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'Mais importante do que o resultado das contas públicas é preservar o arcabouço', diz André Esteves

Sócio fundador do BTG Pactual defende que Banco Central mantenha o ritmo de cortes da Selic e afirma que imagem do Brasil no exterior é 'extremamente positiva'

6 nov 2023 - 20h17
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O chairman e sócio fundador do BTG Pactual, André Esteves, disse nesta segunda-feira, 6, que mais importante do que o resultado das contas públicas, cuja meta para o ano que vem sofre pressão política, é o País preservar o arcabouço fiscal.

"O importante é seguir o que institucionalmente foi aprovado. Então, vamos seguir o arcabouço", comentou durante o Macro Day, evento do banco.

Ele concordou que, dificilmente, o governo conseguirá zerar em 2024 o déficit das contas primárias, como prometido na peça orçamentária, mas ele acredita que o resultado será melhor do que o mercado prevê: déficit de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.

Sobre a taxa básica de juros no País, Esteves afirmou que, mesmo que o Banco Central mantenha o ritmo de cortes em 0,5 ponto porcentual, o diferencial em relação às taxas dos Estados Unidos continuará favorável ao Brasil.

Para ele, o diferencial de juros pode afetar o câmbio, que, pontuou, está acima da taxa de equilíbrio. Porém, avaliou que o real não deve perder significativamente valor em razão da diminuição do diferencial nos próximos seis meses.

"O Banco Central tem que seguir o que está fazendo. Prefiro que continue cortando no passo de 0,5 ponto porcentual, até porque estamos entregando metas", disse.

Imagem do Brasil

A opinião das pessoas de fora em relação ao Brasil é extremamente positiva, disse ainda Esteves, ao ser perguntado durante o painel de encerramento do Macro Day, sobre como tem avaliado a visão do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. "No fundo, se a gente errar aqui, vai errar no fácil, porque a gente está com uma boa imagem", disse.

Segundo ele, o investidor de longo prazo não fica no detalhe "que nós ficamos aqui discutindo, na ansiedade da semana passada, se vai mexer na meta aqui ou ali". "Acabei de dar uma rodada pelo Oriente Médio e Ásia e acho que o investidor vê o Brasil com muito bons olhos. Em parte, tem a ver com o mérito nosso, parte é um status atual do mundo", disse.

Em relação aos méritos do País, de acordo com o chairman do BTG, está o fato de Brasil ter acertado mais do que errado nas diversas sequências de governo.

"Acertamos mais que erramos e, nos últimos anos, tivemos uma lógica reformista que, tudo indica, aumentou nosso PIB potencial. Aliado a isso, tem aquilo com que Deus nos abençoou. O Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo, é o que tem a matriz mais limpa de energia dentro do G20 e vocês podem ter certeza que logo, logo começaremos a ver barreiras tarifárias e não tarifárias de produtos vindos de energia suja e o Brasil não está dentro desta categoria", disse Esteves.

Além disso, de acordo com ele, o Brasil é uma democracia consolidada, mesmo com suas idas e vindas, em um mercado com escala, com 200 milhões de consumidores e um sistema financeiro saudável, funcional e um mercado de capitais profundo.

"O nosso lado é muito bem-visto. Como sempre a gente pode errar e estragar um pouco isso aqui. Só que tem outro lado positivo também. O mundo mudou muito nos últimos anos, principalmente na geopolítica, o que fez com que muitos mercados ditos emergentes, como a Rússia, se tornaram não 'investíveis' e outros mercados emergentes se tornaram mercados de fronteiras como Turquia e Argentina. Finalmente, o grande representante da categoria, a China, se tornou um filtro muito grande, uma barra muito alta de investimentos para todos aqui no Ocidente", analisou Esteves, para quem o Brasil está ganhando o jogo por "WO", sem adversários.

Esteves disse ainda que, no Brasil se apega muito em discussões de curto prazo, o que não se vê lá fora. Nos Estados Unidos, por exemplo, de acordo com ele, apesar de o déficit ser maior que o brasileiro na proporção do PIB, essa não é uma discussão que está sobre a mesa. "O déficit dos EUA no ano que vem, em proporção ao PIB, será maior que o do Brasil", disse.

Estadão
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