De 'zebras' a Leões do Atlas: como o Marrocos se transformou em potência do futebol mundial
Os Leões do Atlas enfrentam a França nesta quinta-feira, 9, com a chance de repetir a melhor campanha de uma equipe africana em Mundiais
Depois de fazer história no Catar, em 2022, e conquistar a primeira classificação de uma equipe africana às semifinais de uma Copa do Mundo, a Seleção do Marrocos poderá repetir o próprio feito caso vença a França nesta quinta-feira, 9, no Boston Stadium, pelas quartas de final do Mundial de 2026.
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Mas engana-se quem pensa que a ascensão dos Leões do Atlas aconteceu repentinamente: o sucesso que envolve não só a seleção masculina principal, mas a todas as faixas etárias e categorias do futebol marroquino é baseado em três pilares: boa governança, investimento e recursos humanos competentes.
Esses elementos integram um projeto nacional de longo prazo para o desenvolvimento do futebol que teve início ainda em 2008, há quase 20 anos, e segue uma estratégia apresentada pelo Rei Mohammed VI do Marrocos durante a Conferência Esportiva de Skhirat, conforme explicou uma fonte ligada à Federação Real Marroquina de Futebol ao jornal Al Jazeera.
De acordo com o relato, a reestruturação começou com a reforma da governança, o que incluiu a criação de um departamento nacional de controle financeiro, o que ajudou a profissionalizar a estrutura financeira do futebol marroquino. A próxima etapa foi investir em infraestrutura em todos os níveis do esporte.
"Por meio da cooperação com a Federação Real Marroquina de Futebol e o governo marroquino, construímos milhares de campos de futebol locais chamados de 'campos de proximidade'. Estes são abertos e acessíveis a todos, permitindo a participação em massa de todo o país", explicou a fonte.
Infraestrutura e recrutamento intenso
O país também passou a contar com o complexo e academia Mohammed VI em Maamoura, nos arredores da capital Rabat. O local é conhecido pelos campos impecáveis, equipamentos de fisioterapia de última geração e um hotel para os jogadores, além de ser comparado aos melhores centros técnicos do futebol mundial.
E foi nesse centro onde foram revelados grandes talentos, incluindo titulares do time principal, como Youssef En-Nesyri, do Al-Ittihad, Azzedine Ounahi, do Girona, e Nayef Aguerd, do Olympique de Marseille.
Depois, o Marrocos e outras federações africanas pressionaram a Fifa pela reforma das regras de elegibilidade nacional, o que possibilitou a chegada de jogadores da diáspora europeia.
Com essas mudanças, a seleção passou a contar com nomes estrelados, como Brahim Diaz, Hakim Ziyech, Nordin Amrabat e, mais recentemente, o meia Ayyoub Bouaddi, de 18 anos.
Formado na base da seleção francesa e atualmente no Lille, o meia gerou um embate entre as federações e levou até mesmo Zinedine Zidane, cotado para assumir o posto de Didier Deschamps após a Copa do Mundo, a sondar o estafe do jogador para a possibilidade de mantê-lo na equipe europeia.
Bouaddi, inclusive, foi um dos principais destaques do Marrocos na estreia do Mundial, contra a Seleção Brasileira, em 13 de junho. O meia impressionou pela categoria em campo e ditou o ritmo tático do Marrocos com a bola no chão. Sem a posse, Bouaddi incomodou com muita pressão na saída brasileira. Ele também foi quem mais deu passes no jogo, 66 ao todo.
Sucesso que abrange a todos e Copa em casa
Especialmente desde 2022, a Federação Real Marroquina de Futebol tem colhido os frutos do trabalho de longo prazo. Desde a Copa do Catar, quando terminou na 4ª colocação, a Seleção do Marrocos tem empilhado títulos, divididos entre todas as categorias e faixas etárias.
Em 2025, a equipe foi campeã da Copa Africana de Nações, apesar da polêmica final contra Senegal, que venceu a partida, mas teve o título retirado pela Confederação do Futebol Africano.
No mesmo ano, a seleção também foi finalista da Copa Africana de Nações Feminina (WAFCON), e levantou os troféus da Copa Árabe da Fifa, do Campeonato Africano das Nações, da Copa do Mundo Sub-20 da Fifa e da Copa Africana de Nações Sub-17.
Antes, o país também ficou com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris e venceu a Copa Africana de Nações de Futsal do mesmo ano, em 2024.
Outro ponto que destaca a evolução do futebol marroquino é ser uma das anfitriãs da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Portugal e Espanha, o que, para os membros da Federação Real Marroquina de Futebol é um objetivo maior na busca por ainda mais infraestrutura, capital humano, logística e visibilidade internacional.

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