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Leonardo Garcez transforma bullying em arte ao viver Jorge Laffond

Entenda como Leonardo Garcez transformou um trauma de infância em um papel de cura e representatividade nos palcos.

23 jul 2026 - 15h04
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Resumo
Leonardo Garcez superou traumas do passado ao interpretar Jorge Laffond, criador de Vera Verão. O ator, que sofreu bullying por ser chamado pelo apelido da personagem, agora ressignifica essa experiência, transformando-a em símbolo de resistência e cura. Com dedicação, pesquisa e superação, ele busca homenagear o homem por trás da icônica figura da TV brasileira. 🌈🎭

Você já imaginou transformar um trauma de infância em um dos papéis mais importantes da sua carreira? É exatamente isso que Leonardo Garcez está vivendo agora. Durante anos, Garcez ouviu o apelido "Vera Verão" como forma de bullying na escola.

Foto: Jordan Vilas / Famosos e Celebridades

Antes mesmo de compreender completamente a própria sexualidade, colegas usavam o nome para diminuí-lo. No entanto, o que antes representava medo hoje ganha um significado completamente diferente. Aos 30 anos, o ator agora interpreta Jorge Laffond, criador da icônica Vera Verão.

Garcez encara dois preconceitos ao mesmo tempo

Leonardo lembra que o ataque carregava camadas duras. "Era uma tentativa de ofensa dupla. Por eu ser preto e por ser gay", conta. Durante muito tempo, aquilo causou medo, insegurança e tristeza.

Hoje, porém, a percepção mudou completamente. "Eu entendo quem o Jorge foi para o Brasil e para mim. Voltar ao palco como ele é uma forma de mostrar que eles estavam errados", afirma. Ou seja, o papel virou símbolo de resistência.

Além disso, revisitar essa história permitiu compreender a importância de Laffond na TV brasileira. Isso porque a representatividade, naquela época, ainda era extremamente limitada. "A gente vê o quanto o racismo e o preconceito são danosos", reflete. Interpretar o Jorge, segundo ele, também é um processo de cura.

Garcez busca o homem por trás da personagem

A preparação para o espetáculo Jorge Pra Sempre Verão envolveu entrevistas, livros e registros audiovisuais. Contou ainda com relatos de pessoas próximas a Laffond e acompanhamento da preparadora Érica Ribeiro. Ainda assim, o objetivo nunca foi imitar a Vera já conhecida do público.

"O que eu queria entender era quem era o Jorge quando as câmeras desligavam", explica Leonardo. Foi nessa pesquisa que descobriu o aspecto que mais o marcou. "No fundo, ele só queria ser amado", revela.

Por outro lado, essa busca por afeto tem ressonância pessoal. "Pessoas pretas e LGBTQIA+ muitas vezes têm o amor negado. Sou casado com um homem preto e percebi que Jorge buscava esse acolhimento", diz. Dessa forma, interpretar Laffond se tornou uma forma simbólica de devolver esse reconhecimento.

Um papel que esperou quatro anos por Garcez

O primeiro contato de Garcez com o espetáculo aconteceu em 2022, durante uma seleção. Na época, outro ator foi escolhido e o projeto seguiu seu curso. Quatro anos depois, porém, uma ligação mudou tudo.

"O personagem voltou para mim. Às vezes a gente acha que perdeu uma oportunidade, mas ela só estava esperando o momento certo", reflete. Como assumiu o protagonista há pouco mais de um mês, precisou acelerar toda a preparação.

Além de decorar texto e marcações, Leonardo enfrentou um desafio inédito: aprender a andar de salto alto. Enquanto esperava a bota do figurino, ensaiou com um par emprestado pelo pai de santo. "Foi um presente da espiritualidade", resume. "Quando tudo começou a fazer sentido fisicamente, o personagem também começou a aparecer."

O teatro como refúgio na vida de Garcez

A relação de Leonardo com a arte começou na infância, na Vila Guacuri, por meio do projeto social Circo das Artes. Filho de uma educadora e cabeleireira, cresceu entre oficinas até descobrir o teatro. Ali encontrou um ambiente bem diferente do vivido na escola.

"O teatro foi meu refúgio. Enquanto a escola era hostil, ali eu podia criar e descobrir quem eu era", relembra. Depois vieram produções como 3% (Netflix), No Mundo da Luna (MAX) e Maníaco do Parque (Prime Video).

Inclusive, ele já estrelou campanhas para marcas como Sadia, 99, Google e McDonald's. No teatro, participou de espetáculos como Dom Quixote de La Mancha e Sonho de uma Noite de Verão. Ainda assim, Leonardo afirma que a carreira vive apenas o começo.

"O meu personagem dos sonhos é o próximo. Quero continuar contando histórias que tenham propósito", diz. Ao falar sobre a peça, pensa especialmente nos jovens da plateia que enfrentam conflitos parecidos com os que ele viveu.

"Quero que esses meninos saiam do teatro se sentindo abraçados. Que entendam que não precisam esconder quem são", finaliza. "O futuro vai ser lindo!"

Famosos e Celebridades
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