Postura de Macron na crise do Oriente Médio irrita Estados Unidos e Israel
Depois de ter se recusado a apoiar a guerra dos Estados Unidos no Iraque, em 2003, a França volta a ser alvo de críticas da Casa Branca, após as declarações do presidente Emmanuel Macron em relação ao envolvimento do país na ofensiva israelo-americana no Irã.
O assunto é destaque nos jornais franceses desta quinta-feira (2), um dia após o presidente Donald Trump ter ironizado a recusa de Emmanuel Macron em atuar diretamente para garantir a passagem de navios no Estreito de Ormuz e impedir o sobrevoo de aviões americanos carregados de armamento para a guerra no Oriente Médio.
O jornal Le Figaro traz uma reportagem abordando o descontentamento de Washington com seus parceiros europeus, considerados "pouco cooperativos". Itália e Espanha também proibiram o pouso de aviões americanos de guerra em suas bases aéreas.
Até mesmo o Reino Unido, com quem os Estados Unidos mantêm uma "relação especial", é acusado de não ajudar suficientemente. A França, que tem o melhor exército da Europa, poderia fazer a diferença, comenta um diplomata citado pelo diário, citando a decepção de Washington. Macron respondeu que a previsibilidade da Europa contrasta com a imprevisibilidade de Trump — a ponto de Paris cogitar uma mudança radical no apoio americano na Otan.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou o presidente francês Emmanuel Macron durante um almoço privado, segundo um vídeo divulgado e depois bloqueado pela Casa Branca. Trump afirmou que pediu apoio da França na guerra no Oriente Médio, mas que Macron recusou.
Trump também fez referência a um vídeo polêmico que viralizou no ano passado e que mostrava Brigitte Macron empurrando o rosto do presidente francês durante uma viagem ao Vietnã. "Liguei para o Macron, cuja mulher o trata extremamente mal. Ele ainda se recupera do soco no queixo", disse Trump citando o vídeo usado, segundo a presidência francesa, em campanhas de desinformação. Trump imitou o sotaque francês ao relatar a suposta resposta de Macron, que só poderia ajudar "depois que a guerra fosse vencida".
A postura da França também é alvo de críticas de Israel. O jornal Le Monde traz duas reportagens sobre a reação do país, que anunciou o fim da importação de armamento francês.
O diário também cita a invasão terrestre do Exército israelense no sul do Líbano, apesar dos apelos do presidente francês para que o país fosse poupado de violência. O reconhecimento pela França de um Estado Palestino na Assembleia Geral da ONU, em 2025, também não foi esquecido por Israel, acrescenta o texto.