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Acordo comercial entre Mercosul e UE é assinado após mais de 25 anos de negociações

Assinatura foi feita em cerimônia em Assunção, no Paraguai, com a presença de vários líderes dos Estados-membros dos blocos

17 jan 2026 - 13h53
(atualizado às 14h35)
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Resumo
O Mercosul e a União Europeia assinaram um acordo comercial histórico após 25 anos de negociações, estabelecendo a maior área de livre comércio do mundo, com eliminação gradual de tarifas e benefícios para diversos setores econômicos.
Acordo comercial entre Mercosul e UE é assinado após mais de 25 anos de negociações
Acordo comercial entre Mercosul e UE é assinado após mais de 25 anos de negociações
Foto: Reprodução

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado, 17, após mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos. A assinatura foi feita em cerimônia em Assunção, no Paraguai, com a presença de vários líderes dos Estados-membros dos blocos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia de oficialização do tratado. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Também estavam no evento a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Rodrigo Paz (Bolívia).

Em discurso, Ursula von der Leyen destacou a importância da assinatura do acordo de livre comércio: "Escolhemos o comércio justo ao invés de tarifas e a parceria ao invés do isolamento. Queremos entregar benefícios às nossas populações e aos nossos comércios".

O ministro brasileiro Mauro Vieira também afirmou que o acordo assinado estabelece uma parceria entre as duas regiões com um "enorme potencial econômico" para as sociedades e um "profundo sentido geopolítico" para os países.

Vieira ainda disse que a aliança representa um "baluarte erguido com sólida convicção no calor da democracia e da ordem multilateral". "Diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção, em um cenário internacional marcado por incertezas e intenções, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo. Acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva", ressaltou.

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assina acordo comercial do Mercosul com a União Europeia
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assina acordo comercial do Mercosul com a União Europeia
Foto: Reprodução

O pacto entre sul-americanos e europeus deve produzir impactos relevantes para os dois blocos. Para o Brasil, criará a maior área de livre comércio do mundo, ampliando o acesso dos produtores nacionais a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores. 

Embora o acordo tenha sido assinado neste sábado, no Paraguai, país que detém a presidência rotativa do Mercosul, o governo brasileiro prevê a entrada em vigor do livre-comércio entre os dois continentes somente no 2º semestre deste ano, após aprovação das cláusulas pelo Parlamento Europeu, que deve se pronunciar dentro de algumas semanas.

"Quando determinei a retomada das negociações do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil. Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante encontro com Ursula von der Leyen, na sexta-feira, 16. Segundo ele, o acordo é resultado de uma "parceria baseada no multilateralismo".

Segundo dados da Comissão Europeia, o comércio entre União Europeia e Mercosul movimenta atualmente cerca de 110 bilhões de euros por ano (R$ 689 bilhões). Do lado brasileiro, a União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial, respondendo por aproximadamente 15% das exportações do país, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O acordo envolve cinco países no Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, agora, Bolívia). Do lado da União Europeia são 27 países, incluindo alguns dos mais ricos do mundo, como Alemanha, França, Itália e Espanha. Juntos, Mercosul-UE somam 721 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de cerca de 22 trilhões de dólares, cerca de R$ 118 trilhões.

Efeitos do acordo Mercosul-UE

O acordo prevê a eliminação dos impostos de importação do Mercosul sobre itens europeus num prazo que vai de 4 a 18 anos, dependendo da mercadoria. Do total importado pelo Brasil, 91% dos bens e 85% do valor terá tarifa zerada.

Do lado europeu, as tarifas levarão de 4 a 12 anos para serem eliminadas. Das importações feitas do Brasil pelos países do bloco, 95% dos bens e 92% do valor terão tarifas zeradas.

O acordo prevê também cotas de importação. Na União Europeia, elas corresponderão a 3% dos bens ou a 5% do valor total do que eles compram do Brasil. No mercado brasileiro, serão ou 9% dos bens 8% do valor.

Em linha geral, o pacto prevê aos europeus exportar, entre outras coisas, carros, máquinas e bebidas alcoólicas para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, os países da Europa facilitariam a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos. 

O que o Brasil ganha no curto, médio e longo prazo

Para o Brasil, além dos produtos citados acima, a aprovação pode ampliar a oferta e baratear o preço de vinhos, na avaliação de especialistas consultados pelo Terra.

No acordo, cada segmento foi tratado de forma quase individualmente no acordo. Hoje, o Brasil enfrenta uma tarifa de 27% na importação de vinhos europeus. Com a eventual entrada em vigor do acordo, essa alíquota será gradualmente eliminada ao longo de um período que varia entre 8 e 12 anos. 

“Zerar todas as taxas é uma maravilha. Porém, no caso do vinho, nós também somos produtores. Se você zerar, você vai, de uma certa forma, repetir o que foi feito errado em 1990, ou seja, abriu para importação e não protegeu a empresa brasileira”, alertou Laércio Munhoz, professor de geopolítica da Faculdade do Comércio de São Paulo.

No caso das alíquotas para bens de capital (máquinas e equipamentos), que geralmente ficam entre 12% e 16%, o acordo prevê a eliminação progressiva das tarifas.  Já no setor automotivo, o texto estabeleceu um tratamento especial, com o prolongamento do cronograma de eliminação das tarifas, de 35% hoje, para os veículos produzidos com tecnologias inovadoras. 

Pelo texto anterior, a retirada das tarifas levaria 15 anos após a entrada em vigor do acordo para todos os segmentos do setor automotivo. Agora, os fabricantes de veículos eletrificados terão 18 anos para eliminar a tarifa.

Claudio Felisoni, professor da FIA Business School, afirma que o acordo não se limita a esses itens. Outros produtos da União Europeia que atualmente sofrem incidência de tarifas também tendem a ter essas alíquotas reduzidas, provavelmente de forma progressiva, como produtos farmacêuticos, químicos, vestuário e itens de tecnologia, entre outros.

Além disso, o acordo prevê cotas de importação com tarifa zero para produtos do agronegócio, possivelmente com destaque para algumas frutas.

"Com a redução ou eliminação dessas tarifas, os produtos europeus tendem a entrar no Brasil com custos de importação mais baixos, o que pode pressionar os preços finais para baixo. No entanto, esse efeito depende do repasse efetivo da redução tarifária ao consumidor final", acrescenta Felisoni.

Maior oferta de chocolates 

Paloma Lopes, economista da Valor Investimentos, destaca que o livre comércio entre os países dos dois blocos deve também ampliar a oferta de chocolates europeus no mercado brasileiro. 

“Também no mercado de chocolate, mas esse do mercado de chocolate é um pouco menor, porque o perfil do chocolate importado é diferente do produzido nacionalmente, Então, é só um ganho mesmo em termos de importação”.

Chocolates vindos da Suíça, por exemplo, atualmente são taxados em 20%. Com o acordo, as importações do produto dentro de um volume a ser anunciado vão ter tarifa zero.

Fonte: Portal Terra
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