Quem são as pessoas e empresas brasileiras sancionadas pelos EUA por elo com o PCC? O que acontece?
Departamento do Tesouro bloqueou bens e proibiu transações com dois brasileiros e quatro empresas; medidas podem restringir negócios e acesso ao sistema financeiro americano. 'Estadão' tenta contato com a defesa dos citados
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
As medidas atingem pessoas físicas e jurídicas apontadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês) como integrantes da estrutura financeira da facção criminosa. Veja quem são os sancionados.
Victor Henrique de Oliveira Shimada
Apontado pelo Departamento do Tesouro como líder do núcleo paulista da rede de lavagem de dinheiro, Shimada é descrito como o elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Segundo as autoridades americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para enviar recursos dos Estados Unidos ao Brasil.
O Tesouro afirma ainda que Shimada já cumpriu prisão domiciliar no Brasil por investigação relacionada à lavagem de recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
A empresa Victory Trading, ligada a Shimada, aparece na denúncia do Ministério Público de São Paulo sobre o caso "Vai de Bet", que apura um suposto esquema de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Segundo os promotores, a empresa integrou a cadeia de movimentação dos recursos antes de um repasse à UJ Football Talent.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira
O governo americano descreve Stella como colaboradora próxima de Shimada. Segundo o Ofac, ela auxiliava na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie e prestava apoio logístico às operações da rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Empresas sancionadas
Também foram alvo das sanções:
- Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda.;
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.;
- Wave Construções Inteligentes Ltda.;
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., sediada em Portugal.
De acordo com o Tesouro, as empresas eram utilizadas para ocultar a origem dos recursos e facilitar a movimentação de dinheiro proveniente das atividades criminosas da facção.
O que acontece com os sancionados?
As sanções foram aplicadas com base na legislação americana de combate ao crime organizado transnacional. Na prática, todos os bens e interesses das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam imediatamente bloqueados.
Além disso, cidadãos, empresas e instituições financeiras dos EUA estão proibidos de realizar qualquer tipo de transação com os alvos das medidas.
As restrições também podem atingir empresas e bancos de outros países que mantenham relações comerciais relevantes com os sancionados. Segundo o Departamento do Tesouro, instituições financeiras estrangeiras que facilitarem operações em benefício dos alvos podem ficar sujeitas a sanções secundárias, o que pode restringir seu acesso ao sistema financeiro americano.
As sanções não representam condenação criminal nem equivalem a uma ordem de prisão, mas impõem severas restrições financeiras e comerciais, dificultando operações internacionais, acesso ao dólar e negócios com empresas que mantenham relações com os Estados Unidos.
Segundo o Departamento do Tesouro, esta é a terceira rodada de sanções aplicadas contra integrantes e colaboradores do PCC desde 2021. Para o governo americano, a facção representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos devido à atuação em tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando de dinheiro em espécie.
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