Trump redefine o 'imperialismo americano' com a captura de Maduro
A operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro continua agitando a comunidade internacional. Tanto aliados quanto adversários de Washington e de Caracas expressam preocupação com o desrespeito da regras internacionais.O tema está estampado na primeira página de todos os jornais franceses desta segunda-feira (5).
A captura espetacular do presidente venezuelano por forças americanas provocou uma onda de análises na imprensa francesa sobre o que muitos chamam de uma nova forma de "imperialismo americano" sob Donald Trump.
"O Império Trump" foi a manchete escolhida pelo Libération. O jornal progressista afirma que a operação militar dos EUA mergulha a Venezuela no desconhecido e coloca o direito internacional "em agonia". Em editorial, o diário dispara: "A moral e o direito não têm mais nenhum valor", classificando a captura como um verdadeiro sequestro.
Segundo o texto, a ação - "digna de um filme de Hollywood" - envia uma mensagem clara ao mundo: a partir de agora, qualquer chefe de Estado na esfera de influência americana que não se curvar a Washington deve se sentir ameaçado, sobretudo se governar um país rico em recursos naturais.
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O diário econômico Les Échos fala em "retorno da América imperial". Trump se vangloria do sucesso da operação e não descarta dirigir a Venezuela. Mas o especialista Thomas Posado, professor da Universidade de Rouen, entrevistado pelo jornal, alerta que nada indica ainda a queda do regime venezuelano. De acordo com ele, os contornos da transição estão confusos. A Casa Branca pode ficar desacreditada se nada mudar na Venezuela, antecipa o Les Échos.
🔴 Les Etats-Unis « dirigeront » le Venezuela en attendant une transition « sûre », assure Trump ▶️ https://t.co/yJWB81i6yf pic.twitter.com/goesmFc1SJ
— Les Echos (@LesEchos) January 3, 2026
"Pax Trumpicana"
Le Figaro também menciona o "retorno dos impérios" e avalia que a demonstração de força de Trump para afirmar sua hegemonia no continente americano provocou uma onda de choque mundial. "A página da 'Pax Americana' está virada. A primeira potência mundial, que se via como o farol do mundo livre, o protetor do Ocidente ou o garantidor da ordem mundial e da legalidade internacional, acaba de dar o primeiro passo para a 'Pax Trumpicana'", compara o editorial do jornal conservador.
La capture de Nicolás Maduro ouvre un nouveau chapitre dans la longue histoire des interventions américaines en Amérique Latine. →https://t.co/eUhkhboSv9 pic.twitter.com/wENTVu0PV5
— Le Figaro (@Le_Figaro) January 4, 2026
"Caracas vive o caos", informa o Le Parisien. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o governo, mas a população tem medo, evita sair de casa, e a perspectiva de novas eleições se afasta na Venezuela. Para o diário, essa realpolitik made in USA tem um conceito hegemônico que o presidente russo, Vladimir Putin, colocou em prática muito antes de Donald Trump.
Toda a imprensa francesa demonstra preocupação com o futuro da Europa - defensora da democracia, da diversidade e da liberdade -, que considera ameaçado, mas não reagiu à altura dos desafios que a captura de Nicolás Maduro representa.