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Política

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Datafolha: direita ultrapassa esquerda entre eleitores pela 1ª vez desde 2014

Classificação resulta de questionário com questões sobre valores sociais, culturais e econômicos

4 jul 2026 - 07h40
(atualizado às 07h53)
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Lula, em solenidade no Planalto, antes de Diretório do PT definir critérios para rateio dos recursos.
Lula, em solenidade no Planalto, antes de Diretório do PT definir critérios para rateio dos recursos.
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A identificação dos brasileiros com a direita superou a da esquerda pela primeira vez desde 2014, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 3. O levantamento, feito sob a gestão Lula, aponta 44% dos brasileiros classificados à direita ou centro-direita, ante 39% à esquerda ou centro-esquerda - diferença de cinco pontos porcentuais, fora da margem de erro de dois pontos.

A classificação resulta de questionário com questões sobre valores sociais, culturais e econômicos - dez de comportamento, envolvendo temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião, e seis de economia, sobre impostos, leis trabalhistas e atuação do Estado.

Em 2014, quando sob a Presidência de Dilma Rousseff (PT), a direita reunia 45% de identificação, contra 35% da esquerda - uma diferença ainda maior do que a registrada agora. De lá para cá, houve um empate técnico, em 2017, com 40% à direita e 41% à esquerda.

Já em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, a esquerda somava 49%, e a direita, 34%.

Naquele ano, direita e esquerda estavam tecnicamente empatadas no eixo comportamental, com 39% e 42%, respectivamente. A mudança em relação à 2022 se concentra justamente nesse eixo: agora a direita soma 52%, ante 29% da esquerda e 20% do centro.

Parcela que aponta preguiça como causa da pobreza quase dobrou

A maior alteração entre as perguntas comportamentais ocorreu na visão sobre pobreza. Em 2022, 76% atribuíam a pobreza à falta de oportunidades iguais, ante 22% que a associavam à preguiça de quem não quer trabalhar. Hoje, a parcela que aponta a preguiça como causa quase dobrou, para 40%, enquanto a que credita a pobreza à falta de oportunidades caiu para 58%.

Houve também deslocamentos em temas de segurança e costumes. Em 2022, 63% defendiam a proibição da posse de armas e 35% apoiavam o direito de possuir arma legalizada. Hoje, esses porcentuais são de 55% e 41%, respectivamente.

Na divisão em cinco grupos, 15% dos entrevistados foram classificados à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os porcentuais eram, na mesma ordem, 9%, 24%, 17%, 32% e 17%. Ou seja, houve crescimento tanto na direita (de 9% para 15%) quanto na centro-direita (de 24% para 29%), enquanto a centro-esquerda recuou de 32% para 26% e a esquerda, de 17% para 13%. O centro permaneceu estável, em 17%.

A pesquisa foi realizada de forma presencial nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95% - as margens são maiores nos recortes da população. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

Estadão
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