Ferrari Luce faz sucesso na China mesmo custando três vezes mais que a concorrência
Apesar do visual polêmico, chineses abraçam a novidade e demonstram forte interesse no primeiro elétrico da história da Ferrari
A Ferrari Luce recebeu uma enxurrada de críticas na internet. Alguns criticaram o fato de ela ser elétrica, enquanto outros reprovaram o visual, que passa longe de seguir o tradicionalismo da marca. Mas, na China, a primeira Ferrari elétrica parece ter feito sucesso.
Isso pode significar que nem todas as unidades foram vendidas ou que a Ferrari disponibilizou mais exemplares para o mercado chinês. O fato é que os consumidores do país não compartilharam da mesma opinião dos ocidentais e receberam o carro de forma muito mais positiva.
Vendas da Ferrari podem passar por retomada na China
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, admitiu o "forte interesse" dos chineses pela Luce, revelando que os primeiros depósitos foram realizados poucos dias após a apresentação oficial.
O desempenho pode representar uma mudança importante para a Ferrari no maior mercado automotivo do mundo. Desde 2022, quando vendeu 1.500 unidades, a marca italiana não consegue repetir um bom resultado na China. No ano passado, foram apenas 900 emplacamentos.
As taxas locais sobre modelos a combustão de alta potência dificultavam as vendas no país, um obstáculo que pode ser contornado com o novo esportivo elétrico.
Ferrari Luce vai concorrer com esportivos chineses
Apesar do bom início, a Ferrari ainda enfrenta um desafio relevante: competir em um mercado repleto de esportivos elétricos nacionais muito mais baratos e igualmente rápidos.
A Luce estreou na China por 3.988.000 yuans, cerca de R$ 3,05 milhões. Classificado pela própria Ferrari como um grand tourer, o modelo está muito distante do preço de veículos chineses de proposta semelhante, como o Denza Z9 GT.
Seu preço fica mais próximo ao de superesportivos, como o BYD Yangwang U9, que custa 1,8 milhão de yuans (cerca de R$ 1,3 milhão), e o GAC Hyptec SSR, vendido por 1,2 milhão de yuans (aproximadamente R$ 986 mil).
Além disso, ambos os chineses superam com folga os 1.050 cv da Ferrari Luce. O Yangwang U9 entrega 1.304 cv, enquanto o Hyptec SSR chega a 1.223 cv.
O desempenho da Ferrari também fica ligeiramente abaixo, acelerando de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, contra cerca de 2,3 segundos dos rivais chineses.
Mais do que números de potência ou aceleração, o sucesso da Luce na China dependerá da força da marca Ferrari. Em um mercado que já abraçou os elétricos de luxo, o prestígio da fabricante italiana pode ser seu principal diferencial diante dos concorrentes locais.
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