Opinião: Brasil se salva, mas Ancelotti precisa parar de ser teimoso
Seleção Brasileira venceu o Japão por 2 a 1, mas apresentou falhas antigas
O Brasil está nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, mas o suado triunfo por 2 a 1 sobre o Japão deveria acender o sinal de alerta na Granja Comary, e não virar motivo de festa. O futebol pragmático e os buracos táticos deixaram claro que o técnico Carlo Ancelotti precisa abandonar sua teimosia antes que o nível dos adversários suba.
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A começar pela cabeça de área. Ainda que Casemiro tenha sido eleito o melhor em campo, muito pelo gol feito, que não é bem a sua função, a atuação do são-paulino esteve longe do que a Seleção precisa na fase de mata-mata.
Casemiro virou um "volante atrasado". Ele não ajuda na construção qualificada da saída de bola, falha na compactação e quase sempre corre atrás dos meias do adversário quando precisa recompor a transição defensiva. Não à toa, o excesso de faltas para matar contra-ataques já lhe rendeu dois cartões amarelos nesta Copa.
Ancelotti tem peças para oxigenar o setor. Seja com o vigor de Fabinho ou com a consistência de Danilo Santos, que sobrou fisicamente todas as vezes em que entrou, o treinador tem alternativas para dar dinâmica ao meio-campo. Insistir no atual panorama é flertar com o desastre.
Outro buraco está na defesa. A convocação de Danilo, que virou xodó das redes sociais por engajamentos extra-campo, e não pelo futebol apresentado, já era o item mais inexplicável da lista de Ancelotti. Uma vaga carimbada precocemente que agora cobra os seus juros.
O erro de planejamento estourou em um efeito dominó: com a lesão do lateral Wesley e a decepção com Roger Ibañez atuando improvisado, Ancelotti foi obrigado a lançar Danilo como lateral titular.
O problema? Danilo não tem ritmo para a função. São míseros 14 jogos atuando como zagueiro em todo o ano de 2026. Isso ficou claro em uma inversão de bola juvenil que resultou no gol japonês.
Aqui a teimosia do treinador italiano já cobra caro. Ele simplesmente não tem uma opção de ofício para a vaga. Se o plano A falha, o plano B é uma improvisação que não deu certo.
Aliás, a Alemanha já pagou por teimosia semelhante quando Julian Nagelsmann insistiu em usar Kimmich como lateral, posição que não faz há anos. E está no caminho de casa.
O passaporte europeu e o currículo pesado nos clubes dão ao italiano uma blindagem rara. Mas ou Ancelotti abre os olhos para o campo e engole o orgulho, ou a teimosia cobrará o preço mais alto possível.
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