Entenda por que o novo Argo é lançamento mais importante da Fiat desde o Uno
Oferecido na Europa como Grande Panda, hatch vai estrear no Brasil ainda em 2026
Carros mais importantes nos 50 anos da Fiat no Brasil, Uno (1984) e Palio (1996) receberão a companhia do novo Argo no panteão dos modelos fundamentais na história da marca italiana no mercado nacional.
Tão importante que abriu mão de sua alcunha global, Grande Panda, para adotar o nome do trivial hatch lançado há exatamente nove anos, e que hoje é o quarto veículo mais emplacado do país e o segundo mais vendido da marca, atrás apenas da picape Strada.
Como é o novo Argo
Em breve contato com o Grande Panda na sede americana da Stellantis (Auburn Hills, Michigan) durante o Investor Day da Stellantis, o Jornal do Carro pôde desvendar uma prévia do novo Argo. O modelo será lançado ainda em 2026, em compasso com as comemorações pelos 50 da Fiat no Brasil, onde estreou em 9 de julho de 1976 em Betim, Minas Gerais, produzindo o 147.
Não é preciso mesmo de muito tempo com o Grande Panda/Argo para sacar que seu apelo é o lúdico. Difícil encontrar um adjetivo que defina seu exterior, com jeito de carro de game dos anos 1980, como se chanfrado em todas as faces.
Seu conjunto ótico - sobretudo o frontal, uma espécie de reunião de pixels - parece de fato um atestado explícito de que sua vocação é exatamente essa: romper com o padrão estético vigente com uma abordagem digital, pop e até festiva.
A cabine está longe de ser refinada, mas é divertida e jovial. O aproveitamento de espaço traz soluções originais, como os compartimentos acima do porta-luvas. A peça amarela de acrílico emoldurando a central multimídia e o painel digital talvez canse em pouco tempo, mas é o atestado de que ao volante de um Grande Panda não se quer guerra com ninguém.
Por falar em volante, trata-se de uma peça de ótima empunhadura, simpática e imponente como há tempos a marca não fazia. O acabamento é realmente simples, mas a boa montagem das peças e a colorida combinação de cores tornam a cabine do Grande Panda um ambiente agradável.
De certo modo, o novo Argo delineia o início de uma nova era na Fiat, ao lado de Jeep, Ram e Peugeot uma das quatro marcas agora globais da Stellantis, destino de 70% dos investimentos da empresa em novas tecnologias até 2030.
Como o Fiat Panda nasceu
O Panda foi lançado em 1980 para dar início à nova era de carros populares da Fiat, sucedendo os icônicos 500 (1957) e 126 (1972). Qualquer semelhança visual com o Uno não é mera coincidência: ambos foram desenhados pelo mago Giorgetto Giugiaro, que também tem no currículo a autoria de ícones como Lotus Esprit, Maserati Ghibli, DeLorean DMC-12 e Volkswagen Passat.
Compacto por fora e espaçoso por dentro, o Panda esbanjava versatilidade com seu banco traseiro gentil o bastante para se dobrar e virar uma cama. Também podia ser removido, ampliando o espaço para se carregar objetos maiores. Cobriam os bancos capas removíveis para lavagem, assim como o forro das portas.
Com a versão Elettra, de 1990, o Panda flertou com a eletricidade muito antes do avanço em curso dos híbridos e elétricos. Dotado de 12 baterias de chumbo-ácido acomodadas sob o capô e no porta-malas, rodava cerca de 95 km com uma carga e não passava dos 70 km/h. Resistiu até 1998.
Entre as versões especiais, a Italia 90 se destaca pelas rodas temáticas - naquele ano, o país sediava a Copa do Mundo. Ainda mais rara é a Selecta, equipada com um câmbio automático e que não passou das 200 unidades.
Modesto no tamanho e grandioso na personalidade, foi para a marca italiana o que o 4 e o 2CV significaram para Renault e Citroën, respectivamente: transporte barato para as massas.
Em 2003, a primeira geração se despediu após acumular mais de 4 milhões de unidades vendidas; a segunda foi até 2012, quando deu lugar à terceira, esta substituída pela atual quarta em 2025.
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