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Polícia

Casa de Joaquim se transforma em ponto de peregrinação

Portão da residência em que vivia o menino de 3 anos, encontrado morto no último domingo, atrai pessoas de diversas partes de Ribeirão Preto

14 nov 2013 - 09h14
(atualizado às 09h45)
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A rua Brigadeiro Tobias de Aguiar, no Jardim Independência, zona norte de Ribeirão Preto, se transformou em ponto de peregrinação desde a morte do garoto Joaquim Ponte Marques, 3 anos. O silêncio da rua pacata agora é quebrado por um vai e vem de carros e pedestres. A pé, é comum pessoas se colocarem diante do portão da casa. Deixam cartazes, alguns brinquedos e param para um momento de oração. Dos carros, senhoras descem para cumprir o mesmo ritual. Até a semana passada, a passagem de veículos e pedestres era bastante limitada, praticamente restrita aos moradores locais.

Na tarde de quarta-feira, em pouco mais de 1 hora, cerca de 30 pessoas cumpriram esse ritual. Foi o caso do motoboy Bruno Barbin, 26 anos, que disse estar de passagem pelo bairro e resolveu dar uma esticada até a casa em que o garoto vivia.

"Não tem muita explicação de eu estar aqui. Vendo pela televisão é uma coisa, estar presente é outra", diz ele, morador no Jardim Manoel Pena, na zona leste da cidade. "Eu tenho um filho de três anos, da mesma idade do Joaquim. A gente tenta entender o que aconteceu. Uma questão dessa não tem como entrar na cabeça", diz.

A mãe e o padrasto de Joaquim foram presos temporariamente, acusados de participação na morte do menino. A psicóloga Natália Mingoni Ponte, 29 anos, e técnico em informática Guilherme Rayme Longo, 28 anos, estão detidos até que o inquérito seja concluído. A defesa de ambos planeja pedir o relaxamento da prisão, já que no entendimento dos advogados não há provas suficientes para que ambos estejam presos.

<b> 14 de novembro - </b>Moradores de Ribeirão Preto fazem peregrinação até a casa na qual morava o garoto Joaquim
14 de novembro - Moradores de Ribeirão Preto fazem peregrinação até a casa na qual morava o garoto Joaquim
Foto: Vagner Magalhães / Terra

Enquanto não há uma decisão judicial, cartazes no portão da casa pedem por "justiça". Alguns, inclusive, de forma pouco ortodoxa. Alguns brinquedos, como ursos de pelúcia também estão presos no portão. Funcionários de uma farmácia vizinha também observam o movimento, incomum naquela rua. Também dizem não acreditar no que aconteceu. “Eram vizinhos comuns. Nunca ninguém imaginou que pudesse acontecer isso”, diz uma balconista.

No portão em frente a casa, a dona de casa Joana Maria da Silva, apenas observa o movimento. Conta que conhecia a família e o menino apenas de vista, mas custa acreditar no que aconteceu. "É difícil. Agora é esse movimento todo que você está vendo aqui na frente. É muito difícil conviver com uma barbaridade dessa", diz ela.

Desaparecimento

O corpo de Joaquim foi encontrado no último domingo, nas águas do rio Pardo, no município de Barretos, vizinho de Ribeirão Preto – cidade na qual o garoto morava. Um exame preliminar de necropsia apontou que o garoto já estava morto antes de ser jogado no rio, segundo a Polícia Civil. A causa da morte, porém, ainda não foi confirmada.

Desde os primeiros dias do desaparecimento, as buscas foram concentradas na região do córrego Tanquinho e no rio Pardo, onde o córrego deságua. Na quarta-feira, um cão farejador da Polícia Militar realizou o mesmo trajeto ao farejar as roupas do menino e as de seu padrasto.

A Polícia Civil já havia pedido a prisão preventiva da mãe e do padrasto de Joaquim, mas a Justiça havia negado. O menino era diabético e vivia com a mãe, o padrasto e o irmão Vitor Hugo.

No boletim do desaparecimento registrado na Polícia Civil, a mãe relatou que acordou por volta das 7h e foi até o quarto da criança, mas não a encontrou. Em seguida, procurou pelos demais cômodos e na vizinhança, também sem sucesso. O garoto vestia uma calça de pijama com bichinhos quando foi visto pela última vez.

Foto: Terra

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Fonte: Terra
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