Anac notifica Portela e Liesa por utilização de drone tripulado em desfile no Rio
Agência reguladora questiona escola de samba sobre voo de integrante da comissão de frente e solicita documentação técnica de aeronave remota
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou, nesta segunda-feira (16), um ofício à escola de samba Portela e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). O documento trata da utilização de um drone tripulado durante a apresentação da agremiação na Marquês de Sapucaí. O equipamento transportou um integrante do grupo cênico em quatro ocasiões ao longo do desfile.
Segundo as diretrizes da Anac, o transporte de indivíduos, animais ou materiais perigosos por meio de drones é uma prática proibida no território brasileiro. A operação desses veículos é regida pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 94 (RBAC-E nº 94), norma técnica que veda explicitamente a presença de tripulantes nessas aeronaves.
A agência reguladora estabelece que o operador remoto não deve comprometer a integridade física de terceiros. Além disso, as normas determinam a manutenção de uma distância horizontal mínima de 30 metros entre o equipamento e estruturas que possam sofrer impacto. No comunicado, a Anac mencionou a existência de riscos de acidentes relacionados à atividade executada.
O dispositivo empregado na comissão de frente da Portela possui oito hélices e baterias com autonomia de aproximadamente cinco minutos. Durante o desfile, o componente da escola realizou sobrevoos de 40 segundos cada, posicionando-se acima de um tripé alegórico e dos demais bailarinos.
A Anac estipulou um prazo de dez dias para que a escola apresente as seguintes informações:
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Modelo e número de série do aparelho;
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Comprovação de registro junto ao órgão regulador;
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Identificação do piloto responsável pela operação remota.
O uso do equipamento integrou a narrativa da comissão de frente, que abordou a negritude no Rio Grande do Sul. O tripulante representava o Negrinho do Pastoreio, figura do folclore gaúcho. A coreografia encenou passagens da lenda, como o castigo em um formigueiro e a posterior aparição da figura como um ser "encantado".
O conceito teatral da escola propôs a libertação do personagem, simbolizada pelo voo sobre a pista. O enredo da Portela também explorou símbolos de resistência, como o líder religioso Príncipe Custódio e o orixá Bará, visando expor o contexto histórico da escravidão na região Sul do Brasil. Até o momento, a Portela e a Liesa não emitiram posicionamento oficial sobre a notificação.