Crise leva Porsche à reestruturação e montadora garante que 911 não será 100% elétrico
O novo CEO, Michael Leiters, afirma que a Porsche se tornará mais eficiente para reverter a queda em seus resultados
A Porsche, assim como o restante do grupo Volkswagen, vem passando por uma crise desde 2025. A queda nos lucros atingiu números alarmantes de apenas 1,1%, após um 2024 animador. Isso se deve principalmente à taxa para carros europeus nos EUA, um grande mercado para a marca, à baixa venda dos carros elétricos e à ascensão agressiva dos carros chineses.
O CEO da marca, que assumiu em 1º de janeiro, Michael Leiters, insiste que a empresa sabe o que é necessário para sair dessa situação. A estratégia se baseia em três frentes: Marca e Cliente, Produtos e Tecnologia, e Empresa e Operações. A ideia é recuperar a identificação da marca com seus clientes.
"Precisamos reinventar o 'Made in Germany' e provar o nosso valor", disse Leiters. "Em última análise, isso determinará se teremos sucesso."
O segundo pilar concentra-se nos produtos, que Leiters considera o mais importante na situação atual. Ele admite que a gama de produtos se tornou muito complexa e que é preciso reduzir o número de variantes. Nos EUA, a montadora já descontinuou duas versões do Taycan Station Wagon. A empresa também reafirmou seu compromisso em manter motores a combustão e híbridos, mas sem abandonar a eletrificação.
Neste cenário, o carro-chefe da empresa, o 911, não terá uma versão totalmente elétrica. Em vez disso, a tendência é que os modelos tenham cada vez mais sistemas híbridos de alto desempenho, vistos como primordiais para manter o icônico carro vivo. Em relação à eletrificação, apesar da baixa venda, seguem vivas as esperanças no Cayenne Elétrico, versão que a marca espera transformar em seu carro-chefe nesse segmento.
O último pilar é realmente enxugar a estrutura. A Porsche promete maior compartilhamento com outros produtos do Grupo VW, mais eficiência e menos complexidade. Também estão sendo discutidas reduções de pessoal e outras medidas de corte de custos. Leiters promete que os cortes serão mais profundos do que os anunciados no ano passado, já que aqueles não foram suficientes.
"Estamos focados em disciplina, prioridades claras e na implementação sistemática das medidas necessárias", disse o presidente do Conselho de Supervisão, Dr. Wolfgang Porsche, ecoando os comentários de Leiters. "Essas medidas serão bastante perceptíveis e, em alguns casos, desconfortáveis. No entanto, são necessárias para nos colocar de volta no caminho do sucesso."
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