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Vídeo exagera perda de fundo de pensão do Banco do Brasil durante governo Lula

PREVI REGISTROU RESULTADO NEGATIVO DE R$ 14 BILHÕES DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2024; PERDA DESDE GOVERNO BOLSONARO É DE R$ 4,2 BILHÕES

20 fev 2025 - 16h37
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O que estão compartilhando: que o Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) teria perdido R$ 40 bilhões entre o final do governo de Jair Bolsonaro (PL) e os dois primeiros anos da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Com o ex-presidente, o fundo tinha registrado lucro de R$ 21 bilhões. Agora, com o PT, o rombo é de R$ 19 bilhões.

O Plano 1 da entidade teve queda de R$ 4,2 bi do resultado acumulado de 2022 a novembro de 2024, e não de R$ 40 bi.
O Plano 1 da entidade teve queda de R$ 4,2 bi do resultado acumulado de 2022 a novembro de 2024, e não de R$ 40 bi.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Na realidade, o Previ registrou superávit de R$ 4,7 bilhões em 2022, final do mandato de Bolsonaro. O dado mais recente divulgado durante a gestão de Lula, de novembro de 2024, mostra que o superávit agora é de R$ 528 milhões. Ou seja, a perda não foi de R$ 40 bilhões, e sim de R$ 4,2 bilhões. Todos esses números se referem ao resultado acumulado do fundo, ou seja, o consolidado que considera todos os resultados anuais.

O vídeo analisado é do apresentador Paulo Echebarria no canal Mundial Telenotícias. Ele foi procurado, mas não respondeu até a publicação da checagem.

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Previ alega que há caixa para pagar os benefícios

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da Previ, João Fukunaga, argumentou que a entidade chegou a novembro com superávit de R$ 528 milhões e negou haver prejuízo. Ele alegou que déficit não é o mesmo que prejuízo e que não há risco de pagamento de contribuições extraordinárias pelos associados ou pelo Banco do Brasil, que patrocina o plano.

Sobre o resultado anual de R$ 14 bi negativos até novembro de 2024, o presidente justificou que foi um ano de maior volatilidade do mercado e, por isso, o rendimento ficou menor que nos anos anteriores. Fukunaga culpou sobretudo ações desvalorizadas da Vale.

Conforme ele, 30% dos recursos da Previ estão investidos em renda variável e, destes, 42% estão em ativos da mineradora. No entanto, disse ele, não houve necessidade de vender ativos e a Previ recebeu dividendos, com caixa suficiente para pagar os benefícios.

O presidente destacou, ainda, que a entidade tem uma carteira relevante de títulos marcados a mercado, que podem ser vendidos caso necessário. Essa modalidade de título indica o quanto você pode receber caso decida resgatar um investimento antes do vencimento, por exemplo.

A Previ informou ao Verifica que o Plano 1 tem R$ 243 bilhões em patrimônio e afirmou que oscilações nos resultados são comuns. Atualmente, o valor anual pago em benefícios aos associados é de mais de R$ 16 bilhões.

Esse montante, assim como outras despesas, já está descontado do resultado acumulado divulgado anualmente. Ou seja, o meio bilhão consolidado em novembro passado é uma "sobra".

Nesse contexto, a Previ alega que o plano se encontra em equilíbrio e tem recursos suficientes para pagar todos os associados. "Não há que se falar em rombo, prejuízo ou risco de insolvência", disse.

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O que diz o órgão que fiscaliza a Previ

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão do governo responsável por fiscalizar entidades como a Previ, disse que o resultado negativo deste ano tem duas causas.

A primeira delas é a performance dos investimentos, que representou prejuízo de mais de R$ 10 bilhões. A segunda é a variação das provisões matemáticas, que são as obrigações futuras do plano com o pagamento dos benefícios.

"Não há déficit a equacionar e o Plano 1 permanece com resultado positivo cumprindo suas obrigações previdenciárias", informou.

Conforme a Previc, auditores fiscais da Receita Federal realizam diariamente "procedimentos contínuos, sistemáticos e ostensivos" para verificar as decisões de investimentos. O órgão afirma que a política de investimentos da Previ é, tradicionalmente, voltada para a renda variável, em bolsa de valores, a exemplo dos maiores fundos de pensão no mundo.

Ainda segundo a Previc, as oscilações do mercado financeiro e de capitais fazem parte do risco e não significam prejuízo integralizado pelos planos previdenciários administrados pela entidade.

"Em 2023, o Plano 1 da Previ teve rendimento positivo de 13,5%, com superávit acumulado de R$ 14,5 bilhões, também fruto da flutuação econômica dos principais indicadores financeiros do País, e não houve dúvidas sobre o desempenho da entidade", afirmou.

O Verifica procurou o Banco do Brasil, que também faz auditorias permanentes na Previ, mas a instituição preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Estadão
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