Tenente-coronel preso por morte de esposa PM é denunciado por assédio contra outras policiais
Geraldo Neto, réu por feminicídio, também enfrenta denúncia de assédio sexual e histórico de assédio moral na PM
Uma policial militar denunciou ter sido vítima de assédio sexual pelo tenente-coronel Geraldo Neto, réu pelo feminicídio da esposa, também PM, Gisele Alves Santana. Segundo essa PM, o episódio ocorreu no segundo semestre de 2025, quando ele já era casado com Gisele. A denúncia, que é investigada pela Corregedoria da corporação, foi divulgada pelo Fantástico neste domingo, 22.
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Por medo de retaliação, a identidade da policial não foi revelada. Em seu depoimento, ela relatou que o oficial tentou beijá-la e que, após recusar suas investidas, foi transferida de batalhão como forma de retaliação.
"Ele tentou induzi-la a praticar atividade física sem a vontade própria desta policial, ele a cercou de todas as formas", afirmou ao Fantástico o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior.
Além do caso atual, Geraldo Neto enfrenta acusações de assédio moral envolvendo ao menos quatro policiais mulheres em 2022, enquanto comandava outra unidade da PM. Na ocasião, ele afirmou que as agentes teriam espalhado boatos sobre um relacionamento entre ele e Gisele, o que tanto ele quanto a vítima negavam.
Ele não chegou a ser punido nesses casos. Por outro lado, uma colega do mesmo batalhão entrou com ação contra o Estado de São Paulo por assédio moral e recebeu uma indenização de R$ 5 mil.
Feminicídio de Gisele
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Um mês depois, Geraldo Neto virou réu por feminicídio e fraude processual. Segundo a investigação, ele não apenas matou Gisele, mas também alterou a cena do crime.
A perícia concluiu que Gisele não conseguiria alcançar a arma que estava sobre o armário. Além disso, uma árvore de Natal que estava na sala impossibilitaria que o tenente-coronel visse a mulher caída no chão a partir da porta do banheiro, versão que ele havia informado às autoridades.
Segundo Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de SP, a atuação das primeiras pessoas que atenderam à ocorrência foi crucial para esclarecer o caso. "Eles não se intimidaram porque era um tenente-coronel que estava lá, eles passaram a informação correta do que eles viram aos seus superiores", afirmou ao Fantástico.
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