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Violência e xenofobia voltam às ruas britânicas: crise migratória reacende protestos no Reino Unido

Conflitos recentes em frente a um hotel que abriga refugiados em Epping, no nordeste de Londres, reacenderam temores de novas ondas de violência no Reino Unido, exatamente um ano após distúrbios de cunho anti-imigratório abalarem o país.

25 jul 2025 - 11h29
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Conflitos recentes em frente a um hotel que abriga refugiados em Epping, no nordeste de Londres, reacenderam temores de novas ondas de violência no Reino Unido, exatamente um ano após distúrbios de cunho anti-imigratório abalarem o país.

Manifestantes jogam uma lixeira durante um protesto contra a imigração em Rotherham, no Reino Unido, em 4 de agosto de 2024.
Manifestantes jogam uma lixeira durante um protesto contra a imigração em Rotherham, no Reino Unido, em 4 de agosto de 2024.
Foto: REUTERS - Hollie Adams / RFI

Desde o início de julho, diversas manifestações ocorreram diante do Bell Hotel, após um etíope, hóspede e solicitante de asilo, ser acusado de agressões sexuais. Alguns protestos terminaram em violência, deixando oito policiais feridos e resultando em 18 prisões — sete delas com indiciamentos formais.

A presidente da Federação da Polícia britânica, Tiff Lynch, fez um alerta: "Esse não é apenas um caso isolado preocupante", disse ao jornal Daily Telegraph. "É um sinal claro de como as tensões podem explodir facilmente, e de como estamos despreparados para lidar com isso."

Apesar da crescente preocupação, o governo trabalhista de Keir Starmer garante estar pronto para qualquer situação. O ministro britânico do Comércio, Jonathan Reynolds, reconheceu, em entrevista à Sky News, que compreende as críticas ao uso de hotéis para abrigar solicitantes de refúgio — uma prática onerosa para os cofres públicos — e ressaltou que o número desses estabelecimentos caiu de 400 para 200.

Risco de desobediência civil

O Reino Unido enfrenta um número recorde de chegadas de migrantes por barcos neste início de ano. O partido anti-imigração Reform UK, liderado por Nigel Farage, vem liderando pesquisas de intenção de voto há meses.

"Londres não faz ideia de quão perto estamos de uma desobediência civil em larga escala", declarou Farage, figura proeminente do Brexit, em coletiva de imprensa na segunda-feira.

O Bell Hotel foi cercado por barricadas, e novas manifestações têm ocorrido — algumas pacíficas, como a da última quinta-feira. Ao fim do dia, o conselho municipal votou uma moção pedindo ao governo que pare de enviar refugiados ao hotel.

Moradores de Epping, uma tranquila cidade com 12 mil habitantes, manifestaram desconforto com os acontecimentos. "Nunca houve problemas aqui, é a primeira vez", afirmou um aposentado que mora a cerca de cem metros do local e preferiu não se identificar. Para ele, o problema não é o hotel, mas grupos externos aproveitando o caso para promover agendas políticas extremistas.

Previsão de novos confrontos racistas

O cientista político britânico Aurelien Mondon, especialista em movimentos de extrema direita, acredita que muitos dos protestos não surgiram de iniciativas locais. "As redes sociais facilitam a organização desses grupos extremistas", afirmou, ressaltando o risco de novas manifestações violentas motivadas por questões raciais nas próximas semanas.

Na última segunda-feira, dezenas de pessoas protestaram em Diss, no leste da Inglaterra, pedindo o fechamento de outro hotel com solicitantes de asilo. Em junho, a cidade de Ballymena, na Irlanda do Norte, registrou várias noites de violência xenofóbica após dois adolescentes — supostamente romenos — serem acusados de tentativa de estupro.

O influenciador de extrema direita Tommy Robinson, que tem 1,3 milhão de seguidores na plataforma X, chegou a anunciar presença em um ato em Epping no próximo domingo, mas depois recuou.

Ele já havia sido acusado de incitar tumultos anti-imigração em julho de 2024, após o assassinato de três meninas por um jovem britânico de origem ruandesa.

Rumores falsos indicavam que o agressor era um refugiado muçulmano recém-chegado ao país, o que levou grupos a atacarem abrigos e mesquitas. O autor do crime, Axel Rudakubana, foi condenado em janeiro a 52 anos de prisão.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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