Entenda qual é a relação do fundador da Reag, liquidada pelo BC, e o Palmeiras
João Carlos Mansur é membro do COF do Palmeiras; ele foi alvo de operação da PF que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master
João Carlos Mansur, fundador da Reag, liquidada pelo Banco Central por irregularidades, é membro do COF do Palmeiras e alvo de investigações da PF por suspeitas de fraudes financeiras e ligação com o Banco Master.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag (atual CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) que foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), é membro efetivo do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras.
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Na eleição do grupo em abril do ano passado, Mansur foi o mais votado, com 168 votos. O empresário faz parte do grupo de apoio à presidente Leila Pereira.
Na quarta-feira, 14, ele foi alvo de buscas pela PF, mas não estava no Brasil. Ontem, a corporação deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. A PF investiga se fundos da gestora foram usados em fraudes financeiras junto ao banco.
Mansur é economista formado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e contador pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Ele já havia sido alvo de outras operações da Polícia Federal.
No ano passado, esteve na mira das investigações que apuram um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de fundos de investimento. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Carbono Oculto, força-tarefa de combate ao crime organizado.
A Reag se dizia vítima da Operação Carbono Oculto. As autoridades fizeram uma devassa nas contas da holding de Mansur, que foi apontada como suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas blindando o patrimônio de grupos criminosos -- algo que a empresa nega.
Em setembro, ele renunciou à presidência do conselho de administração da Reag. O Terra busca contato com o Palmeiras sobre o caso.
Liquidação da Reag
Nesta quinta-feira, 15, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag. Segundo o BC, a liquidação foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes" do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
"Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional", detalhou o banco em comunicado.
O BC ainda informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", disse.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, nos termos da lei.
Em nota divulgada hoje, a Reag disse que "atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais" e que "as estruturas societárias, fundos de investimento e participações sob sua gestão ou administração obedecem integralmente às normas de compliance, governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro".
"É incorreto e descabido afirmar que tenha figurado como sócia em operações ou estruturas dos fundos sob sua administração, pois, conforme a Lei nº 8.668/1993, os bens e direitos integrantes dos fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, não integram seu ativo e não respondem, direta ou indiretamente, por obrigações da instituição", acrescentou.
A gestora também informou que está "colaborando de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos, convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas".
*(Com informações do Estadão Conteúdo)