Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Polícia

RJ: cartazes em frente à secretaria de Segurança pedem fim da PM

26 jun 2013 - 16h10
(atualizado às 22h26)
Compartilhar
Exibir comentários
Nove pessoas morreram após confronto entre policiais do Bope e traficantes do Complexo da Maré
Nove pessoas morreram após confronto entre policiais do Bope e traficantes do Complexo da Maré
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press

Um pequeno grupo de manifestantes protestou na tarde desta quarta-feira em frente à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro contra as nove mortes ocorridas em confrontos entre policiais e criminosos no Complexo da Maré. Com cartazes, eles pediram o fim da Polícia Militar. No tiroteio, um sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope), um morador da favela e outras sete pessoas morreram.

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

Os moradores do Complexo da Maré querem um pedido oficial de desculpas do governo do Estado e da Secretaria Estadual de Segurança Pública pela operação policial.

Os moradores anunciaram uma manifestação para a próxima terça-feira (2), a partir das 17h, e pretendem fechar um trecho da avenida Brasil – principal via de ligação entre o centro e as zonas norte e oeste. O objetivo é chamar a atenção para o transtorno que as operações policiais causam na vida dos moradores da Maré.

Segundo o diretor da organização não governamental (ONG) Observatório de Favelas, Jaílson de Souza, que atua na Maré, os moradores de comunidades pobres do Rio de Janeiro têm sido vítimas de uma política que funciona na “lógica da guerra”. Na avaliação dele, o Estado precisa ser “pacificado”, por meio da desmilitarização da Polícia Militar e “do combate às armas em vez de o combate às drogas”.

“O governo estadual foi eleito com a estratégia de polícia de pacificação", disse Jaílson. “São nove mortes em um País onde não existe a pena de morte”, completou.

De acordo com Shirley Resende, da organização não governamental Redes de Desenvolvimento da Maré, que mora na comunidade, a ação da polícia foi irresponsável e em represália à morte de um policial. “A polícia ameaçou moradores, invadiu casas, usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e matou com bala na cabeça”, disse a pesquisadora.

Jaílson lembrou que a Maré, com aproximadamente 140 mil pessoas, é densamente povoada. Segundo ele, o risco de uma bala atingir um morador é grande e, por outro lado, um policial militar, que é obrigado a trabalhar obedecendo a regras dentro dessa linha de atuação, também está em risco. “Uma mudança paradigmática da política é necessária”, disse.

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança, disse que as mortes estão sendo investigadas pela Polícia Civil e que os locais dos crimes foram preservados.

Tiros atingiram transformadores de energia e a comunidade ficou sem luz desde a noite de segunda-feira até a manhã de hoje, quando a luz foi restabelecida. Nos dias da operação, poucos alunos compareceram às aulas nas escolas estaduais e municipais.

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/protesto-tarifa/iframe.htm" data-cke-564-href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/protesto-tarifa/iframe.htm">veja o infográfico</a>

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm">veja o infográfico</a>

Na noite de segunda-feira, criminosos fizeram um arrastão na avenida Brasil durante protestos em Bonsucesso e mataram o sargento Ednelson Jerônimo dos Santos, 42 anos, além de outra pessoa. O Bope colocou então 100 homens no Complexo da Maré na manhã do dia seguinte para tentar capturar os responsáveis. Após intenso tiroteio, sete suspeitos morreram. 

Durante o arrastão de segunda-feira, os criminosos atearam fogo em pilhas de lixo e montaram barricadas para interromper o trânsito na avenida Brasil na altura de Manguinhos. O grupo chegou a jogar pedras nos carros, num cenário de terror. Muitos motoristas tentaram fugir pela contramão. A polícia apreendeu diversas armas na operação na Maré, como fuzis, submetralhadoras, pistolas e granadas.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade