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Polícia

SP: polícia recolhe computadores de mãe e padrasto de Joaquim

12 nov 2013 - 20h05
(atualizado às 20h14)
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Delegado Paulo Henrique Mateus de Castro procura novas provas para elucidar o caso
Delegado Paulo Henrique Mateus de Castro procura novas provas para elucidar o caso
Foto: Vagner Magalhães / Terra

A Polícia Civil de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, retirou na tarde desta terça-feira computadores, roupas, um HD externo e álbuns de fotografia da residência do casal acusado pela morte do garoto Joaquim Ponte Marques, 3 anos. O corpo do garoto, que havia desaparecido há uma semana, foi encontrado boiando em um rio na cidade de Barretos, também no interior do Estado, no último domingo. O delegado Paulo Henrique Mateus de Castro, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), esteve no imóvel acompanhado pelo avô materno do garoto.

De acordo com ele, a polícia busca deixar as provas contra o casal mais robustas, a fim de que a prisão preventiva de ambos seja decretada. A psicóloga Natália Mingoni Ponte, 29 anos, e o técnico em informática Guilherme Rayme Longo, 28 anos, estão presos temporariamente, pelo prazo máximo de 30 dias.

Guilherme deverá ser ouvido pela primeira vez, após a prisão, na tarde desta quarta-feira. O local onde o padrasto está detido não foi revelado, por motivos de segurança. Também em busca de provas, a polícia obteve na Justiça, nesta terça-feira, o direito de quebrar o sigilo telefônico do casal e de outras pessoas da família.

"A juíza quebrou o sigilo telefônico dos dois suspeitos e de mais algumas pessoas. Com isso, pretendemos fortalecer algumas provas já existentes", disse o delegado. Entre as pessoas que serão ouvidas pela polícia estão funcionários da escola em que o menino estudava. "O garoto estava há cinco dias sem ir à aula, justamente por não estar bem emocionalmente, por conta de ter de receber insulina várias vezes por dia."

Segundo o delegado, as imagens das proximidades da casa do garoto não são conclusivas e precisam ser analisadas com tranquilidade. "Não temos a imagem dele (Guilherme) saindo da casa. Temos uma imagem de uma pessoa carregando alguma coisa", disse. O delegado acredita que o menino tenha sido retirado da residência entre 0h e 3h da última terça-feira, 5 de novembro. O corpo só foi encontrado no domingo, boiando em um rio na cidade de Barretos.

O delegado conta ainda que Natália tem colaborado com as investigações desde que o corpo de Joaquim foi encontrado. "São detalhes interessantes para a investigação, principalmente em relação ao comportamento do marido."

Natália e Guilherme tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada. Segundo a polícia, a expectativa é de que, até o término deste prazo, os laudos e provas periciais estejam prontos para reforçar as hipóteses levantadas pela investigação. Além disso, a polícia aguarda os resultados dos exames necroscópicos para comprovar a causa da morte de Joaquim.

Superdosagem de insulina

Na tarde de segunda-feira, o promotor Marcos Tulio Nicolino, que acompanha as investigações, disse, em entrevista ao Terra, que declarações da mãe do garoto dão a entender que Joaquim possa ter sido vítima de superdosagem de insulina, aplicada pelo padrasto.

"Após o desaparecimento, ela (mãe) foi entregar a caneta que era utilizada para aplicar insulina. Nesse dia, o padrasto falou que tinha aplicado em si mesmo 30 doses de insulina. Porém, no dia anterior, ele disse que teria aplicado apenas duas doses", falou o promotor. Segundo Marcus, o padrasto de Joaquim, Guilherme Raymo Longo, pode ter mudado a sua versão para tentar justificar o uso da insulina. "Depois do aparecimento do menino, ele falou que usou as 30 doses. Ele estaria tentando justificar o desaparecimento daquelas doses, que ele poderia ter aplicado no menino para matá-lo", completou.

O menino era diabético e precisava tomar doses constantes de insulina para sobreviver. Mas, para Marcus, a criança era vista como um problema na vida de Guilherme, que tem um filho de poucos meses com a mãe de Joaquim, Natália. "Ela (Natália) passou informações que nos levam a acreditar que o relacionamento dos dois não era harmônico como passado anteriormente. O casal brigava constantemente e um dos motivos era que o Guilherme não aceitava o filho de outro casamento. 'Você tem um pedacinho do seu ex-marido aqui dentro de casa', teria dito ele em algumas ocasiões", falou o promotor.

Diante destas suspeitas, o delegado pediu exames que possam comprovar a existência dessa suposta superdosagem no organismo da vítima. Segundo ele, "todos os laudos já foram providenciados".

Desaparecimento

O corpo de Joaquim foi encontrado neste domingo, nas águas do rio Pardo, no município de Barretos, vizinho de Ribeirão Preto - cidade na qual o garoto morava. Um exame preliminar de necropsia apontou que o garoto já estava morto antes de ser jogado no rio, segundo a Polícia Civil. A causa da morte, porém, ainda não foi confirmada.

Desde os primeiros dias do desaparecimento, as buscas foram concentradas na região do córrego Tanquinho e no rio Pardo, onde o córrego deságua. Na quarta-feira, um cão farejador da Polícia Militar realizou o mesmo trajeto ao farejar as roupas do menino e as de seu padrasto.

A Polícia Civil já havia pedido a prisão preventiva da mãe e do padrasto de Joaquim, mas a Justiça havia negado. O menino era diabético e vivia com a mãe, o padrasto e o irmão Vitor Hugo.

No boletim do desaparecimento registrado na Polícia Civil, a mãe relatou que acordou por volta das 7h e foi até o quarto da criança, mas não a encontrou. Em seguida, procurou pelos demais cômodos e na vizinhança, também sem sucesso. O garoto vestia uma calça de pijama com bichinhos quando foi visto pela última vez.

Foto: Terra

Fonte: Terra
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