MG quer ter 'fábrica completa' no Brasil e pretende explorar novos segmentos
Grupo SAIC estuda ter uma fábrica além da PACE no país dentro de dois anos e avalia modelos de categorias distintas para expandir atuação no país
A MG Motor movimenta suas peças no mercado brasileiro. Na esteira do lançamento do MG4 Urban, a empresa diz que pretende ampliar sua operação industrial no Brasil e já estuda avançar além da produção anunciada no Ceará.
Segundo Thiago Marques, diretor de marketing e produto da fabricante no país, o grupo SAIC trabalha com a possibilidade de ter uma fábrica completa em território nacional dentro de dois anos.
"Temos ambição ainda maior do que essa produção no Ceará. A SAIC tem um planejamento muito sólido para 2027 e 2028. É uma possibilidade termos uma fábrica completa", afirmou o executivo.
Marques não revelou qual seria o investimento necessário nem onde a nova estrutura poderia ser instalada. A eventual expansão, salientou, depende dos estudos conduzidos pela empresa e do desempenho da operação brasileira nos próximos anos.
Segundo o diretor, a empresa desembarcou no Brasil para conhecer melhor o mercado e identificou potencial de crescimento, sobretudo entre os veículos eletrificados. Não à toa, a expansão passa pelo lançamento de quatro novos SUVs híbridos entre 2027 e 2028, além de apresentar outros produtos ao longo desse período.
Uma das possibilidades é o MG HS, SUV médio com porte de GWM Haval H6. No exterior, o veículo dispõe de versões híbrida convencional e híbrida plug-in.
"No caso dos híbridos, existe [a possibilidade] do HS. Temos um portfólio totalmente novo, pronto. Estamos em estudos profundos para entender quais modelos trazer para o Brasil", afirmou Marques.
A reportagem aposta ainda no ZS, SUV compacto que poderia fazer frente ao Toyota Yaris Cross. Além desses dois produtos, a MG pode comercializar por aqui carros da Roewe, outra das submarcas do grupo SAIC.
Vale lembrar que os carros da empresa já são comercializados com insígnia MG no mercado externo. Desse modo, os veículos da Roewe chegariam a fim de cumprir o objetivo de diversificar ainda mais a oferta da MG no Brasil.
"A SAIC entende que, sim, existem diversas possibilidades. Uma prova disso é a chegada da IM, uma marca tão recente e que foi um pedido do mercado brasileiro", declarou Marques.
A composição da futura linha brasileira, no entanto, será definida de acordo com a demanda. Segundo o executivo, a empresa pretende analisar as características do mercado antes de confirmar cada lançamento.
Tanto é que, antes de avançar sobre novas tecnologias e categorias, a empresa usará o MG4 Urban para buscar maior volume. O hatch coloca a marca em uma faixa de preços mais competitiva, hoje ocupada por modelos como BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT.
"Para ganhar mercado, trouxemos o Urban e vamos começar a entender [a demanda]. Em breve, vamos surpreender e trazer os híbridos da MG ao Brasil. Teremos mais coisas para mostrar no ano que vem", antecipou.
Compacto mais acessível e picapes também estão no radar
Outro produto avaliado é o MG Go, protótipo apresentado recentemente pela fabricante em Goodwood, na Inglaterra. O modelo antecipa uma possível opção elétrica menor e mais acessível dentro da gama, característica que poderia aproximá-lo de uma das categorias mais importantes do mercado brasileiro.
"O MG Go tem espaço no mercado brasileiro. É um carro de que o brasileiro gosta, então essa é mais uma possibilidade", afirmou Marques.
A versão de produção deve chegar ao mercado em 2027, posicionada abaixo do MG4. Com visual retrô, seria um modelo capaz de rivalizar com BYD Dolphin e outros modelos elétricos do segmento de entrada.
A SAIC também acompanha o desempenho das picapes, segmento que ganhou novos participantes e passou a concentrar investimentos de diferentes fabricantes no Brasil. Embora ainda não tenha definido qual produto poderia ser oferecido por aqui, o grupo possui alternativas dentro de seu portfólio global.
Uma dessas possibilidades está na Maxus, subsidiária da SAIC concentrada em veículos comerciais, vans e picapes. A chegada da marca permitiria ao grupo atuar tanto entre consumidores particulares quanto no transporte de cargas e nas vendas para empresas e frotistas.
Além da MG, bom lembrar que a Maxus já terá de qualquer modo ligação direta com um produto importante para a América do Sul. A Terron 9 servirá de base para a vindoura Volkswagen Amarok.
"A Maxus é mais uma possibilidade aberta, mas depende do mercado e do plano de expansão da MG no Brasil", explicou Marques. O executivo, inclusive, fez questão de apontar para o crescimento do segmento de picapes no país.
O diretor também reconheceu a importância dos incentivos públicos para o avanço da indústria automotiva, mas ressaltou que o planejamento da SAIC não está condicionado à manutenção de políticas específicas.
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