Tenente-coronel acusado de matar a esposa cumpriu ‘com êxito sua missão’ ao se aposentar, diz defesa
Geraldo Leite Rosa Neto é acusado de matar a policial militar Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça
A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, réu pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana, afirmou que ele tomou a decisão particular de ir para a reserva da corporação, “após ter cumprido, com êxito, sua missão na salvaguarda dos cidadãos”.
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Em nota ao Terra, o advogado Eugênio Malavasi declarou que o acusado alcançou o tempo de serviço e devida contribuição previdenciária para tal feito. A aposentadoria de Geraldo Leite foi publicada na última quinta–feira, 2, dias após ele ter o salário suspenso após ser preso.
“Quando o militar é preso por qualquer tipo de crime, de imediato o salário dele é cancelado. Foi isso que foi feito”, explicou o secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo, o coronel da Polícia Militar Henguel Ricardo Pereira, ao Estadão.
Conforme o Portal da Transparência do Governo de São Paulo, seu último salário, no mês de fevereiro de 2026, foi de R$ 28,9 mil brutos. O PM já possui mais de 30 anos de contribuição previdenciária e, por isso, pode recorrer à Justiça para receber a aposentadoria pela São Paulo Previdência.
“É uma questão legal e constitucional. Ele contribuiu por mais de 30 anos. Não é uma questão facultativa da Polícia Militar. Não somos nós que estabelecemos isso. É a Constituição que estabelece que quem contribui no regime previdenciário tem esse direito”, explicou Henguel.
Entenda o caso
Réu nas Justiças Militar e comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.
O tenente-coronel nega que tenha matado a esposa e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça. Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.
A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.
Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável
Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.
Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.
A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.