Globo deve anunciar demissão de alto executivo após entregar a Copa de bandeja para a Cazé TV se tornar um fenômeno
Manuel Belmar foi apontado como o responsável pela estratégia equivocada que fez a emissora sair por baixo do Mundial
Até junho, Manuel Belmar era o mais poderoso executivo da Globo, abaixo dos membros da família Marinho. Na noite de quinta-feira (3), foi demitido, segundo a ‘Veja’.
Entre o sucesso e a queda está a Copa do Mundo.
Suas decisões fizeram a emissora, longa parceira da FIFA, abrir mão da exclusividade de transmissão e exibir apenas metade dos 104 jogos.
Abriu-se a porta e estendeu-se o tapete vermelho para o crescimento gigantesco da Cazé TV na cobertura do Mundial.
O canal de Casimiro Miguel passou de 41 milhões de inscritos no YouTube, bateu recorde mundial com 24,2 milhões de dispositivos conectados ao mesmo tempo e gerou R$ 2 bilhões de receitas publicitárias, resultado semelhante ao da Globo.
Mais que isso: a Cazé TV tirou audiência e status da emissora, além de ter ofuscado a cobertura do SporTV e da Ge TV, canal criado para ser seu grande concorrente na internet.
A opção de economizar para aumentar o lucro colocou a Globo em inédita situação de vulnerabilidade.
A TV ajudou a fortalecer um concorrente, perdeu o protagonismo hegemônico e saiu enfraquecida do evento esportivo mais importante do planeta.
Manuel Belmar acumulou funções importantes desde que entrou na Globo em 2003. Comandava as Finanças, o Jurídico e a Infraestrutura. Definia também os rumos de produtos digitais como o Globoplay.
Além dele, outros executivos devem deixar a empresa, em uma reestruturação pensada para tentar recuperar o prestígio da maior rede de TV do país.
Em 2025, o grupo de comunicação da família Marinho teve receitas totais de R$ 18,2 bilhões, crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior. Mas o lucro caiu 25,3% e ficou em R$ 1,4 bilhão.
Atualização: abaixo, nota da Globo.
O presidente do Grupo Globo e do Conselho de Administração do Grupo, João Roberto Marinho, reforçou hoje a comunicação da nova estrutura organizacional feita há pouco pela Globo para se alinhar à evolução da estratégia corporativa da empresa e a reforçou como único motivo para as movimentações de seus executivos.
João Roberto Marinho recordou que Manuel Belmar, até então diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura da Globo, havia, há pelo menos dois anos, compartilhado com a empresa a decisão de encerrar sua jornada executiva. Sua decisão deu início a um processo cuidadoso de transição, em consonância com a parceria de sucesso e confiança de mais de duas décadas de Belmar com a Globo.
O presidente do Grupo Globo repudiou com veemência as especulações que rondam a iniciativa e afirmou que a decisão de renegociação da compra dos direitos da Copa do Mundo 2026 foi tomada exclusivamente pelo Conselho de Administração do Grupo, como é praxe em deliberações de grande porte, que não podem ser atribuídas individualmente aos executivos das empresas.
João Roberto Marinho se uniu a Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, no agradecimento à liderança, contribuição, impacto e legado de Manuel Belmar, do diretor de Aquisição de Direitos, Pedro Garcia, e do diretor de Marca e Comunicação da Globo, Manuel Falcão, na trajetória das empresas do Grupo Globo e em suas transformações.
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