Bancos dos EUA reforçam segurança em Paris após supostas ameaças de grupo pró-Irã
O banco Citi adotou o trabalho remoto em suas agências em Paris nesta quinta-feira (2), e o Goldman Sachs reforçou o policiamento em sua sede na noite desta quarta-feira (1º), após novos alertas na Europa e ameaças atribuídas a um grupo pró-Irã. A decisão foi tomada depois do atentado frustrado contra o Bank of America, na noite de sexta-feira (27) para sábado (28), que levou à prisão de quatro suspeitos, entre eles três menores de idade.
Em Paris, a sede do Goldman Sachs passou a ser monitorada pelas forças de segurança após um alerta das autoridades americanas sobre potenciais ameaças ligadas a um grupo pró-Irã. O banco teria recebido um e-mail para reforçar a vigilância diante do risco de ataques com explosivos contra instituições financeiras americanas na Europa.
No mesmo contexto, a porta-voz do Citi afirmou que, por precaução, a instituição colocou funcionários das unidades de Paris e Frankfurt em trabalho remoto. Ela ressaltou que a segurança dos colaboradores é "prioridade absoluta" e que o banco está adotando todas as medidas necessárias diante das ameaças.
A Secretaria de Segurança Pública de Paris informou que o atual "cenário internacional marcado por tensões crescentes e elevado nível de ameaça terrorista" levou à implementação de um "esquema de segurança reforçado nos arredores de locais culturais e religiosos, representações diplomáticas e pontos de interesse econômico vinculados às partes envolvidas".
Jovem é detido
O clima de alerta se intensificou após o atentado frustrado no último sábado contra a sede parisiense do Bank of America. Um jovem de 17 anos foi detido ao deixar um artefato explosivo artesanal na entrada do prédio e, segundo a acusação, ele se preparava para acendê-lo com um isqueiro.
O Ministério Público Nacional Antiterrorista (Pnat) acusou um jovem de cerca de 20 anos de ter "recrutado", na noite de 26 para 27 de março, três adolescentes para colocar o plano em prática. Para a promotoria, a tentativa "parece estar ligada" ao grupo "Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya" (Hayi), que nos últimos dias reivindicou ataques contra comunidades judaicas na Bélgica, no Reino Unido e na Holanda.
O acusado maior de idade também teria pedido aos menores, de 16 e 17 anos, que filmassem a ação, em troca de uma remuneração "entre € 500 e € 1.000", ainda segundo o Pnat.
Interesse estratégico
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou à rádio Franceinfo que o ataque tem elementos similares aos atentados recentes ocorridos na Holanda e na Bélgica e pode ter sido ordenado por um grupo pró‑iraniano que reivindicou ações contra comunidades judaicas na Europa. Desde 1979, o regime iraniano é acusado de ao menos 200 operações no exterior, incluindo atentados e assassinatos.
"Geralmente, os alvos são opositores iranianos. É o caso do atentado que foi frustrado em Villepinte (região parisiense) em 2018, e pelo qual uma pessoa com status diplomático iraniano foi condenada a uma pena severa. Mas também podem ser interesses ligados ao Estado de Israel ou aos Estados Unidos", explica Marc Hecker, diretor executivo do Instituto Francês das Relações Internacionais e especialista em questões de terrorismo, em entrevista à RFI.
Várias tentativas de atentados na Europa nas últimas semanas foram reivindicadas por um pequeno grupo pró-iraniano. Mas nada indica, neste momento, que Teerã as tenha encomendado. O analista Thierry Coville questiona o interesse estratégico do Irã em ordenar ataques em solo europeu, argumentando que isso poderia ampliar a coalizão internacional contra o país.
"Isso pode, no entanto, levar a um fortalecimento da coalizão contra eles, já que, neste caso, os eventos ocorrem em solo europeu. Eles sabem muito bem que foram os Estados Unidos e Israel que os atacaram. Portanto, não vejo muito como esse tipo de atentado lhes traria qualquer benefício em sua atual estratégia de guerra assimétrica", afirmou.
Alguns especialistas do mundo árabe alertam ainda para a possibilidade de que atentados dessa natureza sejam organizados por serviços de inteligência estrangeiros e atribuídos ao Irã, com o objetivo de envolver governos europeus no conflito em curso entre Israel e Estados Unidos.
Com agências