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Dia Internacional da Mulher: como surgiu e a história por trás da data

Saiba como surgiu o 08 de março e como essa data é importante para a luta das mulheres ao redor do mundo

1 mar 2023 - 05h00
(atualizado em 4/3/2024 às 19h42)
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Resumo
O Dia Internacional da Mulher em 8 de março é um marco para lembrar as lutas históricas das mulheres e incentivar a igualdade de gênero. É uma data para reivindicar direitos como o acesso à educação, voto e paridade salarial.
Greve de operárias na Rússia em 8 de março de 1917 foi a semente da criação do Dia Internacional da Mulher
Greve de operárias na Rússia em 8 de março de 1917 foi a semente da criação do Dia Internacional da Mulher
Foto: Wikimedia Commons

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o Dia Internacional da Mulher celebrado em 8 de março simboliza a luta histórica das mulheres por igualdade de gênero em todas as esferas.

É um momento necessário para refletir sobre as lutas históricas das mulheres, afinal, ao longo da história, as mulheres têm desempenhado papéis fundamentais na construção social, impulsionando mudanças e avançando em direção a um mundo mais justo e igualitário. 

Desde os movimentos sufragistas até os protestos contemporâneos contra a discriminação e a violência de gênero, por exemplo, as mulheres têm sido agentes de transformação, desafiando estereótipos e reivindicando seus direitos.

A princípio, o objetivo da data era a reivindicação feminina por igualdade salarial e melhores condições de trabalho, mas atualmente, serve para chamar a atenção para diversas lutas das mulheres, como o fim da violência doméstica e do machismo e também por políticas públicas mais amplas e eficazes em prol das mulheres.

Por que 8 de março?

muitas versões para o que motivou que o Dia Internacional da Mulher se tornasse um marco tão importante para a luta das mulheres ao redor do mundo. A origem da data se dá por vários momentos históricos e políticos para as mulheres:

Ainda em 1910, aconteceu a ll Conferência Internacional das Mulheres em Copenhague. A partir desse encontro, Clara Zetkin (1857-1933), uma feminista alemã que seguia o feminismo marxista, convidou trabalhadoras do mundo inteiro para se unir em prol da luta pelos direitos femininos. A ideia era realmente ter uma data no calendário para discutir pautas importantes, como o direito ao voto, por exemplo.

Depois disso, em 25 de março de 1911, houve um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York, nos Estados Unidos, que matou 146 pessoas, sendo 125 mulheres trabalhadoras operárias. Essa tragédia incentivou que ainda mais mulheres se unissem em prol de melhores condições de trabalho.

Já em 08 de março de 1917, segundo o calendário ocidental, mulheres russas, tecelãs e familiares de soldados, se uniram em um protesto que foi chamado de “Pão e Paz”. Foram de fábrica em fábrica convocar cada trabalhadora.

Nesta marcha, na qual a atuação feminina foi um marco para as transformações políticas da época, mulheres saíram às ruas de São Petersburgo para pedir por pão, melhores condições de vida e pela saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial. O movimento operário aderiu à manifestação e cerca de 50 mil trabalhadores entraram em greve. A marcha ainda fortaleceu a causa do sufrágio feminino no país. 

Com as conquistas alcançadas por trabalhadoras de diversos países devido à greve na Rússia, o dia 8 de março tornou-se aos poucos uma data para homenagear a luta feminina.

A partir dos anos 1960, a comemoração informal do Dia Internacional da Mulher já tinha se tornado tradicional, mas em 1975 foi oficializada quando a ONU declarou o Ano Internacional das Mulheres

Clara Zetkin: alemã é lembrada como a idealizadora do Dia Internacional da Mulher
Clara Zetkin: alemã é lembrada como a idealizadora do Dia Internacional da Mulher
Foto: Wikimedia Commons

Conquistas e desafios das mulheres

Desde os movimentos de 1910, muitos avanços aconteceram em questões relacionadas à igualdade de gênero: maior participação no mercado de trabalho, acesso à educação, direito ao voto, participação política, entre outros. 

No entanto, ainda há um longo caminho a ser trilhado e por isso o Dia Internacional da Mulher é uma data que serve também para lembrar que uma série de reivindicações e necessidades ainda não foram atendidas. 

A violência de gênero, sobretudo a doméstica e a sexual, ainda assombra a vida de muitas mulheres mesmo com a existência de leis de proteção, como a Lei Maria da Penha no Brasil.

Dados publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil bateu recorde de feminicídios no primeiro semestre de 2023 com 722 casos registrados entre janeiro e junho. Importante notar que esses números refletem apenas os casos registrados como feminicídio.

Mas essa não é a única estatística preocupante atualmente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) de 2021, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é gritante. As mulheres ganham cerca de 20% menos do que os homens no Brasil, inclusive com o mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação.

Desafios no Brasil

O Dia Internacional da Mulher também serve para lembrar que toda essa luta é contínua e que cada um tem o seu papel importante em incentivar a igualdade de gênero e garantir que as mulheres possuam os mesmos direitos e oportunidades que os homens. 

Quando falamos de política, ainda há pouca representatividade feminina. Nas eleições de 2022 no Brasil, por exemplo, as mulheres eleitas na Câmara dos Deputados representavam 17,7% das pessoas eleitas. Mas, segundo o IBGE, 51,8% da população brasileira é formada por mulheres, ou seja, são a maioria da população, mas não se veem representadas de tal forma.

Direitos reprodutivos também são um tabu no Brasil. O aborto ainda é criminalizado, diferentemente de diversas democraias onde é legalizado e regulamentado. Recentemente, a França se tornou o primeiro país a incluir o direito ao aborto na Constituição.

O Dia Internacional da Mulher também é uma forma de reafirmar a relevância da contribuição feminina à sociedade, de relembrar as lutas vencidas e reconhecer que ainda há uma série de mudanças que se fazem urgentes e necessárias para garantir direitos e oportunidades iguais para todos. 

Fonte: Redação Nós
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