Brasil bate recorde de feminicídios pelo 4º ano seguido, enquanto homicídios tem o menor número em 13 anos, aponta Anuário de Segurança
O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, mesmo com assassinatos em queda no país. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, ao longo do ano, 1.571 mulheres foram mortas por questões de gênero, 4% a mais do que em 2024, quando foram registrados 1.504 casos. Esse é a maior quantidade de registros desde que o tipo penal foi criado, em 2015.
O levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que quatro mulheres foram mortas por dia. A maioria delas, correspondente a 65,1%, eram negras. Do total, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. Os dados indicam ainda que 60,9% dos casos foram cometidos por parceiros íntimos, enquanto 18,9% eram ex-parceiros, e outros 12,1% eram familiares. Das mais de 1,5 mil vítimas, 62,5% foram mortas dentro de casa.
Desde total, 70 delas tinham medida protetiva em vigor, o que conforme o Anuário, evidencia que os limites da proteção estatal estão falhando em garantir a eficácia da ordem judicial que ele mesmo emitiu.
Homicídios caem ao menor nível em 13 anos no Brasil, mas feminicídios batem recorde
Dados do 20º Anuário de Segurança Pública revelam o contraste do país: enquanto assassinatos em geral caíram 8,2% em 2025, crimes de perseguição e violência fatal contra mulheres atingiram patamares inéditos.
Taxa de 19,1 por 100 mil hab. (menor desde 2012)
Maior número absoluto da série histórica
Queixas de perseguição notificadas
Mortes em decorrência de intervenção
A Pirâmide da Violência Doméstica
O feminicídio consumado é o estágio final de um ciclo contínuo de agressões e ameaças. Os dados do Anuário 2026 indicam uma escalada alarmante em todos os indicadores prévios de violência de gênero:
Perfil do Agressor & Local do Crime
Onde ocorrem os feminicídios?
A maioria esmagadora dos crimes é cometida dentro da residência da própria vítima ou do casal, evidenciando a vulnerabilidade no ambiente doméstico.
Perfil Racial das Vítimas
Das mulheres mortas por razões de gênero no país, quase dois terços são negras (pretas e pardas).
Por outro lado, os números seguem na contramão da tendência nacional, pois os homicídios em geral atingiram, em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica do Anuário, em 2012. Enquanto no ano passado foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais — homicídio doloso, latrocínio, feminicío, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora —, em 2012, o número era de 54.694. Isso quer dizer que ocorreram 19,1 mortes por 100 mil habitantes, Comparado a 2024, quando 44.220 vítimas foram assassinadas, houve uma queda de 8%.
O Anuário aponta que a expressiva redução é puxada, sobretudo, pela diminuição dos homicídios dolosos, que no ano passado teve 32.914 casos de homicídios dolosos, com uma taxa nacional de 15,4 mortes por 100 mil habitantes, e uma variação de -10% em relação aos dados do ano anterior. O que significa que o Brasil antecipou em dois anos, a meta de reduzir para 16 casos desse tipo penal por 100 mil habitantes.
Arma branca são as mais usadas
Os dados dão conta ainda que há um padrão distinto entre feminicídios e homicídios de mulheres. A arma branca, como facas e canivetes, foram os principais instrumentos utilizados para matar mulheres por questões de gênero, sendo responsável por 50,8% dos casos registrados. Nas demais mortes violentas intencionais, esse instrumento respondeu apenas por 15,5% das ocorrências.
Já as armas de fogo apresentaram comportamento inverso: foram utilizadas em 63,6% das demais mortes violentas intencionais de mulheres, mas em apenas 22,5% dos feminicídios.
**Em atualização
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