'Montadoras chinesas têm seu espaço', diz novo presidente da Volvo Cars
Marcelo Kronemberger assume liderança da companhia para o Brasil e a América Latina e avalia que novas montadoras são porta de entrada aos carros elétricos
Em quase 20 anos de atuação no mercado brasileiro, a Volvo Cars posicionou-se como uma das pioneiras na oferta de modelos eletrificados (híbridos e elétricos). Agora, o cenário é outro: a presença dessas tecnologias cresce rapidamente, impulsionada pela chegada agressiva de novas concorrentes. O movimento, no entanto, não assusta a companhia.
"Montadoras chinesas têm seu espaço", afirma Marcelo Kronemberger, que acaba de assumir a presidência da companhia no Brasil — função que acumula com a liderança da organização na América Latina. "Os produtos dessas marcas podem, inclusive, ser uma porta de entrada para o universo elétrico", respondeu o executivo em entrevista por e-mail ao Jornal do Carro, ao ser questionado sobre a ofensiva de marcas do país asiático no mercado local.
Vale notar que a relação da Volvo com o mercado chinês é intrínseca. Desde 2010, a marca sueca é controlada pelo Grupo Geely, que já opera com marca própria no Brasil. Além disso, o consumidor brasileiro conta com a Zeekr, que pertence ao mesmo grupo e atua como concorrente direta da Volvo no segmento premium.
Recorde de vendas e lançamentos para 2026
Kronemberger assume a operação brasileira no lugar de Marcelo Godoy, que passa a atuar como head de vendas, planejamento e logística para a região. O novo comando chega após um ano histórico: em 2025, a Volvo vendeu 9,7 mil carros no País, um crescimento de 12% em relação a 2024.
O plano agora é consolidar a vice-liderança do segmento premium, mantendo a perseguição à líder BMW. Para isso, a fabricante aposta em lançamentos de peso ao longo de 2026. Em janeiro, chegou ao mercado a versão Ultra Twin Motor do EX30, com 428 cv. Ainda este ano, a marca estreia no segmento de sedãs de luxo com o elétrico ES90 e reforça a linha SUV com o EX60, que tem na autonomia um de seus grandes atributos: são 810 km.
Gestão de crise: o recall do EX30
Nem tudo, porém, é celebração. O novo presidente terá de gerenciar de imediato a crise causada por um defeito de fabricação no EX30, modelo que teve 5,6 mil unidades vendidas no Brasil. Devido a um risco de incêndio, o veículo atualmente só pode ser carregado até 70% da capacidade da bateria até que o reparo seja concluído.
"Faremos todo o possível para conduzir esta ação sem inconvenientes desnecessários para o cliente. Pedimos desculpas pelo transtorno", afirma Kronemberger. Ciente do desafio, o executivo deixa claro que, antes de acelerar rumo ao futuro elétrico, a Volvo precisa garantir a segurança e a confiança de quem já apostou na marca.