Coalizão de 35 países endossa garantias de segurança para a Ucrânia em declaração de Paris
A chamada "coalizão de voluntários", que reúne 35 países, endossou nesta terça-feira (6) a "Declaração de Paris", que prevê garantias de segurança para a Ucrânia em um cenário de cessar-fogo com a Rússia. O documento conta com o apoio dos Estados Unidos e inclui a possibilidade de uma força multinacional após o fim das hostilidades. Líderes europeus afirmaram que as medidas buscam evitar qualquer acordo que represente uma rendição de Kiev ou uma nova ameaça russa.
Os líderes de quase todos os países europeus, além do Canadá, da Otan, da União Europeia e dois importantes enviados de Donald Trump para a Ucrânia, Steve Witkoff e Jared Kushner, reuniram-se durante a tarde no Palácio do Eliseu para apresentar uma frente unida sobre a segurança futura da Ucrânia diante da Rússia. O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou a "convergência operacional" entre os membros da coalizão.
As garantias de segurança que os países aliados, principalmente europeus, planejam fornecer, com apoio americano, após um hipotético fim das hostilidades, são "a chave para garantir que nenhum acordo de paz jamais signifique uma rendição ucraniana" ou "uma nova ameaça à Ucrânia" por parte da Rússia, afirmou Macron em entrevista coletiva no Palácio do Eliseu, após uma reunião dos aliados de Kiev, em Paris.
Macron, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinaram uma declaração de intenções relativa ao destacamento de uma força multinacional após um cessar-fogo na Ucrânia.
Essa força, em análise há vários meses, tem como objetivo "proporcionar uma forma de tranquilizar a população nos dias que se seguem ao cessar-fogo", afirmou Macron.
Tropas alemãs também poderão participar da força multinacional, mas posicionadas em um país membro da Otan que faça fronteira com a Ucrânia, afirmou o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz.
"A Alemanha se comprometerá política, financeira e militarmente. Isso poderia incluir, por exemplo, o envio de tropas para a Ucrânia ou para território vizinho da Otan após um cessar-fogo", disse o chanceler alemão após a reunião da coalizão.
Assim que um acordo for alcançado sobre o estabelecimento de uma força internacional "apoiada" por recursos militares dos EUA, o governo e o Parlamento decidirão sobre a natureza e a extensão da contribuição alemã, disse ele, acrescentando que, por enquanto, Berlim "não descarta nenhuma opção".
Merz também afirmou que, para se chegar à paz na Ucrânia, será necessário fazer concessões.
Itália não enviará tropas
As garantias para a segurança futura da Ucrânia, após um cessar-fogo com a Rússia, foram "praticamente finalizadas" e permitem aos ucranianos saber que, quando este conflito terminar, "será para sempre", afirmou Steve Witkoff, enviado de Donald Trump.
"Isso não significa que alcançaremos a paz, mas a paz não seria possível sem o progresso alcançado aqui hoje", disse Jared Kushner, genro do presidente americano, na coletiva de imprensa conjunta.
Já a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que informou os aliados europeus da Ucrânia e os enviados dos EUA de que descartou o envio de tropas terrestres italianas como parte das garantias de segurança para Kiev.
"Reafirmando o apoio da Itália à segurança da Ucrânia, em linha com sua posição de longa data, a primeira-ministra Meloni reiterou alguns pontos-chave da posição do governo italiano sobre a questão das garantias, particularmente a exclusão do uso de tropas terrestres italianas", afirmou seu gabinete em comunicado após a reunião em Paris.
A líder da extrema direita apoia fortemente a Ucrânia, mas afirmou repetidamente que Roma não enviará tropas para defender um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia.
Meloni, que descreveu a reunião como "construtiva e concreta", afirmou que as garantias fariam parte de um "conjunto mais amplo de acordos". Segundo o comunicado, as garantias seriam adotadas em coordenação com os Estados Unidos "para assegurar a soberania e a independência da Ucrânia, inclusive por meio de um mecanismo eficaz e abrangente para monitorar o cessar-fogo e fortalecer as forças militares ucranianas".
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, por sua vez, saudou a elaboração de "documentos substanciais" sobre garantias de segurança ocidentais para seu país.
"É importante que a coligação agora tenha documentos substanciais, e não apenas palavras", disse Zelenskyy durante a coletiva de imprensa conjunta, elogiando o "conteúdo concreto" que demonstra um compromisso em "trabalhar por uma segurança real".
Europa pronta
No rascunho de uma declaração comum, os líderes europeus afirmaram estar "prontos" para fornecer garantias de segurança "juridicamente vinculativas" à Ucrânia, incluindo uma força internacional "apoiada" por recursos militares dos EUA, assim que um cessar-fogo for alcançado com a Rússia.
"Os parceiros da coalizão e os Estados Unidos desempenharão um papel vital, em estreita coordenação, no fornecimento dessas garantias de segurança", assim que um cessar-fogo "entrar em vigor", segundo o texto, assinado pelos líderes dessa aliança, principalmente europeus.
O cessar-fogo será "supervisionado" pelos americanos, com "participação" dos membros da coalizão, segundo o texto, que ainda pode sofrer pequenas modificações, de acordo com fontes diplomáticas.
A "força multinacional para a Ucrânia", em estudo há vários meses sob a liderança da França e do Reino Unido, será formada pelos países da coalizão que desejarem participar.
Ela contará com a "participação americana", fortemente desejada por alguns países europeus, particularmente nas áreas de "inteligência e logística". Os Estados Unidos também prometeram fornecer "apoio" em "caso de ataque", segundo o texto.
Esse texto constituirá uma "declaração de intenções", mas não conterá "decisões logísticas e financeiras concretas", observou o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, antes de sua partida para Paris.
"Todos gostaríamos de medidas muito mais concretas (...), mas isso obviamente exige boa vontade também por parte do agressor russo", acrescentou.
Com AFP