Dona da Fiat cria plataforma global para reduzir custos e enfrentar pressão chinesa
Nova arquitetura global estreia em 2027 com a promessa de reduzir custos, acelerar lançamentos e sustentar mais de 30 modelos de diferentes segmentos e motorizações
A Stellantis revelou nesta quinta-feira, 21, a STLA One, sua nova plataforma global. A arquitetura nasce com a missão de ser uma das principais peças da nova fase da companhia. O plano é lançar a base já no ano que vem.
O anúncio da nova plataforma ocorreu durante o Investor Day da companhia, realizado em Auburn Hills, nos Estados Unidos, no mesmo evento em que o grupo apresentou o plano Fastlane 2030, estratégia que prevê cerca de R$ 350 bilhões em investimentos até o fim da década.
A STLA One foi desenvolvida para veículos dos segmentos B, C e D, o que significa que poderá servir de base para compactos, SUVs pequenos, médios e modelos de maior porte. A companhia pretende usar a solução como base para mais de 30 modelos.
O objetivo, contudo, vai além de criar uma nova arquitetura. A Stellantis tenta atacar de uma só vez o excesso de plataformas, o alto custo de desenvolvimento e a dificuldade para dar escala global a produtos de marcas diferentes.
Com a STLA One, a empresa pretende reduzir complexidade, acelerar projetos e ampliar o compartilhamento de componentes. Até 2030, a meta é que metade do volume global da Stellantis esteja concentrada em apenas três plataformas globais, com até 70% de reutilização de peças.
Tal significa menos variação industrial e um maior poder de negociação com fornecedores. É uma tentativa de aproximar a Stellantis do nível de eficiência de rivais mais enxutos, especialmente em um momento em que marcas chinesas avançam com custos menores e ciclos de desenvolvimento cada vez mais curtos.
A companhia fala em ganho de 20% em eficiência de custos com a STLA One. Parte disso virá justamente da modularidade. A plataforma foi pensada para receber diferentes tipos de motorização, incluindo combustão, híbridos, híbridos plug-in e elétricos. A diferença, segundo a Stellantis, é que a arquitetura não foi simplesmente adaptada para aceitar tudo, mas concebida para atender cada tipo de propulsão com mitigação de perda de eficiência.
Justamente por isso, aqui temos um ponto importante. Isso mostra que a Stellantis não pretende abandonar tão cedo os motores a combustão. Adota uma abordagem mais conservadora, mais realista para mercados como América Latina, Oriente Médio, África e partes da Europa.
A STLA One também será a primeira plataforma da empresa preparada para integrar três tecnologias-chave do grupo. A STLA Brain é a nova arquitetura eletrônica e de software da Stellantis. O SmartCockpit concentra a experiência digital a bordo, enquanto o steer-by-wire troca parte das conexões mecânicas da direção por comandos eletrônicos.
O pacote coloca a STLA One como principal trunfo da Stellantis no transformar seus carros em produtos mais atualizáveis, conectados e personalizáveis. O desafio será fazer isso sem elevar demais o custo final, principalmente em modelos de entrada e intermediários.
Arquitetura elétrica e Brasil
A estratégia de baterias segue a mesma lógica de custo. A Stellantis pretende ampliar o uso de baterias de fosfato de ferro-lítio, mais baratas e menos dependentes de matérias-primas críticas.
A plataforma também aceitará integração cell-to-body, solução em que a bateria passa a fazer parte da estrutura do veículo, reduzindo peso e diminuindo a complexidade de montagem. Além disso, a STLA One é compatível com arquitetura elétrica de 800 V.
Para o Brasil, ainda não há confirmação de uso da STLA One em futuros produtos locais. No entanto, o perfil da plataforma chama atenção. Por cobrir segmentos de alto volume e aceitar diferentes motorizações, se encaixa com primor em uma operação como a nossa.
Por aqui, vale frisar que os vindouros lançamentos do grupo utilizam plataforma Smart Car, uma derivação da CMP. Todavia, o discurso da Stellantis no Investor Day focou em padronização. Ou seja, podemos esperar produtos feitos sobre a STLA One em nosso mercado.
A América do Sul, inclusive, aparece no Fastlane 2030 com metas próprias de crescimento, apoiadas na liderança no Brasil e na Argentina e em uma ofensiva de picapes. Tal reforça que a região deve continuar recebendo produtos adaptados à sua realidade.
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