Conheça a cidade mais fedorenta do mundo
Descubra por que Manshiyat Naser, no Egito, é considerada a cidade mais fedorenta do mundo e como o lixo afeta saúde e moradores
A pequena Manshiyat Naser, na região do Cairo, ficou conhecida internacionalmente pelo apelido de "cidade do lixo". O local ganhou essa fama por concentrar, há décadas, boa parte dos resíduos sólidos da capital egípcia. Ruas estreitas, edifícios simples e montanhas de sacos plásticos formam um cenário em que o lixo não é apenas um problema urbano, mas também a base da economia local.
Esse bairro é frequentemente citado como uma das cidades mais malcheirosas do mundo porque quase tudo ali gira em torno da coleta, triagem e reciclagem de resíduos. Em muitos quarteirões, pilhas de restos orgânicos se acumulam ao lado de plásticos, papelão e sucata, criando um ambiente em que o odor se torna parte do cotidiano. Para quem chega de fora, o choque olfativo é imediato, especialmente nos dias mais quentes do ano.
Por que Manshiyat Naser é chamada de "cidade do lixo"?
A principal razão para a fama de Manshiyat Naser está no sistema de coleta de resíduos do Cairo. Há muitos anos, famílias conhecidas como Zabbaleen assumiram o trabalho de recolher o lixo de grande parte da metrópole. Em vez de descartar tudo em aterros distantes, os resíduos são levados para esse bairro, onde são separados de forma manual. Isso faz com que toneladas de lixo passem diariamente pelas ruas da região, reforçando a imagem de "cidade do lixo".
Essas famílias desenvolveram um método próprio de reciclagem, com aproveitamento de uma parcela significativa do material, especialmente plásticos, metais e papel. No entanto, o processo é feito em casas, pátios improvisados e oficinas simples, sem a mesma estrutura sanitária de centros industriais modernos. O resultado é a presença constante de odores fortes, misturando restos orgânicos em decomposição, excrementos de animais e fumaça de pequenas queimas de resíduos.
Por que Manshiyat Naser é considerada a cidade mais fedorenta do mundo?
A expressão "cidade mais fedorenta do mundo" não é um título oficial, mas uma forma de descrever a intensidade do cheiro em Manshiyat Naser. A palavra-chave nesse contexto é lixo. A combinação de grandes volumes de resíduos, calor intenso no verão egípcio e infraestrutura limitada cria as condições ideais para odores persistentes. Em alguns pontos, o cheiro vem diretamente de resíduos orgânicos acumulados, em outros, de esgoto precário e de animais criados próximos ao lixo.
Em ambientes com tantos resíduos, bactérias e fungos se multiplicam com rapidez, acelerando a decomposição. Isso libera gases com cheiro muito forte, especialmente quando a coleta do lixo orgânico não é feita com a frequência necessária ou quando o material permanece exposto ao sol. Além disso, a ventilação entre prédios baixos e ruas estreitas nem sempre é suficiente para dispersar os odores, que ficam concentrados em determinados trechos do bairro.
- Decomposição de resíduos orgânicos em grande escala.
- Temperaturas elevadas durante boa parte do ano.
- Infraestrutura sanitária limitada em algumas áreas.
- Criação de animais em meio aos resíduos, como cabras e porcos.
- Queima de lixo em pequena escala, gerando fumaça e mau cheiro.
Como funciona o sistema de reciclagem em Manshiyat Naser?
Apesar da fama relacionada ao cheiro, Manshiyat Naser também é conhecida por seu alto índice de reaproveitamento. Estimativas apontam que uma grande parte do lixo que chega ao bairro é reciclada ou reutilizada. O trabalho é estruturado em famílias e pequenos grupos, que se especializam em tipos específicos de material, como plástico rígido, garrafas, papelão ou metal.
O processo costuma seguir etapas relativamente padronizadas:
- Coleta: os Zabbaleen recolhem resíduos em bairros do Cairo, muitas vezes porta a porta.
- Transporte: o lixo é levado em caminhões ou caminhonetes até Manshiyat Naser.
- Triagem manual: famílias inteiras separam materiais recicláveis do lixo orgânico.
- Limpeza e prensagem: parte do material é lavado, triturado ou prensado para venda.
- Venda para indústrias: os recicláveis seguem para fábricas que os transformam em novos produtos.
Esse sistema garante renda para milhares de pessoas, mas também intensifica a presença do lixo nas ruas e dentro das casas. Como nem todo material chega limpo e bem acondicionado, o odor faz parte de todas as etapas do processo. Mesmo com um índice de reciclagem considerado alto, a fase de decomposição do que não é aproveitado continua sendo a principal fonte de mau cheiro.
Há iniciativas para reduzir o mau cheiro e melhorar as condições locais?
Nos últimos anos, organizações sociais, autoridades locais e alguns grupos internacionais passaram a olhar com mais atenção para Manshiyat Naser. A cidade do lixo foi incluída em projetos voltados à melhoria das condições sanitárias, à ampliação da infraestrutura de coleta seletiva e ao reconhecimento do papel dos catadores na cadeia de reciclagem do Cairo.
Essas iniciativas costumam envolver ações como:
- Capacitação de moradores em técnicas de reciclagem mais seguras.
- Parcerias com empresas para compra regular de materiais separados no bairro.
- Melhorias pontuais no acesso à água, coleta de esgoto e manejo de resíduos orgânicos.
- Projetos educacionais para crianças e jovens, buscando novas perspectivas de trabalho.
Apesar de avanços pontuais, o apelido de "cidade mais fedorenta do mundo" ainda é associado a Manshiyat Naser em reportagens e relatos de visitantes. O bairro segue sendo um exemplo extremo de como o lixo, quando concentrado em grande escala e manejado com pouca infraestrutura, pode transformar não apenas a paisagem urbana, mas também a forma como um lugar é percebido globalmente.