Liquidada pelo BC, Reag foi investigada por suposto elo com o PCC
gestora e seu fundador estiveram como alvo de operações da Polícia Federal ao menos duas vezes
A Reag Trust, renomeada como CBSF, foi liquidada pelo Banco Central por graves violações, após investigações relacionadas a esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao PCC e fraudes no setor financeiro.
Liquidada pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 15, a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, rebatizada de CBSF, esteve envolvida em operações recentes da Polícia Federal. Em agosto do ano passado, a gestora e administradora de fundos foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, que tinha a intenção de desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro oriundo da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Na ocasião, a sede da Reag foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo as investigações da PF, havia um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, com participação de fundos de investimento e fintechs usados para lavar os recursos que teriam ligação com o PCC.
Após a operação, o fundador da Reag, João Carlos Mansur, anunciou sua saída do conselho de administração da gestora. Também depois da Operação Carbono Oculto, a Reag deixou a Bolsa de Valores brasileira, a B3, e passou a se chamar CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
À época, a Reag se dizia vítima da Operação Carbono Oculto. As autoridades fizeram uma devassa nas contas da holding de Mansur, que foi apontada como suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas blindando o patrimônio de grupos criminosos -- algo que a empresa nega.
Já nesta quinta, a Reag divulgou um novo posicionamento, repudiando alegações "que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos" (veja a nota completa ao final do texto).
Na quarta-feira, 14, um dia antes da liquidação anunciada pelo Banco Central, Mansur foi alvo de uma nova operação da PF. Desta vez, o executivo é investigado por envolvimento nas fraudes relacionadas ao Banco Master. Mansur foi alvo de buscas, mas não está no Brasil.
Liquidação extrajudicial
Em nota que anuncia a liquidação extrajudicial da gestora, o BC afirma que a decisão foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes" do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
"Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional", detalhou o banco em comunicado.
O BC ainda informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", disse.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, nos termos da lei.
Veja na íntegra a nota da Reag divulgada nesta quinta-feira, 15:
"A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos.
A companhia reafirma que:
- atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais, sob a supervisão permanente de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central;
- as estruturas societárias, fundos de investimento e participações sob sua gestão ou administração obedecem integralmente às normas de compliance, governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro (Resolução nº 50/2021 do Coaf) e conheça seu cliente (Know Your Customer – KYC);
- é incorreto e descabido afirmar que tenha figurado como sócia em operações ou estruturas dos fundos sob sua administração, pois, conforme a Lei nº 8.668/1993, os bens e direitos integrantes dos fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, não integram seu ativo e não respondem, direta ou indiretamente, por obrigações da instituição;
- está colaborando de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos, convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas.
São Paulo, 15 de outubro de 2025
REAG Capital Holding S.A."