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Anac notifica Portela e Liesa por utilização de drone tripulado em desfile no Rio

Agência reguladora questiona escola de samba sobre voo de integrante da comissão de frente e solicita documentação técnica de aeronave remota

16 fev 2026 - 22h32
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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou, nesta segunda-feira (16), um ofício à escola de samba Portela e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). O documento trata da utilização de um drone tripulado durante a apresentação da agremiação na Marquês de Sapucaí. O equipamento transportou um integrante do grupo cênico em quatro ocasiões ao longo do desfile.

Homem em drone
Homem em drone
Foto: Reprodução/TV Globo / Perfil Brasil

Segundo as diretrizes da Anac, o transporte de indivíduos, animais ou materiais perigosos por meio de drones é uma prática proibida no território brasileiro. A operação desses veículos é regida pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 94 (RBAC-E nº 94), norma técnica que veda explicitamente a presença de tripulantes nessas aeronaves.

A agência reguladora estabelece que o operador remoto não deve comprometer a integridade física de terceiros. Além disso, as normas determinam a manutenção de uma distância horizontal mínima de 30 metros entre o equipamento e estruturas que possam sofrer impacto. No comunicado, a Anac mencionou a existência de riscos de acidentes relacionados à atividade executada.

O dispositivo empregado na comissão de frente da Portela possui oito hélices e baterias com autonomia de aproximadamente cinco minutos. Durante o desfile, o componente da escola realizou sobrevoos de 40 segundos cada, posicionando-se acima de um tripé alegórico e dos demais bailarinos.

A Anac estipulou um prazo de dez dias para que a escola apresente as seguintes informações:

  • Modelo e número de série do aparelho;

  • Comprovação de registro junto ao órgão regulador;

  • Identificação do piloto responsável pela operação remota.

O uso do equipamento integrou a narrativa da comissão de frente, que abordou a negritude no Rio Grande do Sul. O tripulante representava o Negrinho do Pastoreio, figura do folclore gaúcho. A coreografia encenou passagens da lenda, como o castigo em um formigueiro e a posterior aparição da figura como um ser "encantado".

O conceito teatral da escola propôs a libertação do personagem, simbolizada pelo voo sobre a pista. O enredo da Portela também explorou símbolos de resistência, como o líder religioso Príncipe Custódio e o orixá Bará, visando expor o contexto histórico da escravidão na região Sul do Brasil. Até o momento, a Portela e a Liesa não emitiram posicionamento oficial sobre a notificação.

Perfil Brasil
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