Alvo de ataques gordofóbicos, Miss Araraquara 2026 afirma: 'Deixa de ser opinião e vira discriminação'
Jornalista e atriz Gabi Sálvi usou as redes sociais para responder às críticas sobre sua nomeação
A escolha da jornalista e atriz Gabriela Camargo, conhecida como Gabi Sálvi, de 32 anos, como Miss Universe Araraquara 2026 provocou discussões nas redes sociais sobre padrões de beleza, violência contra a mulher e crimes virtuais. Depois de receber uma série de comentários gordofóbicos após o anúncio, a comunicadora usou seu perfil no Instagram para condenar os ataques direcionados à sua aparência. O desabafo foi compartilhado no domingo, 7.
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Em seu pronunciamento, a jornalista ressaltou sua ligação com Araraquara, município onde nasceu e cresceu e que agora representa no Miss Universe São Paulo. Ao comentar as críticas recebidas, ela também esclareceu informações que passaram a circular nas redes sociais e explicou como ocorreu sua indicação ao concurso. A miss negou rumores de que teria sido beneficiada por influência política após uma reunião realizada na prefeitura e detalhou os procedimentos adotados pela organização da competição.
"Eu não participei de nenhum concurso municipal. Não participei porque há anos esse concurso não é realizado em Araraquara", disse ela. Gabriela acrescentou que a inexistência de uma seletiva recente na cidade não está relacionada à falta de interesse da organização. Segundo ela, os responsáveis pelo concurso trabalham para restabelecer futuramente o modelo tradicional de escolha da representante local.
Ela também negou as especulações de que sua indicação teria ocorrido por influência da administração municipal. "Não foi o prefeito que me escolheu e nem escolhe qualquer outra miss. Existe uma coordenação responsável pelo Miss que está autorizada, segundo as regras do Miss Universe, a escolher uma candidata que esteja apta, sem a necessidade de uma disposição municipal", destacou.
A comunicadora afirmou ainda que a reunião com o prefeito seguiu um procedimento protocolar relacionado à representação oficial do município. Segundo ela, o encontro ocorreu cerca de um ano depois de ter aceitado o convite feito pela coordenação do concurso. "Como é a autoridade máxima da cidade que entrega a faixa para a representante, o prefeito abriu um espaço na agenda para poder me atender", pontuou, completando que a nomeação "aconteceria independentemente de qual prefeito estivesse ocupando o cargo".
Ataques nas redes e gordofobia
Ao comentar a repercussão de sua nomeação, Gabi Sálvi afirmou que entende que a escolha de uma representante possa gerar opiniões divergentes. No entanto, ela avalia que as críticas recebidas ultrapassaram o campo do debate e passaram a configurar ataques discriminatórios. "Quando alguém diz que uma mulher não pode ocupar um determinado espaço por causa da sua aparência ou por um padrão específico de beleza, isso deixa de ser opinião e vira discriminação", disse.
Em seguida, a jornalista relatou que foi surpreendida pela intensidade das ofensas direcionadas à sua imagem após o anúncio. "Eu sei que a nomeação não agradou a todo mundo e eu nem esperava unanimidade. O que eu não esperava era que um momento tão importante para mim se transformasse num ataque diretamente à minha aparência, à minha condição de mulher ou ao meu peso. Quando uma mulher é ridicularizada por causa do seu corpo, isso tem um nome: gordofobia. E quando uma mulher é atacada, diminuída ou humilhada por ocupar um lugar de destaque, isso revela um outro crime: a misoginia", afirmou.
A nova Miss Universe Araraquara também explicou que decidiu se manifestar publicamente para apoiar mulheres que enfrentam cobranças relacionadas à aparência e aos padrões estéticos impostos pela sociedade. "Durante muito tempo disseram a nós, mulheres, que a gente precisava caber em caixas para sermos aceitas. Mas a representatividade tá aí para provar que não existe um jeito único de ser mulher".
Possíveis medidas judiciais
Durante o vídeo, Gabriela informou que já está avaliando providências contra os autores de mensagens consideradas ofensivas. "A internet não é terra de ninguém, e ataques pessoais, ofensas, humilhações públicas que ferem a dignidade de alguém ultrapassam qualquer limite do debate saudável. Por isso, comentários que configurarem ofensas direcionadas a mim serão analisados e medidas jurídicas poderão ser tomadas. Não porque eu não aceite críticas, mas porque a gente não deve normalizar a violência dirigida a mim ou a qualquer outra mulher", argumentou.
Ao encerrar o pronunciamento, a jornalista direcionou uma mensagem às mulheres e meninas que acompanham sua trajetória. "Espero que, independentemente da sua opinião sobre a minha nomeação, a gente possa concordar em uma coisa: nenhuma mulher deve ser atacada por existir fora do padrão, nenhuma mulher deve ser humilhada por ocupar um espaço e nenhuma menina deve crescer acreditando que os sonhos dela dependem da aprovação da aparência dela", concluiu.
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