e gratuito.

Esta 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher tem o patrocínio da Fundação Conrado Wessel e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema); e apoio da Fundação Péter Murányi, do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e do Centro MariAntonia.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Soraya Soubhi Smaili coordena o Centro de Saúde Global da Unifesp, o Centro de Estudos Sociedade Universidade e Ciencia (SOU_CIENCIA), e é vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Francilene Garcia é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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