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Polícia

Caso Joaquim: 'no mínimo, padrasto sabe o que aconteceu', diz advogado

Guilherme Rayme Longo, acusado de participação na morte do menino de 3 anos, será ouvido na tarde desta quarta-feira pela polícia

13 nov 2013 - 12h21
(atualizado às 13h06)
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O advogado Alexandre Durante, que defende o pai de Joaquim, disse que o padrasto do garoto sabe o que aconteceu
O advogado Alexandre Durante, que defende o pai de Joaquim, disse que o padrasto do garoto sabe o que aconteceu
Foto: Vagner Magalhães / Terra

A família de Joaquim Ponte Marques, 3 anos, espera que o padrasto dele, o técnico em informática Guilherme Rayme Longo, 28 anos, dê informações que possam levar a polícia à elucidação do caso. "No mínimo, ele sabe o que aconteceu", disse o advogado Alexandre Durante, que representa Artur Paes, pai biológico de Joaquim. O menino foi encontrado morto no domingo, em um rio em Barretos (SP), a 430 quilômetros de São Paulo, e Guilherme foi preso por suspeita de participação no crime.

De acordo com o advogado, Artur está em São Paulo, ainda se recuperando do trauma da morte do filho. "É preciso ter muita cautela para fazer qualquer tipo de acusação neste momento, mas o Guilherme pode colaborar muito com a investigação. Naquela noite, somente ele e a Natália (mãe de Joaquim, que também foi presa) estavam na casa, além do Joaquim", disse Alexandre, referindo-se ao dia 5 de novembro, data que o menino desapareceu de casa.

O advogado afirma que Artur não tinha conhecimento de um suposto relacionamento conturbado entre Natália e Guilherme. "Ele não interferia na vida do casal e não tinha informações sobre o que se passava na casa", afirmou.

O promotor Marcus Túlio Nicolino disse que o padrasto precisa explicar muita coisa
O promotor Marcus Túlio Nicolino disse que o padrasto precisa explicar muita coisa
Foto: Vagner Magalhães / Terra

Para o promotor Marcus Túlio Nicolino, há muito a ser explicado pelo acusado. Nicolino diz que Guilherme tem um histórico agressivo e que Natália foi agredida por ele em pelo menos duas oportunidades, enquanto estava grávida do filho do casal, Vitor Hugo, de quatro meses.

"Ela admitiu ter sido agredida em janeiro e fevereiro. Natália foi orientada pela família a não levar o caso à polícia pelo fato de estar grávida", disse ele.

O promotor disse também que é preciso averiguar por que o pai de Longo passou em frente à casa do filho, de carro, durante a madrugada em que o menino desapareceu. O carro foi flagrado por câmeras de segurança da rua em que o casal morava com a criança.

"A própria quebra do sigilo telefônico vai ajudar nisso. Para ver quem teve contato com quem naquela noite fatídica", disse Nicolino.

O advogado do padrasto, Antonio Carlos de Oliveira, disse que Guilherme não tem nada a temer
O advogado do padrasto, Antonio Carlos de Oliveira, disse que Guilherme não tem nada a temer
Foto: Vagner Magalhães / Terra

Antonio Carlos de Oliveira, advogado de Guilherme, afirma que seu cliente não tem nada a temer. "O Guilherme é inocente e tem interesse em demonstrar isso. Ele vai falar sempre que for requisitado. Ele não aplicava insulina no menino. Ajudava eventualmente, sempre com a mãe."

O advogado refuta a tese de que o padrasto não tratava bem o menino. "Todos os que foram ouvidos até agora afirmam que ele tratava bem o garoto. Só tive acesso hoje aos autos. Preciso estudar a fundamentação da prisão temporária e planejar o pedido dessa revogação. O réu não tem por que estar preso", disse Oliveira.

Superdosagem de insulina

Na tarde de segunda-feira, o promotor Marcos Tulio Nicolino, que acompanha as investigações, disse ao Terra que declarações da mãe do garoto dão a entender que Joaquim possa ter sido vítima de superdosagem de insulina, aplicada pelo padrasto.

"Após o desaparecimento, ela (mãe) foi entregar a caneta que era utilizada para aplicar insulina. Nesse dia, o padrasto falou que tinha aplicado em si mesmo 30 doses de insulina. Porém, no dia anterior, ele disse que teria aplicado apenas duas doses", falou o promotor. Segundo Marcus, o padrasto de Joaquim pode ter mudado a sua versão para tentar justificar o uso da insulina. "Depois do aparecimento do menino, ele falou que usou as 30 doses. Ele estaria tentando justificar o desaparecimento daquelas doses, que ele poderia ter aplicado no menino para matá-lo", completou.

O menino era diabético e precisava tomar doses constantes de insulina para sobreviver. Mas, para Marcus, a criança era vista como um problema na vida de Guilherme. "Ela (Natália) passou informações que nos levam a acreditar que o relacionamento dos dois não era harmônico como passado anteriormente. O casal brigava constantemente e um dos motivos era que o Guilherme não aceitava o filho de outro casamento. 'Você tem um pedacinho do seu ex-marido aqui dentro de casa', teria dito ele em algumas ocasiões", falou o promotor.

Diante destas suspeitas, o delegado pediu exames que possam comprovar a existência dessa suposta superdosagem no organismo da vítima. Segundo ele, "todos os laudos já foram providenciados".

Desaparecimento

O corpo de Joaquim foi encontrado no último domingo, nas águas do rio Pardo, no município de Barretos, vizinho de Ribeirão Preto - cidade onde o garoto morava. Um exame preliminar de necropsia apontou que o garoto já estava morto antes de ser jogado no rio, segundo a Polícia Civil. A causa da morte, porém, ainda não foi confirmada.

Desde os primeiros dias do desaparecimento, as buscas foram concentradas na região do córrego Tanquinho e no rio Pardo, onde o córrego deságua. Na quarta-feira, um cão farejador da Polícia Militar realizou o mesmo trajeto ao farejar as roupas do menino e as de seu padrasto.

A Polícia Civil já havia pedido a prisão preventiva da mãe e do padrasto de Joaquim, mas a Justiça havia negado. No domingo, porém, a Justiça concedeu um pedido de prisão temporária dos dois, válido por 30 dias. O menino vivia com a mãe, o padrasto e o irmão, Vitor Hugo.

No boletim do desaparecimento registrado na Polícia Civil, a mãe relatou que acordou por volta das 7h e foi até o quarto da criança, mas não a encontrou. Em seguida, procurou pelos demais cômodos e na vizinhança, também sem sucesso. O garoto vestia uma calça de pijama com bichinhos quando foi visto pela última vez.

Fonte: Terra
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