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De 'zebras' a Leões do Atlas: como o Marrocos se transformou em potência do futebol mundial

Os Leões do Atlas enfrentam a França nesta quinta-feira, 9, com a chance de repetir a melhor campanha de uma equipe africana em Mundiais

9 jul 2026 - 04h59
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Achraf Hakimi é um dos principais destaques de Marrocos na Copa do Mundo de 2026.
Achraf Hakimi é um dos principais destaques de Marrocos na Copa do Mundo de 2026.
Foto: Associated Press / Alamy

Depois de fazer história no Catar, em 2022, e conquistar a primeira classificação de uma equipe africana às semifinais de uma Copa do Mundo, a Seleção do Marrocos poderá repetir o próprio feito caso vença a França nesta quinta-feira, 9, no Boston Stadium, pelas quartas de final do Mundial de 2026. 

Mas engana-se quem pensa que a ascensão dos Leões do Atlas aconteceu repentinamente: o sucesso que envolve não só a seleção masculina principal, mas a todas as faixas etárias e categorias do futebol marroquino é baseado em três pilares: boa governança, investimento e recursos humanos competentes. 

Esses elementos integram um projeto nacional de longo prazo para o desenvolvimento do futebol que teve início ainda em 2008, há quase 20 anos, e segue uma estratégia apresentada pelo Rei Mohammed VI do Marrocos durante a Conferência Esportiva de Skhirat, conforme explicou uma fonte ligada à Federação Real Marroquina de Futebol ao jornal Al Jazeera

De acordo com o relato, a reestruturação começou com a reforma da governança, o que incluiu a criação de um departamento nacional de controle financeiro, o que ajudou a profissionalizar a estrutura financeira do futebol marroquino. A próxima etapa foi investir em infraestrutura em todos os níveis do esporte. 

"Por meio da cooperação com a Federação Real Marroquina de Futebol e o governo marroquino, construímos milhares de campos de futebol locais chamados de 'campos de proximidade'. Estes são abertos e acessíveis a todos, permitindo a participação em massa de todo o país", explicou a fonte. 

Saibari abriu o placar em bonito gol para o Marrocos contra o Brasil
Saibari abriu o placar em bonito gol para o Marrocos contra o Brasil
Foto: Marc Atkins/Getty Images

Infraestrutura e recrutamento intenso

O país também passou a contar com o complexo e academia Mohammed VI em Maamoura, nos arredores da capital Rabat. O local é conhecido pelos campos impecáveis, equipamentos de fisioterapia de última geração e um hotel para os jogadores, além de ser comparado aos melhores centros técnicos do futebol mundial. 

E foi nesse centro onde foram revelados grandes talentos, incluindo titulares do time principal, como Youssef En-Nesyri, do Al-Ittihad, Azzedine Ounahi, do Girona, e Nayef Aguerd, do Olympique de Marseille. 

Depois, o Marrocos e outras federações africanas pressionaram a Fifa pela reforma das regras de elegibilidade nacional, o que possibilitou a chegada de jogadores da diáspora europeia. 

Campo da academia de futebol Mohammed VI em Rabat, no Marrocos
Campo da academia de futebol Mohammed VI em Rabat, no Marrocos
Foto: Divulgação

Com essas mudanças, a seleção passou a contar com nomes estrelados, como Brahim Diaz, Hakim Ziyech, Nordin Amrabat e, mais recentemente, o meia Ayyoub Bouaddi, de 18 anos. 

Formado na base da seleção francesa e atualmente no Lille, o meia gerou um embate entre as federações e levou até mesmo Zinedine Zidane, cotado para assumir o posto de Didier Deschamps após a Copa do Mundo, a sondar o estafe do jogador para a possibilidade de mantê-lo na equipe europeia. 

Bouaddi, inclusive, foi um dos principais destaques do Marrocos na estreia do Mundial, contra a Seleção Brasileira, em 13 de junho. O meia impressionou pela categoria em campo e ditou o ritmo tático do Marrocos com a bola no chão. Sem a posse, Bouaddi incomodou com muita pressão na saída brasileira. Ele também foi quem mais deu passes no jogo, 66 ao todo.

Algoz do Brasil, Ayyoub Bouaddi brilhou na base pela França antes de escolher defender Marrocos
Algoz do Brasil, Ayyoub Bouaddi brilhou na base pela França antes de escolher defender Marrocos
Foto: WILLIAM VOLCOV/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Sucesso que abrange a todos e Copa em casa

Especialmente desde 2022, a Federação Real Marroquina de Futebol tem colhido os frutos do trabalho de longo prazo. Desde a Copa do Catar, quando terminou na 4ª colocação, a Seleção do Marrocos tem empilhado títulos, divididos entre todas as categorias e faixas etárias. 

Em 2025, a equipe foi campeã da Copa Africana de Nações, apesar da polêmica final contra Senegal, que venceu a partida, mas teve o título retirado pela Confederação do Futebol Africano. 

No mesmo ano, a seleção também foi finalista da Copa Africana de Nações Feminina (WAFCON), e levantou os troféus da Copa Árabe da Fifa, do Campeonato Africano das Nações, da Copa do Mundo Sub-20 da Fifa e da Copa Africana de Nações Sub-17. 

Antes, o país também ficou com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris e venceu a Copa Africana de Nações de Futsal do mesmo ano, em 2024. 

Outro ponto que destaca a evolução do futebol marroquino é ser uma das anfitriãs da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Portugal e Espanha, o que, para os membros da Federação Real Marroquina de Futebol é um objetivo maior na busca por ainda mais infraestrutura, capital humano, logística e visibilidade internacional.  

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Fonte: Portal Terra
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