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Brasil vira mercado estratégico da KTM após resgate bilionário da Bajaj

Presidente global da fabricante indiana diz que País será um dos três primeiros mercados a implementar a nova estratégia da KTM após aporte de 800 milhões de euros que evitou a falência da marca austríaca

15 jul 2026 - 11h06
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O mercado de motos no Brasil está em alta e foi escolhido como um dos três mercados estratégicos da nova fase da KTM após o resgate financeiro promovido pela Bajaj Auto. A informação foi confirmada por Rakesh Sharma, diretor da joint-venture formada agora pela Bajaj Auto, durante evento realizado na última segunda-feira (9), quando a Bajaj anunciou que assumirá as operações comerciais da KTM e da Husqvarna no País.

Segundo o executivo, Brasil, México e Filipinas serão os primeiros mercados a colocar em prática a estratégia global que busca acelerar a recuperação da fabricante austríaca. A iniciativa prevê o compartilhamento de estruturas comerciais, pós-venda, logística e desenvolvimento de rede entre as marcas, preservando a identidade e o posicionamento independentes da KTM e da Husqvarna, marca austríaca de motos que também foi adquirida pela Bajaj.

"É um dia histórico. Não apenas para o Brasil, mas para a KTM e para a Bajaj em nível global", afirmou Sharma durante a coletiva de imprensa.

A escolha do Brasil reforça a importância que a operação local ganhou dentro do grupo indiano. Em pouco mais de três anos de atuação direta no País, a Bajaj alcançou cerca de 60 mil motocicletas vendidas, construiu uma rede com 73 concessionárias e se consolidou entre as maiores marcas do mercado nacional. Nas vendas acumuladas do ano, a Bajaj aparece na sexta posição, com 1,54% de participação de mercado, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Durante o evento, a empresa informou que pretende chegar a 90 lojas até o fim deste ano.

Como a Bajaj salvou a KTM?

O executivo também detalhou pela primeira vez os bastidores da operação que garantiu a sobrevivência da KTM. De acordo com Sharma, a fabricante austríaca enfrentou uma combinação de fatores que levou à deterioração de sua situação financeira.

Entre eles estavam o colapso do mercado de bicicletas elétricas após a pandemia, a retração dos segmentos de motos esportivas premium na Europa e nos Estados Unidos e a alta das taxas de juros nos principais mercados globais.

A situação se agravou em 2024, quando a KTM passou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos com fornecedores e manter suas operações. Em novembro daquele ano, a empresa recorreu à justiça austríaca para conduzir um processo de recuperação supervisionada.

Segundo Sharma, os credores aceitaram receber cerca de 30% dos valores devidos, reduzindo significativamente a dívida da companhia. Ainda assim, era necessário um aporte imediato para evitar a liquidação da marca.

Foi nesse momento que a Bajaj decidiu assumir o protagonismo da operação. O grupo organizou um financiamento de 800 milhões de euros, dos quais cerca de 600 milhões de euros foram destinados ao pagamento dos credores. O valor foi transferido apenas um dia antes do prazo final determinado pela justiça austríaca.

"Se o dinheiro não fosse pago, a KTM seria vendida em partes e declarada falida", afirmou o executivo.

Com a operação concluída e após a aprovação dos órgãos reguladores europeus, a Bajaj passou a controlar 75% da KTM, tornando-se sua principal acionista.

Brasil terá papel central na recuperação

Apesar da participação majoritária, Sharma afirmou que a estratégia não é transformar a KTM em uma extensão da Bajaj.

"O valor da KTM está em sua própria filosofia, em sua própria cultura e em sua expertise. Não queremos 'bajajizar' a KTM", disse.

A ideia, no entanto, é aproveitar a estrutura global da fabricante indiana para aumentar a eficiência operacional da marca austríaca. No Brasil, isso significará o compartilhamento de áreas como vendas, marketing, peças, serviços, desenvolvimento de rede e logística.

A expectativa da empresa é reduzir custos, ampliar a cobertura da rede de concessionárias e acelerar a expansão do portfólio da KTM no mercado brasileiro. Segundo Waldyr Ferreira, CEO e presidente da Bajaj do Brasil, a entrada das motocicletas street da KTM terá papel fundamental nesse processo.

"A KTM está entrando em uma nova era. Queremos acelerar a expansão, aumentar o portfólio e tornar a marca ainda mais relevante no mercado brasileiro", afirmou.

Além da integração comercial, a KTM também prepara uma nova fábrica em Manaus (AM). A produção será realizada em uma unidade independente da operação Bajaj, mas compartilhando estruturas de apoio e logística para gerar ganhos de escala.

Para a Bajaj, a combinação entre a força da KTM no segmento premium e a rápida expansão da operação brasileira pode transformar o País em uma das principais vitrines da nova fase da fabricante austríaca.

Estadão
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