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Guerra no Oriente Médio faz investidor elevar aposta de corte de apenas 25 pontos-base da Selic

3 mar 2026 - 16h53
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A escalada do conflito no Oriente Médio fez as taxas ‌dos DIs dispararem nesta terça-feira, em meio à forte aversão global a ativos de risco, com investidores no Brasil elevando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

Com o dólar subindo mais de 2% ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,9% no fim da tarde, em alta de 21 pontos-base ante o ajuste de 12,69% da sessão anterior. ⁠Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,58%, com elevação de 19 pontos-base ante ‌13,39%.

Na segunda-feira uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz -- onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial.

Já o presidente dos ‌Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é "tarde demais" para negociar ‌com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado ⁠norte-americano.

A reação nos mercados globais foi de alta forte do petróleo e fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio a receios de que o conflito possa reduzir o crescimento e acelerar a inflação.

No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima intradia de 13,040% às 12h07, em alta de 35 pontos-base, em um momento em que o dólar oscilava acima dos R$5,30. Às 12h14, a taxa do ‌DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 13,745%, com elevação de 36 pontos-base.

O forte avanço das taxas dos DIs ‌traduziu ainda o aumento das apostas de ⁠que o BC cortará a ⁠Selic -- hoje em 15% -- em 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

"Até a divulgação do IPCA-15 (na última sexta-feira), as apostas ⁠estavam em 95% para corte de 50 pontos-base e 5% para corte ‌de 25 pontos-base. Depois do IPCA-15, ‌elas foram para 80%-20%", comentou na tarde desta terça-feira o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. "Agora, com a crise no Oriente Médio, (a precificação) caiu para 50%-50%."

Na prática, a curva a termo mostra agora investidores divididos entre um corte de 25 ou de 50 pontos-base.

Para Serrano, porém, a questão sobre o tamanho do corte da Selic este mês ⁠não está necessariamente ligada ao nível atual dos ativos.

"Não é o nível, é o processo que está em curso. Se até o encontro do Copom o cenário continuar a piorar, o BC pode de fato cortar apenas 25 pontos-base. Mas daqui até lá as incertezas podem ser dissipadas, e pode haver espaço para 50 pontos-base", ponderou Serrano, que mantém a perspectiva de um corte maior.

A reunião do Comitê de Política ‌Monetária (Copom) do BC ocorrerá em 17 e 18 de março, daqui duas semanas.

Um dos pontos de atenção para o BC até lá será o nível do câmbio -- tradicionalmente um termômetro de risco em crises como a atual. Após se ⁠aproximar dos R$5,35 no início da tarde desta terça-feira, o dólar à vista perdeu boa parte da força e retornou para a faixa dos R$5,26. Este valor ainda está bem abaixo dos R$5,35 usados como referência do Copom em sua decisão de janeiro.

A crise no Oriente Médio colocou em segundo plano a divulgação de dados econômicos no Brasil durante a manhã.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre ante os três meses anteriores, em linha com o esperado por economistas ouvidos pela Reuters. Com isso, o PIB fechou 2025 com alta de 2,3%, bem abaixo dos 3,4% de 2024.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, acima dos 92.000 postos projetados pelos economistas.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries mostravam maior acomodação neste fim de tarde. Às 16h40, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- mostrava estabilidade, a 3,49%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 1 ponto-base, a 4,042%.

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