Prisão de Bolsonaro: qual a diferença entre Papudinha e Papuda?
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido e já cumpre sua pena na chamada Papudinha, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A mudança foi ordenada na quinta-feira, 15, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e efetivada no mesmo dia, depois de Bolsonaro passar mais de dois meses detido na sede da Polícia Federal no Distrito Federal.
A transferência tornou mais evidente a diferença entre dois termos que têm sido mencionados constantemente na cobertura da prisão: Papuda e Papudinha. Qual a diferença entre eles?
O Complexo Penitenciário da Papuda, gerido pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, abriga presos comuns em várias unidades. Ali funcionam o Centro de Detenção Provisória (para custodiados provisórios e “presos especiais”), três penitenciárias de regime fechado e o Centro de Internamento e Reeducação (regime semiaberto).
A Papudinha é o nome popular dado às instalações do 19º Batalhão da Polícia Militar do DF dentro do mesmo complexo, um prédio onde estão salas de Estado-Maior com celas coletivas menores e são destinadas a militares com vínculo ativo e a civis que têm direito legal a esse tipo de acomodação, como autoridades e advogados inscritos na OAB.
No caso de Bolsonaro, a mudança para a Papudinha não representa uma transferência para uma unidade especial onde estão presos outros condenados do mesmo processo, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.
A decisão de Moraes amplia as condições de permanência. A cela do ex-presidente tem cerca de 64,8 m², banheiro, cozinha, sala e área externa, mais tempo de visita familiar e assistência médica 24 h, condições consideradas superiores às que ele tinha na Superintendência da Polícia Federal, em que o espaço era bem menor. Além disso, o político tem direito a fazer cinco refeições por dia.
A medida foi adotada depois que a defesa do ex-presidente apresentou um novo pedido de transferência para a prisão domiciliar, alegando "questões humanitárias" relacionadas ao seu estado de saúde.