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GWM vai segurar preço de seus carros em 2026 mesmo com alta de impostos

Montadora afirma que mudança na regra para kits CKD e SKD não altera valores dos modelos montados em Iracemápolis e diz que estratégia industrial já previa o encerramento do incentivo

7 fev 2026 - 11h59
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A GWM vai segurar o preço de seus carros montados no Brasil no patamar atual. Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais da fabricante chinesa, garantiu com exclusividade ao Jornal do Carro que a tabela seguirá a mesma ao longo de 2026 mesmo com a retomada da cobrança integral de um tributo que afeta diretamente a companhia.

Desde o começo de fevereiro, o governo federal voltou a cobrar imposto de importação integral para kits desmontados e desmontados (CKD e SKD) usados para fazer carros no Brasil. Desde agosto de 2025, esses conjuntos chegavam ao Brasil com desoneração. Agora, a alíquota volta a variar de 18% a 20%.

Até a publicação desta matéria, a BYD não respondeu se manteria os preços. A empresa, entretanto, se reuniu na tarde da quarta-feira (4) com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC) Geraldo Alckmin. De acordo com a assessoria do MDIC, a reunião girou em torno dos investimentos da BYD no país. É de se considerar, no entanto, que um pedido para a manutenção da desoneração para kits importados possa ter entrado na pauta.

GWM eleva produção em Iracemápolis (SP)

Na GWM, a decisão de manter os preços vem acompanhada de outro movimento relevante: a abertura do segundo turno da fábrica de Iracemápolis (SP) em abril, que marca a fase de aceleração da produção local. Segundo a GWM, a estratégia industrial já estava desenhada antes mesmo da criação da isenção temporária, o que reduz o impacto do seu encerramento.

Isenção do imposto acabou, mas preços já estavam calculados

A isenção temporária foi criada em agosto de 2025 e permitiu a importação de kits CKD e SKD com alíquota zero por seis meses. A medida terminou no prazo previsto e os kits desmontados voltaram ao regime normal de tributação.

Em paralelo, corre o cronograma que leva à retomada da cobrança do imposto de importação de carros elétricos e híbridos importados montados. A alíquota integral, de 35%, voltará a ser cobrada em julho de 2026 (confira na arte a nomenclatura de cada tipo de montagem de veículo).

Contextualizando: o Governo Federal concedeu, a partir de agosto de 2025, isenção de US$ 463 milhões para as fabricantes chinesas que montavam carros no Brasil. Esse período de desoneração acabou no final de janeiro.

Desse montante, a cota da GWM correspondia a US$ 138 milhões (29,8%). No caso da GWM, porém, o impacto foi limitado. A montadora afirma que não formou preço considerando a isenção e que os custos atuais já refletem o modelo adotado desde a habilitação no programa Mover, em 2024.

"A gente não repassou a isenção nem para menos, nem para mais. O nosso cálculo sempre foi feito com base no sistema peça por peça. Qualquer variação de custo já estava prevista", diz Bastos.

Produção nacional entra em fase de aceleração

A fábrica de Iracemápolis entrou agora na fase de aceleração, com a ampliação da produção e a abertura do segundo turno em abril, prometeu Bastos. A unidade tem capacidade instalada para 50 mil veículos por ano e hoje concentra a fabricação de três modelos: Haval H6, H9 e Poer P30.

A GWM monta os seguintes carros no Brasil:

  • Haval H6 (híbrido e híbrido plug-in, em quatro versões);
  • H9 (SUV diesel);
  • Poer P30 (picape diesel).

Esses modelos passaram a ser montados localmente com operações completas de soldagem, pintura, montagem final e inspeção de qualidade, etapas que já contam como conteúdo local.

"Hoje, 100% dos carros que saem da nossa fábrica são soldados e pintados no Brasil. Isso envolve risco industrial e responsabilidade de qualidade, não é um carro que chega semi-pronto", afirma Bastos.

Conteúdo local ainda é baixo, mas cresce

Apesar do avanço industrial, o índice de nacionalização ainda é limitado, entre 10% e 20%, segundo a própria empresa. Esse percentual inclui as operações fabris, parte da engenharia, homologações e alguns componentes já localizados.

Entre os itens nacionalizados ou em processo estão:

  • bateria auxiliar de chumbo (a famosa bateria de 12V);
  • protetor de caçamba da picape Poer P30;
  • pneus e vidros (em desenvolvimento com fornecedores locais).

"O trabalho de localizar peças leva, em média, de um ano a um ano e meio. Começamos esse processo no ano passado e os primeiros resultados mais relevantes devem aparecer no segundo semestre", diz o executivo.

O que ainda é importado

Enquanto a produção local avança, outros modelos da GWM seguem importados completamente montados. É o caso das três versões do Ora 03, Wey 07 e Tank 300, que continuam sujeitos ao aumento gradual do imposto de importação, previsto no cronograma do governo.

Sobre esse ponto, a empresa ainda evita decisões antecipadas. "Existe um impacto tributário previsto a partir de julho, mas não há decisão tomada sobre repasse de preço. Isso está no radar, mas depende do cenário de mercado", afirma Bastos.

Estratégia protege preços no curto prazo

Segundo a GWM, a manutenção dos preços é sustentada por planejamento industrial, uso do regime de ex-tarifários — como o aplicado à bateria de tração, hoje importada com alíquota de 2% — e pela absorção interna de custos.

O regime de ex-tarifário é um mecanismo fiscal que permite a redução temporária do Imposto de Importação sobre bens de capital e itens de informática e telecomunicações, com alíquota que pode chegar a zero, desde que não haja produção nacional equivalente.

"A bateria é quase 30% do custo do carro. Conseguir o ex-tarifário foi uma boa notícia e ajuda a dar estabilidade ao projeto", diz Bastos.

Com isso, ao menos por ora, o fim da isenção de CKD e SKD não se traduz em aumento imediato para o consumidor, enquanto a montadora avança na consolidação da produção nacional.

Estadão
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