Banco Central decreta liquidação da Reag após fundador da gestora ser alvo da PF
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag após investigações da Polícia Federal sobre fraude financeira envolvendo o fundador João Carlos Mansur, com bens dos controladores e ex-administradores tornados indisponíveis.
O Banco Central decretou nesta quinta-feira, 15, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag, após o fundador da gestora, o empresário João Carlos Mansur, ser alvo de operação da Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas envolvendo o Banco Master.
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Segundo o BC, a liquidação foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes" do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
"Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional", detalhou o banco em comunicado.
O BC ainda informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", disse.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, nos termos da lei.
Por meio de nota, a Reag disse que "atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais" e que "as estruturas societárias, fundos de investimento e participações sob sua gestão ou administração obedecem integralmente às normas de compliance, governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro".
"É incorreto e descabido afirmar que tenha figurado como sócia em operações ou estruturas dos fundos sob sua administração, pois, conforme a Lei nº 8.668/1993, os bens e direitos integrantes dos fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, não integram seu ativo e não respondem, direta ou indiretamente, por obrigações da instituição", acrescentou.
A gestora também informou que está "colaborando de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos, convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas".
Alvo de buscas
Na quarta-feira, 14, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Mansur foi alvo de buscas, mas não estava no Brasil. A PF investiga se fundos da gestora foram usados em fraudes.
Economista formado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e contador pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Mansur já havia sido alvo de outras operações da Polícia Federal.
No ano passado, esteve na mira das investigações que apuram um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de fundos de investimento. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Carbono Oculto, força-tarefa de combate ao crime organizado.
A Reag se dizia vítima da Operação Carbono Oculto. As autoridades fizeram uma devassa nas contas da holding de Mansur, que foi apontada como suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas blindando o patrimônio de grupos criminosos -- algo que a empresa nega.
Membro efetivo do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras, Mansur foi o mais votado na eleição do grupo em abril do ano passado, com 168 votos, e faz parte do grupo de apoio à presidente Leila Pereira. Em setembro, ele renunciou à presidência do conselho de administração da Reag. *(Com informações do Estadão Conteúdo)