Grupo Hyundai negocia assumir operação da Kia e construir fábrica para encerrar dívida bilionária
Gigante sul-coreana pode ter controle total da Kia, encerrando a representação do Grupo Gandini; José Luiz Gandini nega que o acordo tenha sido fechado e Hyundai ainda não se manifestou
Após assumir completamente suas próprias operações no País — que antes eram divididas em regime de parceria com o Grupo CAOA —, o Grupo Hyundai repete a estratégia de consolidação global e negocia o controle direto das operações da Kia no Brasil. A informação em primeira mão é do jornalista João Anacleto.
Caso essa negociação se confirme, o tradicional Grupo Gandini deixa de ser o representante oficial da marca após décadas de atuação na importação de veículos. A transição envolve cifras altas e uma complexa engenharia jurídica junto a Brasília.
Como contrapartida para a liquidação de um passivo tributário e financeiro que já se arrastava por cerca de trinta anos, o Grupo Hyundai assumiria o compromisso formal de erguer uma nova fábrica em solo brasileiro. Até a publicação desta reportagem, a Hyundai do Brasil não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors Brasil e responsável por distribuir os carros da marca localmente há 34 anos, nega que qualquer acordo tenha sido fechado. "Essa negociação sobre a dívida da Asia Motors ocorre há 20 anos. O que muda agora é o surgimento da nova legislação que eles poderiam aproveitar", diz o empresário em entrevista ao Jornal do Carro. Ainda assim, nenhum martelo foi batido e não há prazo específico para essa decisão, reitera.
O que estaria na mesa seria a isenção do pagamento dos débitos da antiga empresa mediante a construção de uma fábrica de carros da Kia no Brasil. A questão, lembra Gandini, é que o estabelecimento de uma planta produtiva local pode não ser viável para a marca no momento atual, de grande concorrência no mercado interno com a chegada de novas empresas chinesas. "Eles precisam avaliar se faz sentido", lembra.
Ademais, a reconfiguração atingirá diretamente os pontos de venda. Fontes do mercado apontam para a adoção de um modelo de concessionárias compartilhadas. Seguindo a bem-sucedida experiência corporativa de grandes conglomerados como a Stellantis (que une Fiat e Jeep ou Peugeot e Citroën sob o mesmo teto). O movimento promete inaugurar uma era de competitividade agressiva, mirando diretamente o avanço das novas montadoras chinesas instaladas no País.
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