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Mudanças tecnológicas no setor automotivo exigem evolução das oficinas no Brasil

Para Philippe Colpron, head da ZF Aftermarket, capacitação, digitalização e menos erro na reposição são decisivos para o futuro do bom serviço prestado por mecânicos

11 fev 2026 - 19h00
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Em meio a transformações aceleradas no setor automotivo — como eletrificação, digitalização e a chegada de novos fabricantes — a ZF Aftermarket diz buscar fortalecer o mercado independente de reposição e as oficinas como pilares da mobilidade.

Oficinas terão de se adaptar: carros antigos e novos dividirão espaço nos pátios
Oficinas terão de se adaptar: carros antigos e novos dividirão espaço nos pátios
Foto: Divulgação | / Estadão

Quem fala a respeito é Philippe Colpron, head global da ZF Aftermarket, que vê o Brasil como um mercado-chave nesse processo. "A sociedade precisa de mobilidade em qualquer lugar do mundo. E, apesar de todas as mudanças tecnológicas, a mobilidade continuará sendo essencial", afirma.

Segundo ele, em um país de grandes distâncias como o Brasil, o papel das oficinas independentes é ainda mais relevante. "É fundamental que esse ecossistema continue crescendo de forma forte e sustentável."

Frota mais antiga requer preparação maior

Na avaliação de Colpron, uma das principais diferenças entre o Brasil e a Europa está na idade da frota circulante. "O Brasil manteve veículos mais antigos em uso por mais tempo. Já na Europa, por questões econômicas e ambientais, a frota é mais nova", explica.

Esse cenário cria um desafio adicional para oficinas e mecânicos.

Para ele, a sobrevivência das oficinas depende dessa adaptação. "Se quiserem ter um futuro sustentável, elas precisam lidar com essa complexidade."

Treinamento como base da estratégia

Para apoiar essa transição, a ZF aposta fortemente em capacitação. "O treinamento é uma convicção nossa", afirma Colpron. "Já treinamos mais de 1 milhão de mecânicos no mundo nos últimos dez anos."

No Brasil, os programas de capacitação evoluíram do formato presencial para o digital. "Hoje usamos treinamentos online, vídeos e redes sociais, criando comunidades onde os mecânicos aprendem e também trocam experiências entre si", explica.

Segundo ele, a educação vai além do produto. "Não se trata apenas de saber trocar uma peça. Em carros mais novos, muitas operações exigem ferramentas de diagnóstico. Hoje, não é possível nem trocar uma pastilha de freio sem seguir procedimentos eletrônicos", diz.

Nas oficinas, menos erro é menos custo

Outro ponto central da estratégia da ZF é reduzir falhas na identificação de peças, um problema comum no aftermarket. "Parte importante do custo de uma oficina ou distribuidor está nos erros de compra, troca ou devolução de peças", afirma Colpron.

Segundo ele, a má manutenção pode sair caro. "Há dados que mostram que uma parcela significativa dos acidentes está relacionada a manutenção inadequada, com prejuízos que podem chegar a dezenas de milhares de reais", diz. "No fim, a peça de melhor qualidade costuma ter o menor custo total."

IA ainda no começo

A ZF já utiliza inteligência artificial em algumas frentes, mas Colpron afirma que o potencial está longe de ser totalmente explorado. "Estamos apenas no topo do iceberg", diz.

Hoje, a tecnologia ajuda desde a gestão de frotas até a identificação de lacunas no portfólio de produtos. "Usamos IA para antecipar custos, apoiar diagnósticos nas oficinas e até para indicar quais peças deveriam estar em estoque em determinada região", explica. "Mas ainda há muito espaço para crescer."

Aftermarket como divisão estratégica

Ao contrário da visão de que a reposição seria apenas um complemento do negócio, Colpron destaca que o Aftermarket é uma divisão estratégica dentro do grupo ZF. "Temos nossa própria estrutura, com engenharia, logística, produção, tecnologia da informação e digitalização", afirma.

Segundo ele, a abertura de um centro de digitalização em Campinas reforça a importância do Brasil nessa estratégia. "O Aftermarket faz parte das discussões centrais do grupo sobre o futuro da mobilidade."

Um ecossistema mais conectado

Para Colpron, o grande desafio do setor não é a ruptura, mas a integração. "A cadeia continua a mesma: distribuidor, mecânico e usuário final. O que precisa melhorar é a conexão entre eles", afirma.

A ZF trabalha para criar um ecossistema mais colaborativo, integrando peças, serviços e plataformas digitais. "Queremos apoiar distribuidores para serem mais eficientes, oficinas para terem mais credibilidade e frotas para operarem com segurança e economia", diz.

O objetivo final é claro: reduzir o tempo em que o veículo fica parado. "Chamamos isso de 'mobility uptime'. Quanto menor o tempo de imobilização do veículo, melhor para todos", conclui.

Estadão
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