Strada lidera em janeiro, mas Tera e Tracker vendem mais no varejo
Dados da Bright Consulting revelam quais carros do Top 15 dependem do CNPJ e quais se sustentam no varejo no início de 2026
O ranking dos 15 carros mais vendidos de janeiro mostra um mercado dividido em dois mundos. De um lado, modelos fortemente dependentes de vendas diretas garantem volume e posições no topo. Do outro, carros como Volkswagen Tera e Chevrolet Tracker aparecem como exceções relevantes, sustentados pelo varejo, mesmo em um mês tradicionalmente dominado pelo CNPJ. Os dados são da Bright Consulting.
Strada passou de 10.500 registros; quase 7.000 em VD
Na liderança absoluta, o Fiat Strada soma 10.540 emplacamentos no mês. O número impressiona, mas ganha outro significado quando se observa o canal: 6.910 unidades vieram de vendas diretas. Na prática, cerca de dois terços do volume da picape compacta dependem de frotistas, locadoras, empresas e agricultores – um padrão já consolidado para o modelo.
Logo atrás, o cenário muda. O Volkswagen T-Cross, segundo colocado com 5.741 unidades, teve 3.163 emplacamentos em vendas diretas. A participação é relevante, porém mais equilibrada, indicando um SUV que ainda tem grande consistência no varejo, apesar da presença corporativa.
O Fiat Argo, terceiro no ranking com 5.178 unidades, registrou 3.029 vendas diretas. É um hatch que segue muito exposto ao CNPJ, mas que ainda mantém um volume expressivo de pessoa física, o que é cada vez mais raro no segmento de entrada. É importante destacar que no levantamento da Bright o Volkswagen Polo aparece somente com a variação Polo Track.
Volkswagen Tera continua impressionando no varejo
O dado mais simbólico do mês aparece na quarta posição. O Volkswagen Tera, com 4.992 emplacamentos, teve apenas 1.327 unidades em vendas diretas. Isso significa que a maior parte das vendas veio das concessionárias, um desempenho atípico entre os líderes de janeiro. O consumidor final é o forte do SUV urbano antes de completar um ano no mercado.
Fechando o Top 5 da Bright Consulting, o Chevrolet Onix soma 4.948 unidades, das quais 2.104 foram destinadas a vendas diretas. O hatch segue em uma posição intermediária – nem excessivamente dependente de frotas, nem totalmente sustentado pela pessoa física.
Entre os SUVs médios e compactos, os contrastes ficam ainda mais claros. O Chevrolet Tracker, com 4.532 emplacamentos, teve apenas 847 unidades em vendas diretas, cerca de 19% do total. É um dos carros menos dependentes de CNPJ em todo o Top 15, o que ajuda a explicar sua presença constante entre os líderes mesmo sem grandes campanhas corporativas. Mas também mostra que a GM pode estar focando na rentabilidade e não no volume.
O Jeep Compass, com 4.505 unidades, mostra o efeito oposto: 2.622 vendas diretas, mais da metade do volume. O Hyundai Creta – tricampeão absoluto nas vendas de varejo – aparece com 4.430 unidades, porém apenas 525 em vendas diretas.
Fiat Mobi teve apenas 166 vendas registradas no varejo
O caso mais extremo do ranking é o Fiat Mobi. Das 3.530 unidades vendidas em janeiro, 3.364 foram em vendas diretas. Na prática, o hatch quase não existe no varejo neste início de ano, funcionando majoritariamente como produto corporativo.
Outro exemplo de forte dependência é o Toyota Hilux. Foram 4.110 emplacamentos, praticamente todos registrados como vendas diretas – um reflexo direto do perfil profissional e rural da picape média.
Entre os demais modelos, o Hyundai HB20 (4.064 / 943 diretas), o Fiat Fastback (3.928 / 1.037) e o Fiat Pulse (3.194 / 931) mostram uma dependência menor do CNPJ, enquanto o Volkswagen Polo Track – único Polo considerado nos dados – aparece com 3.424 unidades, sendo 1.723 em vendas diretas. Importante notar que não entram aqui os números do Novo Polo, o que limita a leitura sobre a família.
Fonte: Bright Consulting