Passageiros denunciam motorista por agressão após briga sobre pagamento de corrida em SP; Uber se defende
Em nota, a Uber lamentou o caso e afirmou que o motorista também relatou ter sido agredido. Ele também registrou um boletim de ocorrência
Passageiros denunciaram um motorista de aplicativo por agressão em São Paulo após briga sobre pagamento de corrida; o motorista também alegou ter sido agredido, e a Uber suspendeu temporariamente ambas as contas enquanto o caso é investigado.
Três passageiros denunciaram um motorista de aplicativo por agressão após uma briga sobre o pagamento de uma corrida em São Paulo, ocorrida na madrugada do último sábado, 10. Conforme apurado pelo Terra, um deles teve o rosto cortado e o ombro fraturado durante o episódio. A Uber lamentou o ocorrido e informou que as contas de ambas as partes foram suspensas enquanto o caso é apurado. A empresa destacou ainda que o motorista também relatou ter sido agredido.
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O autônomo Wellington Valério, e sua esposa, a analista de sistemas Lidiane Angelo Valério, relataram terem sido agredidos pelo condutor do veículo com socos e empurrões. À reportagem a irmã de Lidiane, Liliane Angelo, contou que o caso ocorreu por volta de 00h45, quando o casal e uma amiga solicitaram uma viagem pela Uber, próximo à Consolação, na região central da capital paulista, com destino à Avenida Marcondes de Brito.
Ao se depararem com o motorista em um Cobalt cinza, perceberam que a conduta dele era “estranha”, parecia que estava alterado, no entanto, decidiram seguir com ele pois já estava tarde. A viagem seguiu normalmente, mas ao chegar no destino, houve um problema no pagamento de R$ 37,71. A amiga do casal fez o pagamento via Pix pela plataforma, mas o banco agendou a transferência devido ao horário.
“Ela mostrou para o motorista, só que ele não aceitou. Minha irmã falou que ia tentar fazer de outra forma. Eles tinham aberto a porta, mas não tinham saído do carro e ele falou: ‘Pode voltar que o pagamento não deu certo’. Eles ficaram dentro do carro conversando com o motorista”, explica.
Em dado momento, enquanto a Lidiane tentava fazer o pagamento, o motorista avisou que ia levá-los embora e seguiu com o veículo sentido Radial Leste. “Falou que ia levá-los para um valão lá no fundo de Itaquera”, destacou Liliane. A irmã dela tentava tranquilizar o motorista dizendo que ia pagar, até que ele pegou um estilete e passou a ameaçá-los.
“Muito nervoso, ele parou no meio da Radial, ali mesmo, embaixo da marquise do metrô Patriarca, tirou os três à força do carro e começou a espancar o meu cunhado”, relata. Wellington teria caído no chão e o condutor do veículo passou a desferir socos contra ele.
“Quando minha irmã, vendo aquela situação, tentou reagir para poder apartar a briga, ele a empurrou pela primeira vez. Na segunda vez que ele a empurrou, ela caiu com a cabeça no chão e apagou”, explica a analista de sistemas.
Ainda durante a agressão, o motorista teria cortou a testa de Wellington com o estilete. A amiga do casal conseguiu desarmá-lo e também ficou com hematomas no braço. O motorista fugiu do local em seguida.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o autônomo à UPA da Vila Carrão, onde ele passou pelos primeiros atendimentos, e foi transferido para o Hospital Municipal do Tatuapé. Na unidade, foi constatado que ele sofreu uma fratura no úmero proximal direito e precisará passar por cirurgia. Wellington deve ser transferido para o Hospital Ipiranga na manhã desta terça-feira, 13, para realizar o procedimento.
“O meu cunhado é um trabalhador autônomo, pai de família, acabou de passar por um processo de guarda provisória do sobrinho dele. Ele o adotou juntamente com a minha irmã. A gente sabe que essa questão de emprego interfere justamente nessa questão da guarda. Ele está muito triste por conta disso, porque precisa trabalhar para manter a família dele. Infelizmente, minha irmã está desempregada no momento. Então, são vários fatores que o cara trouxe, só sofrimento e danos para minha família”, desabafa.
O Terra teve acesso ao boletim de ocorrência registrado no 21º CP (Vila Matilde). No local, Lidiane e a amiga do casal compareceram para prestar o relato sobre a agressão. Elas também apresentaram o estilete usado pelo motorista, que ficou apreendido.
As duas passaram por exame de corpo de delito e aguardam o resultado. Eles pretendem seguir com a representação criminal contra o motorista de aplicativo. A reportagem procurou a Secretaria da Segurança Pública, mas não teve retorno até o momento.
Motorista também relatou agressões, diz Uber
Em nota à reportagem, a Uber lamentou o ocorrido e afirmou que considera inaceitável o uso de violência. “No caso em questão, tanto o motorista parceiro quanto os usuários relataram terem sido agredidos e terem aberto boletins de ocorrência. Diante disso, as contas de ambos foram suspensas temporariamente, enquanto o caso é apurado”, declarou.
A empresa também afirmou que todas as viagens realizadas pela plataforma contam com cobertura de seguro, e a Uber permanece à disposição para colaborar com as autoridades competentes, nos termos da lei.
“A empresa disponibiliza diversas formas de pagamento para mais praticidade e segurança aos usuários. Além de cartões de crédito e débito cadastrados no app, também é possível pagar via Pix ou em dinheiro (em regiões onde essa opção está disponível). No entanto, vale ressaltar que o pagamento por PIX deve ser feito diretamente pela plataforma”, finalizou.