Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

É falso que 50% da população brasileira dependa de programas de transferência de renda

AUXÍLIOS DO GOVERNO FEDERAL ATINGEM 18% DOS BRASILEIROS; 18,8 MILHÕES SÃO BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA

19 fev 2026 - 15h41
Compartilhar
Exibir comentários

O que estão compartilhando: que, com o Bolsa Família, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva teriam feito com que 50% da população dependesse do Estado para sobreviver.

É falso que 50% da população brasileira receba Bolsa Família.
É falso que 50% da população brasileira receba Bolsa Família.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Em 2025, os programas de transferência de renda do governo federal - incluindo o Bolsa Família - atingiram 17,98% da população brasileira, ou 34,1 milhões de beneficiários. Em fevereiro de 2026, o Bolsa Família chegou a 18,8 milhões de beneficiários.

O Verifica procurou o autor do post falso por meio de dois endereços de e-mail vinculados à empresa dele e por WhatsApp, mas não obteve resposta.

Menos de 20% da população é beneficiária de programas de transferência de renda

Segundo números do Portal da Transparência atualizados até dezembro de 2025, o percentual de brasileiros beneficiários de programas de transferência de renda federais foi de 17,98%.

Os dados levam em conta os beneficiários de seis programas: Auxílio Reconstrução (pago apenas para o Rio Grande do Sul); Benefício da Prestação Continuada (BPC), Garantia-Safra, Novo Bolsa Família, Pé-de-Meia e Seguro Defeso.

São considerados beneficiários os cidadãos que estão aptos e inscritos nos programas sociais do governo federal. Para essas pessoas, a União transferiu ao longo de 2025 o total de R$ 282,19 bilhões.

Em nenhum dos Estados a porcentagem da população beneficiada por programas sociais atinge 50%. No Maranhão, Estado com maior porcentual de beneficiários, os participantes desses programas representam 32,17% da população.

Milton Friedman não criou o Bolsa Família, e sim a ideia da transferência de renda

A postagem falsa afirma que o Bolsa Família teria sido criado por um economista liberal, Milton Friedman. Segundo o post, o programa teria sido "sequestrado" por Lula e FHC como uma "moeda eleitoral". Mas essa afirmação também não está correta.

Friedman, que venceu o prêmio Nobel de Economia de 1976, não é o criador do Bolsa Família, e sim de uma tese de que o governo poderia transferir renda aos mais pobres.

Essa proposta é defendida no livro Capitalismo e Liberdade, publicado em 1962, em que ele afirma que, para aliviar a pobreza, os programas governamentais deveriam ajudar os pobres como indivíduos.

Ele propõe um mecanismo chamado de "imposto de renda negativo", em que as pessoas que ganham abaixo de um determinado limite de renda recebam um subsídio em dinheiro, proporcionando uma assistência financeira direta.

O Bolsa Família foi criado no governo Lula em 2003. Antes dele, havia o programa Bolsa Escola, criado em 2001 por Fernando Henrique Cardoso. Ele transferia renda a famílias que ganhavam menos de dois salários mínimos, desde que mantivessem a frequência escolar de crianças de 6 a 15 anos.

Bolsa Família exige contrapartidas e não impede de trabalhar

Diferentemente do que dá a entender o autor do post investigado, não há uma ausência de contrapartida por parte dos beneficiários do Bolsa Família.

A manutenção do benefício depende de frequência mínima escolar de 60% para estudantes de 4 a 6 anos incompletos e de 75% para alunos de 6 a 18 anos incompletos e que não tenham concluído a educação básica.

Na área de saúde, é exigido o cumprimento do calendário nacional de vacinação para crianças de até 7 anos incompletos, acompanhamento nutricional de crianças de até 7 anos incompletos e pré-natal de pessoas gestantes beneficiárias.

Vale ressaltar que os beneficiários não são impedidos de trabalhar. Um exemplo disso é que no primeiro semestre de 2025 os cadastrados do Bolsa Família ocuparam 58,2% das novas vagas de empregos formais geradas no Brasil.

A principal regra do programa é que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês. Por exemplo, se apenas um integrante da família tem renda e recebe um salário mínimo, e nessa família há sete pessoas, a renda de cada um é de R$ 216,85. Portanto, eles têm o direito de receber o benefício.

O programa conta com uma regra de proteção que permite a famílias que ultrapassam o limite de renda continuarem recebendo 50% do valor do Bolsa Família, por um período de até dois anos. Segundo o MDS, a regra de proteção serve para as famílias beneficiárias se estabilizarem no mercado de trabalho.

Em fevereiro de 2026, mais de 150,8 mil famílias aumentaram a renda e entraram para a regra de proteção.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade