Primeiro africano a brilhar na Europa, marroquino defendeu a França e foi ídolo de Pelé
Larbi Benbarek tinha o apelido de Pérola Negra, foi um dos pioneiros no futebol francês e artilheiro do Atlético de Madrid
O êxodo de jogadores de futebol para a Europa começou há mais de 100 anos. Mas poucos se tornaram ídolos em uma época tão remota. Foi o caso de Larbi Benbarek, o "Pérola Negra", que nasceu no Marrocos e partiu para a França em 1938 para ganhar a fama de primeiro africano a ser reverenciado no mundo da bola.
As duas seleções se enfrentam nesta quinta-feira, às 17h, em Boston, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Os laços entre as nações são históricos e envolvem invasão, influência do idioma e questões geopolíticas. Inclusive, quando Benbarek emigrou, o Marrocos ainda era um protetorado francês e só conquistou a independência absoluta em 1956, quando ele regressou à sua terra natal.
Por conta da Segunda Guerra Mundial, o atacante não conseguiu realizar o sonho de disputar um Mundial. Até naturalizou-se francês, mas a ausência dos Bleus no torneio de 1950, no Brasil, impediu a sua convocação.
Na época, carregava a responsabilidade de ter sido uma das maiores contratações da história do futebol. Afinal, o Atlético de Madrid pagou 17 milhões de francos (o equivalente a 80 mil dólares, na época) para tirá-lo do Stade Français, em 1948. O Pérola Negra marcou mais de 60 gols pelo clube em 113 jogos, superando a discriminação racial comum no país, sob a ditadura de Franco.
Reverência de Pelé
O status de lenda o acompanhou pelas décadas seguintes. Ninguém menos do que Pelé disse, em 1976, que "se eu sou o Rei do Futebol, Benbarek era o Deus", em enconto entre os dois. O franco-marroquino foi um dos inventores do drible de corpo, tão copiado pelos brasileiros posteriormente.
Ainda foi o primeiro treinador da história de Marrocos, em 1956. Na ocasião, não havia seleções africanas representando o continente em Copas. Os marroquinos, aliás, foram pioneiros ao estrearem em um Mundial, em 1970.
Larbi Benbarek morreu em 1992, aos 78 anos, em Casablanca, mesma cidade onde nasceu. Em 1998, foi condecorado postumamente com a Ordem de Mérito da Fifa e, em 2002, foi escolhido para a seleção de todos os tempos do Marrocos.
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