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Governador de SC xinga e ofende indígenas durante manifestação em barragem

Caso aconteceu em José Boiteux, no Vale do Itajaí, onde acontece uma obra que fica dentro do território indígena do povo Xokleng

9 jul 2026 - 12h10
(atualizado às 12h17)
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Jorginho Mello (PL) foi filmado xingando indígenas durante agenda oficial em José Boiteux, no Vale do Itajaí
Jorginho Mello (PL) foi filmado xingando indígenas durante agenda oficial em José Boiteux, no Vale do Itajaí
Foto: Reprodução/Redes sociais

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ofendeu e xingou indígenas que protestavam em meio às obras da barragem Norte, na cidade de José Boiteux, no Vale do Itajaí. O caso aconteceu na última quarta-feira, 8, durante agenda oficial, e foi registrado em vídeo. Ao Terra, o governo catarinense afirmou que irá manter o cronograma das obras apesar das manifstações e não comentou diretamente sobre os xingamentos proferidos pelo político.

Em um dos registros que circulam nas redes sociais sobre o momento, Jorginho aparece falando com a imprensa enquanto uma mulher gritava ao fundo, protestando sobre a obra. Nesse momento, enquanto alegava que estavam “restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas”, o governador interrompe sua própria fala e dispara: “Vai pra p*** que o pariu”.

Após isso, ainda sendo questionado, ele chegou a rebater: “A senhora não quer ir à merda?”. Ela diz que é cacique e pede para ser respeitada. Nisso, Jorginho diz: “E eu com isso?”. A mulher fala que a barragem está dentro da terra indígiena e ele repete: “E eu com isso?”.

Os impasses em torno da barragem não são de agora. Ela foi construída totalmente dentro da terra indígena do povo Laklãnõ-Xokleng na década de 1990, gerando impactos socioambientais que seguem refletindo no território. O intuito da barragem é conter enchentes em outras regiões do Estado. 

O que diz o Governo de Estado?

Em nota ao Terra, o governo catarinense confirmou que o governador Jorginho Mello acompanhou a reforma e disse que "durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao Governo do Estado".

Além disso, sem comentar diretamente sobre os xingamentos que aconteceram durante a agenda, o governo explica que a atual gestão assumiu efetivamente a manutenção da barragem e que irá "avançar no cumprimento de um acordo firmado há cerca de 20 anos entre Governo Federal, Governo Estadual e comunidades indígenas". 

"Fazem parte das obras acordadas a construção de 91 casas, duas igrejas e duas casas pastorais: R$ 14,6 milhões; implantação e macadamização da estrada que liga a Aldeia Bugio ao município de José Boiteux, com extensão de 7,5 quilômetros e construção de uma ponte: R$ 7 milhões; construção da escola da comunidade indígena: R$ 6,5 milhões; construção de museu, campo de futebol e sanitários: R$ 5,5 milhões; projeto da escola e do museu: R$ 217 mil. Ao todo, o Estado está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, onde está localizada a Barragem Norte, de José Boiteux, garantindo compensações esperadas desde a década de 90 e que deveriam ter sido executadas pelo Governo Federal, por meio da Funai, mas foram negligenciadas desde então", complementam em nota.

Apesar das manifestações, Santa Catarina afirma que irá manter o cronograma da reforma da barragem e das casas, "por entender que as obras são essenciais para proteger vidas e reduzir os riscos das enchentes no Vale do Itajaí".

O que diz o governador?

Jorginho Mello estava em José Boiteux para acompanhar as obras de reforma das barragens – que acontecem pela primeira vez depois de mais de 30 anos de construção, como pontua. Ele fez duas publicações em suas redes sociais sobre a visita. Nos conteúdos ele também não cita diretamente os xingamentos que fez aos indígenas. 

“Obra para salvar milhares de famílias enfrenta novo impasse na Barragem de José Boiteux; mesmo após ampliar acordo de 20 para 40 casas, indígenas seguem protestando”, destacou um primeiro vídeo. Em outro, ele diz que foi “cercado e desrespeitado por indígenas”.

“Tudo começou porque alguns maus políticos mentiram na região dizendo que não tinha obra na barragem. Então eu fui lá e, pra minha surpresa, indígenas estavam fazendo protesto porque a obra está acontecendo. Essa barragem foi construída pelo Governo Federal em 1992 e, acreditem, nunca foi reformada. E nós estamos reformando. Além disso, o governo estadual e o governo federal fizeram um acordo com os indígenas há mais de 20 anos, prometendo obras que não aconteceram. Nós estamos fazendo”, afirmou no conteúdo.

O que diz o povo Xokleng?

A Juventude Indígena Xokleng se pronunciou em nota sobre o ocorrido, manifestando “seu mais profundo repúdio à postura e à conduta” do governador. O povo Laklãnõ-Xokleng exigiu, ainda, uma retratação pública imediata

“O que deveria ser uma agenda institucional transformou-se em um ato de extrema arrogância, racismo institucional e violência verbal. Ao ser cobrado pelos direitos da comunidade, o governador desonrou o cargo que ocupa: atacou, xingou e humilhou publicamente uma de nossas cacicas e diversos moradores. Não bastasse a agressão, utilizou nosso território sagrado como palco de mentiras em suas redes sociais, distorcendo a realidade sobre as obras da Barragem Norte e omitindo o sofrimento histórico do povo Xokleng, que há décadas assiste suas aldeias serem inundadas e isoladas a cada chuva sem o devido apoio do Estado”, escreveram.

Fonte: Portal Terra
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