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BYD pode pagar R$ 180 milhões por vender carros com ano errado na Austrália

Mais de 1.200 clientes compraram carros fabricados 2026, mas receberam unidades feitas em 2025; a BYD assumiu a falha, alegando ser um "erro administrativo"

16 jul 2026 - 10h01
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A BYD poderá ter que desembolsar cerca de R$ 178 milhões para reembolsar clientes na Austrália após um erro na data de fabricação registrada nos documentos de 1.265 veículos. Os compradores acreditavam estar adquirindo carros produzidos em 2026, mas receberam modelos fabricados em 2025.

Ao descobrir a falha, que a empresa chamou de "erro administrativo", a BYD passou a contatar os clientes oferecendo um reembolso de 1.100 dólares australianos (aproximadamente R$ 3.919, na cotação direta).

O que aconteceu

No caso, a BYD utilizou, por engano, a data em que os veículos deixaram o pátio da fábrica como data de fabricação. A confusão, que segundo a própria montadora foi causada por uma falha humana, fez com que os modelos fossem vendidos como produzidos em 2026, quando, na realidade, haviam sido fabricados em 2025.

Embora o ano-modelo dos veículos permaneça o mesmo, o ano de fabricação pode influenciar o valor de revenda e até o custo do seguro. Por isso, muitos consumidores consideraram que receberam um produto diferente daquele que esperavam adquirir.

Segundo clientes ouvidos pela ABC australiana, o sentimento foi de enganação. "É muito antiético, parece uma tática muito barata para mim", disse Zoheb Khan, cliente de Melbourne ouvido pela emissora.

A montadora chinesa se defende: "Este é um erro administrativo lamentável, e pedimos desculpas aos clientes afetados pelo incômodo que isso causou", disse a BYD em resposta ao site australiano The Drive.

Inicialmente, a fabricante ofereceu uma compensação de 1.100 dólares australianos. Depois, passou a permitir que os clientes escolhessem entre aceitar esse valor ou solicitar o reembolso integral do veículo. Caso todos optem pela segunda alternativa, estima-se que a montadora terá que devolver aproximadamente 50 milhões de dólares australianos, o equivalente a cerca de R$ 178 milhões.

A Comissão Australiana de Concorrência e Consumidor (ACCC) foi acionada para investigar se a conduta da BYD pode ser enquadrada como uma tentativa de induzir os consumidores ao erro. No entanto, o órgão ainda não se pronunciou sobre o caso.

À ABC, a ACCC informou que os clientes podem registrar uma reclamação junto à própria entidade e ao órgão de proteção ao consumidor de seu estado caso não consigam resolver o problema por meio das negociações propostas pela BYD.

Estadão
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