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Teste: Volkswagen Taos mudou o suficiente para encarar Corolla Cross, Compass e rivais chineses?

SUV médio da montadora alemã passou por mudanças no visual, mas manteve conjunto mecânico; confira a avaliação

7 fev 2026 - 17h14
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A Volkswagen tem, goste ou não, um portfólio de SUVs muito bem engendrado em âmbito global. No Brasil também tem produtos com muitos fãs, como Tera, Nivus e T-Cross. O Taos, porém, não tem tantos adeptos quanto seus pares.

Quer um exemplo prático? De acordo com a Volkswagen, 12 mil unidades do Tera foram vendidas em 50 minutos à época do lançamento. Já no caso do Taos 2026, cuja estreia na rede de concessionários ocorreu em 22 de janeiro, apenas 1.912 pedidos foram realizados durante o grande evento de "abertura de portas". Pois é.

Interlocutores ligados à fabricante germânica, inclusive, dizem que a expectativa é vender 2 mil unidades do SUV médio por mês. Em janeiro, segundo dados da Fenabrave, 1.225 unidades do Taos foram licenciadas — número aquém de rivais como Caoa Chery Tiggo 7, Toyota Corolla Cross e Jeep Compass.

Além da trinca supracitada, o SUV da Volkswagen ainda tem de encarar modelos, por exemplo, de marcas como BYD, GWM e até mesmo da neófita Jetour. É uma missão ingrata para um veículo estagnado em segmento que não para de receber novos players.

À venda por R$ 199.990 na versão Comfortline e a partir de R$ 209.990 na Highline, o Taos 2026 traz algumas nuances a fim de se destacar na multidão. Já adianto ao leitor que é pouco para deixar o posto de figurante.

O que mudou no Volkswagen Taos 2026

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O Volkswagen Taos 2026 agora vem do México, da unidade da fabricante em Puebla. Antes, o modelo comercializado por aqui era produzido na Argentina.

O SUV médio tem, na dianteira, grade e faróis mais afilados. Estes têm apresentação em forma de "H" no canhão principal em LED. Além disso, o para-choque ficou maior, bem como tomada de ar.

É identidade similar a dos pares Tera, T-Cross e Nivus. Para completar, bom destacar que o Taos é pioneiro no segmento de médios, já que agora tem, desde a versão de entrada, faróis full LED com tecnologia matricial.

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Na traseira, incapaz de agradar a gregos e troianos, o SUV traz barra luminosa com régua em preto que une as lanternas. O Taos, aliás, é o primeiro veículo da Volkswagen à venda no País que traz o logotipo com iluminação em vermelho. A depender da configuração, as rodas podem ser de 18 ou 19 polegadas.

Quanto às dimensões, nenhuma mudança. O Volkswagen Taos 2026 tem 4,46 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,62 m de altura e 2,68 m de entre-eixos. O porta-malas tem a mesma capacidade, e acomoda 498 litros.

Interior do Volkswagen Taos 2026

A Volkswagen trabalhou o interior do Taos 2026 de forma a garantir aos ocupantes pouco mais de requinte. É uma evolução necessária para tentar justificar sua etiqueta de preço, embora a sensação de refinamento ainda precise provar sua durabilidade no uso severo.

A grande aposta da cabine é a nova central multimídia VW Play Connect de 10,1 polegadas que segue a tendência do mercado e agora é flutuante. No entanto, o sistema entrega um pacote incompleto: enquanto usuários de iPhone têm espelhamento sem fio, quem usa Android ainda fica refém do cabo.

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

No quesito conveniência, a marca alemã tenta ser generosa desde a base. O ar-condicionado de duas zonas e o carregador por indução na versão Comfortline são bem-vindos, mas não passam de obrigação frente à concorrência, principalmente chinesa.

Na versão de entrada o áudio é apenas protocolar, com seis alto-falantes. Desse modo, é preciso subir para a Highline para ter um subwoofer e oito alto-falantes. Temos ainda painel de instrumentos digital de 10,25?. O teto solar panorâmico é cobrado à parte como opcional, mesmo na configuração mais cara.

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
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Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

No campo da segurança, o Taos 2026 não inventa a roda, mas cumpre o que se espera de um carro familiar moderno. O pacote conta com seis airbags e os controles de estabilidade de praxe. Há ainda frenagem autônoma, piloto automático adaptativo e assistente de faixa, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado.

Ao volante do Volkswagen Taos 2026

Tecnicamente, o Volkswagen Taos 2026 entrega exatamente aquilo que o seu projeto se propõe, e é justamente aí que reside sua principal limitação dinâmica. Ao volante, o SUV médio se comporta de forma correta, previsível e extremamente civilizada.

O conjunto mecânico é exemplar do ponto de vista racional. O motor 1.4 turbo flex de até 150 cv de potência e 25,5 kgfm privilegia a disponibilidade de torque em baixa rotação, com respostas desde 1.500 rpm e uma entrega linear, sem picos, sem variações de caráter e sem qualquer tentativa de provocar o motorista. Funciona bem, mas nunca instiga. Cumpre tabela com competência burocrática.

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O câmbio automático de oito marchas reforça essa personalidade algo anestesiada. As trocas são suaves, imperceptíveis e sempre orientadas à eficiência. O escalonamento é longo e o kickdown pouco incisivo. A lógica de funcionamento está claramente voltada ao conforto.

A suspensão traseira Multilink garante controle adequado da carroceria, estabilidade em curvas rápidas e comportamento neutro em mudanças de trajetória. Ainda assim, o acerto prioriza a eliminação de reações, não a comunicação. O Volkswagen Taos 2026 até faz curvas com segurança, mas passa longe de ser envolvente e "no chão".

A suspensão dianteira tem calibração que absorve irregularidades com competência, entregando um rodar firme, porém polido. O isolamento acústico, por sua vez, é eficiente, e a carroceria se mantém bem controlada. Tudo funciona, mas nada emociona. O carro filtra o asfalto a tal ponto que afasta o motorista da experiência de condução.

WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
WS SÃO PAULO 23/01/2026- VOLKSWAGEN TAOS 2026 - JORNAL DO CARRO - Fotos do Volkswagen Taos 2026 . FOTO:Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

A direção elétrica segue o mesmo padrão, com peso digno em velocidade, leveza em manobras e previsibilidade típica de filme do Universo Cinematográfico Marvel. Há uma ausência quase total de feedback. O volante até que cumpre sua função, mas não convida à interação.

Até o sistema de freios, correto e bem dimensionado, reforça essa sensação de eficiência sem personalidade. Tem progressividade, é seguro e sem variações, mas incapaz de adicionar qualquer camada emocional à condução.

Veredito

No fim, o Taos 2026 é um produto muito bem resolvido do ponto de vista técnico, mas deliberadamente desprovido de tempero dinâmico. É confortável, estável, seguro e fácil de conduzir. Como objeto de direção, contudo, é quase asséptico.

Em português mais claro, o Taos 2026 é um SUV que segue sem cometer erros crassos; só que não incomoda e não empolga. Faz tudo certinho, mas, ao contrário de Nivus, T-Cross e Tera, oferece pouco para conquistar fãs.

O SUV médio está mais para a mediocridade vencedora de Gwyneth Paltrow que para a genialidade nua e crua de uma Fernanda Montenegro. É o epítome de produto anódino.

Estadão
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