Funeral de Brigitte Bardot reúne celebridades e políticos em Saint-Tropez
O funeral de Brigitte Bardot teve início na manhã quarta-feira (7) em Saint-Tropez, na presença de celebridades e de Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita francês Reunião Nacional (RN), seu filho e suas netas. A pequena vila de pescadores no sul da França, que foi refúgio da atriz por décadas, praticamente parou para a ocasião.
O caixão de Brigitte entrou na pitoresca igreja Notre-Dame de l'Assomption, coberto de rattan, uma fibra vegetal de palmeira. O cortejo começou ao som de Casta Diva, de Bellini, em uma versão interpretada por Maria Callas, e o corpo foi colocado perto de um grande retrato sorridente da mulher que foi um símbolo sexual mundial dos anos 1950 e 1960. O padre Jean-Paul Gouarin abriu a cerimônia religiosa pedindo aos presentes que guardassem seus celulares e não tirassem fotos.
Seu filho Nicolas-Jacques Charrier, 65 anos, depositou uma coroa de flores, principalmente mimosas, com a única inscrição: "Para mamãe". Sua vinda de Oslo, onde mora com suas filhas e netas era incerta. Desde criança, ele mantinha uma relação tumultuada com a mãe famosa, que sempre disse ser desprovida de instinto maternal e, por isso, o havia deixado ser criado com seu pai, o ator Jacques Charrier, morto em setembro de 2025.
Câncer foi a causa da morte da atriz
A estrela, que faleceu em consequência de um câncer em 28 de dezembro aos 91 anos, desejava um funeral "sem pompa", com flores simples e campestres e uma lista de convidados cuidadosamente selecionados por seus familiares e sua fundação para a proteção dos animais, causa pela qual ela abandonou o cinema no auge da glória, aos 38 anos.
Em uma entrevista publicada pela Paris-Match na terça-feira (6), seu último marido, Bernard d'Ormale, que viveu com a atriz por 33 anos, revelou que a estrela estava em tratamento contra um câncer, havia emagrecido e sofria de dores violentas nas costas.
Ele contou que segurou a mão dela até o amanhecer do dia 28 de dezembro, quando ela faleceu "cercada pelos animais que ela amava acima de tudo e por mim, que a amava". Ele descreve "uma plenitude, uma tranquilidade (...) em seu rosto. E ela voltou a ficar extremamente bonita, como em sua juventude".
Celebridades, extrema direita e governo
A personalidade da ex-atriz, várias vezes condenada por comentários racistas e homofóbicos e próxima da extrema direita, divide opiniões.
Entre as celebridades presentes na cerimônia religiosa estavam a cantora Mireille Mathieu, o filho do ator Jean-Paul Belmondo, outros inúmeros artistas, humoristas e atores. Também presente, o defensor das baleias Paul Watson sentou-se na primeira fila para prestar homenagem. E, entre os políticos, a deputada e líder da extrema direita Marine Le Pen, e o soberanista Nicolas Dupont-Aignan, faziam parte dos amigos presentes.
Como representante do governo francês, compareceu Aurore Bergé, ministra delegada responsável pela Igualdade entre Mulheres e Homens. Emmanuel Macron, quem Brigitte Macron declaradamente não apreciava muito, enviou um grande cesto de flores para a cerimônia.
Transmissão da cerimônia
Mil pessoas se reuniram no porto da cidade, onde um telão transmitia a cerimônia de despedida de BB, como era conhecida, em um dia de frio intenso no país. Nesta quarta-feira, vários departamentos franceses seguem em alerta por uma forte nevasca.
Sandrine, assistente educacional de 60 anos, foi especialmente dos Pireneus Orientais com sua cadela husky Saphyr. "Ela foi tão criticada desde sua morte. Eu me lembro principalmente do que ela fez pelos animais", disse à AFP.
Entre a multidão presente também estava Joëlle, que disse à reportagem da Franceinfo ter percorrido 850 quilômetros para se despedir da estrela. "Ontem, fizemos dez horas de viagem para prestar homenagem. Ela era realmente uma mulher excepcional. É como se uma parte da França tivesse desaparecido", afirma.
Após a igreja, uma procissão se dirigirá ao cemitério marinho, para um enterro estritamente privado de frente para o Mediterrâneo, não muito longe de La Madrague, a casa de pescadores onde ela viveu e faleceu.
Na segunda-feira (5), o nome de Brigitte Bardot foi gravado no túmulo onde já repousam seus pais e avós e não muito longe de Roger Vadim, seu primeiro marido e cineasta, que transformou BB em uma estrela internacional com o filme "E Deus... Criou a mulher" de 1956.
RFI e AFP